Meus fios loiros refletem
Um passado distante
Alienígena, anônimo;
Eu tento conectá-los;
Descobri que somos baterias;
Certamente queimei a resistência.
Eu tento te pintar,
Pra dar cor e nome;
Tento emoldurar
E por na minha bolsa;
Eu quero dizer que te amo,
Quero que você se lembre de mim;
O eco fraco da tua memória
Me perturba.
Eu não sei como escrever versos,
Como transmitir o que doi
E a beleza
De pensar sobre você,
Sem te conhecer;
O vazio que tento alimentar
Com diversos pratos
Que tenho anotado, mas nada pretende
Te trazer de volta,
Te trazer pra mim.
Eu listo todos os seus feitos
Seus defeitos,
Suas mortes,
Suas artes,
Listo teus conhecidos, tuas histórias;
O que você consumia
E o que criava em resposta,
E me parece tão lindo
O teu existir;
Tudo que você tentava esconder
E tudo do que tentava fugir;
Eu tenho inveja.
É como poder assistir
Um filme pela primeira vez.
O primeiro amor, o primeiro beijo,
O primeiro orgasmo,
A primeira colher de brigadeiro,
O primeiro banho de mar.
Eu tento descobrir
Qual era a temperatura do teu sol
E a densidade da chuva
Sob a qual andava de bicicleta;
Seus pesadelos,
Seus buracos,
E seus recheios.
À noite,
Eu te chamo baixinho
Antes de fechar meus olhos,
Acho que você sabia algum segredo
Que guardou de mim.
E na época não parecia,
Mas agora soa muito importante;
Caso de vida ou morte,
Se é que isso ainda faz sentido,
Se é que eu sei a diferença.
Eu desisti
De me despedir,
Por favor, volta.
Eu te trato melhor,
Eu te dou presentes,
Eu te salvo da beira do abismo,
É diferente agora,
Agora eu te amo.
Você me ensinou isso.
Muito obrigada.
Mas, quando você foi embora
A saudade doeu demais.
E tudo bem doer, mas
Eu preferia você aqui.