Ao batente da porta
Seus gritos me atravessam os ombros
Antes que eu vislumbre a rua
Meus cabelos borbulham
Mal enxaguados
Eu tô sempre correndo por sua causa
Você me dá conselhos sórdidos
De como fazê-la calar
Meu primeiro trago tem gosto
Dos meus quinze anos
Um prazer tóxico
Um de tantos, muitos
Que não consegui abandonar
O sol da noite me derrete
Engolido pelo chão
Cuspido em mim
As trancas dessa casa
Tem cor de vidro
Mas não quebram nem aos murros
A brisa que me carrega na rua
É uma tosse do dia
Me chamando pra ficar
Me expulsando de casa
Me fazendo voltar pra cá
Eu volto como perdesse a alma
Ela se desloca de mim quando
Destranco a porta
Levanto meus muros
Aciono meu vento
E me ponho de volta na horizontal
É aqui que nasço
É aqui que morro
É aqui que eu nunca terei estado
Porque nunca passei do batente da porta