domingo, 29 de março de 2026

The Being (english version)

I wish I knew
Where does it come from
And why does it come
If I sowed myself with so much care
To be someone I would love to admire
If it's born from the depths of my heart
Or from the shadow behind my desires
And if, despite having watered myself
Day in and day out
Or if, because I nourished myself so well
In the face of the mercilessness of time;

I wish I understood 
If I am or if I pretend
If I create and nurture
This being that roars, sickening
Extinguishing the light behind my eyes
And putting something in its place;

If it is natural or heinous,
If it comes with me,
If I picked it on the road,
If it's despair or something missing,
If it's me drowning or the absence,
If I gave it life,
If I was stolen from it,
If I composed it, atom by atom

If it echoes from a dream,
With intention and future,
If it's an accident, or just bad planning
If it determines me,
Or merely coincides;

I try to dig into it,
But I'm frightened,
That the search itself
Will end up feeding it,
I'm scared it'll grow
And collapse me,
I'm afraid that it'll become
A natural disaster,
Or the kind of thing
That keeps me awake at night;

That it makes me human;
I'm afraid
That it might bring me life,
It could become a habit,
It could end up replacing me;

Because it scares me how much I want it,
That if they did it, it would petrify me

I wish I knew
Where it rises from,
In which color and hunger,
Which first particle, 
What makes it a living thing,
In the face of objects;
What is the first force of its will;

And if I knew it,
If I would have the hands to uproot it,
If I could endure the tearing of its roots,
If it would be embedded in my neurons:
If it would bring me death;
And if aware
Of the choice that is now mine,
If I would choose
To surrender
To it,
If I would choose the world
Or if I'd choose myself.

A Criatura (The Being)

Queria saber
De onde vem
E por que vem
Se me plantei com tanto carinho
Para ser alguém que eu amaria olhar
Se nasce do fundo de meu peito
Ou da sombra por trás de meus desejos
E se apesar de ter-me regado
Dia sim e dia não
Ou se por ter-me nutrido tão bem
Diante da impiedade do tempo;

Queria entender
Se sou ou se finjo
Se crio e amamento
Esse ser que ruge doentio 
Apagando o brilho por trás de meus olhos
E colocando algo no lugar;

Se é natural ou hediondo,
Se veio comigo,
Se colhi na estrada,
Se é um desespero de uma falta,
Se é afogamento ou absência,
Se dei-lhe a luz,
Se me sequestra dela,
Se o compus, átomo por átomo
Se surge de algum sonho,
Com intenção e futuro,
Se é um acidente, ou mau planejamento 
Se me determina,
Ou apenas coincide;

Tento descobrir,
Mas tenho medo,
De a própria procura
Servir de alimento,
Tenho medo que cresça
E me desmorone
Tenho medo que se torne
Um desastre natural,
Ou o tipo de coisa
Que me tira o sono;

Que me torne humana;
Tenho medo
Que me traga à vida
Que se torne hábito,
Que ocupe o dia,

Que o quero tanto que me assusta
Que se o quisessem me daria medo

Queria saber
De onde brota,
Com que cor e fome,
Qual a primeira molécula
O que lhe faz um ser
Diante dos objetos;
Qual a primeira força de sua vontade;

E se o soubesse,
Se teria mãos para arrancá-lo
Se aguentaria o dilacerar de suas raízes,
Se estaria fincado em meus nerônios:
Se me traria a óbito;
E se ciente
Da escolha que me cabe,
Se eu escolheria 
Entregar-me
A este,
Se eu escolheria o mundo
Ou se eu escolheria a mim.

sábado, 21 de março de 2026

Frágua

Você carregava nas costas
Uma mochila furada
Cujo peso vinha do furo;
E com um kit de costura
Colocava tuas mãos no fogo
Tentando removê-la
Ou ao menos parte do peso;

Quando eu passei a ser parte
Do conteúdo da sua mochila;
Você se preocupou
Que o furo me puxasse pra baixo;
E então alimentou as chamas
Para combater os pesos;
Porque cinzas são mais fáceis de carregar;

Mas em vez de o furo ser lacrado,
O fogo pegou em mim
E de mim, nasceu um outro, furo próprio;
E eventualmente eu estava do lado de fora,
Carregando a minha mochila,
E metade da sua, que acabou selada em mim.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Canto

A depressão é uma sereia
Que me encanta ao nascer do sol
Como passarinhos
Dizendo bom dia
Na minha janela