sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Problemas.

- Oi.
- Bom dia.
- Tudo bem?
- Não.
- Que foi?
- Só pra você ficar ligado, eu tenho vários problemas.
- E quem não sabe disso?
- Bom, é que as pessoas acham que me conhecem, mas geralmente não sabem da metade. E olha que eu deixo tudo à mostra.
- E o que é que eu não sei?
- Que eu sou ninfomaníaca.
- Todo mundo sabe que você só pensa em sexo.
- Não, não. Aquilo é brincadeira, ou só eu mantendo minha reputação. A questão é mais grave que isso. Eu sou viciada.
- Ainda não me parece novidade.
- Digamos assim, eu tenho um limite de uma semana sem ser tocada. Depois disso a situação começa a ficar feia. E não tô falando simplesmente de um orgasmo. Não consigo passar uma semana sem orgasmo...
- Explique melhor.
- Eu fico estressada, triste, minha autoestima baixa, fico incomodada, infeliz. Entenda, eu pre-ci-so ser tocada, ser fodida, toda semana. Sem falta. E uma semana já é um tempo longo...
- Entendo.
- Olha, talvez você não entenda isso, mas eu nem me importo de você ficar com outras. Só preciso que esteja disponível pelo menos oitenta por cento do tempo.
- Acho que posso viver com isso.
- Não, você não pode. Mas quero você na minha cama de qualquer jeito.
- Então acho que você não tem muita escolha.
- Não, porque eu sou ninfomaníaca. Como eu disse, tenho problemas...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Tripofobia

Peito asqueroso, pele macia;
Muito nervoso, quase fobia;
De noite terror, esqueço de dia;
Eu vejo de novo, muita agonia.

Meus pelos sozinhos dançam em mim;
Socorro, socorro, eu tô pra morrer;
Meu deus, que frescura! Por que tanto assim?
Olá, terapeuta, preciso te ver.

Lei da vida

Violetas vêm primeiro,
Mas assim não deve ser;
Não importa o que eu faça
Eu sempre vou me foder.

Blue Moon

Rosas são de qualquer cor
Violetas são azuis
Eu adoro o seu amor
Lua que tanto reluz.

Jogo dos 7 erros





quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A casa que matava madres.

   A primeira era conhecida como ex. Havia recentemente perdido uma cadelinha, do mesmo mal que agora a tinha, quando ela veio nos visitar. Ou despedir-se. Veio ela com um novo cachorrinho, apelidado Gigante por sua minusculeza, e este passou a residir conosco. Enquanto ele crescia em meio à fúnebre confusão, uma filha de um casamento antigo veio ouvir as últimas palavras da primeira moribunda que partiria daqui.
   Já da segunda já se esperava há um bom tempo algum novo problema grave. Coração. A anterior teve câncer, e a coisa lhe tomou o corpo inteiro. Já essa estava também já sem chance, mas de um mal diferente e aleatório. Estado agravado em todos os sentidos. Quatro filhos chorosos de uma não-tão-velha dona que já não queria mais estar aqui. E então, foi-se. Eu também não estava aqui.
   A pequena bola de pelo preta que festejava pelos móveis e camas do recinto amaldiçoado surgiu como notícia de morte, provavelmente no tempo exato entre estas duas mortes. E a filha só se safou porque se foi logo daqui.
   Tenho novas de uma outra que está chegando aí. Que vem porque já temem que esta também seja empacotada logo, logo. Acho que só eu canso dessas morbidezas por aqui. E depois fica aquele clima eletrizante de espíritos sádicos que rondam as paredes empoeiradas. E isso fora uma outra de que tô ouvindo falar. Uma indireta que eu espero que não acabe por aqui também. Afinal, eles parecem recolher as almas das pobres. Acho que já basta. Três tá bom. Tá, eu sei que a terceira ainda não morreu, mas é de se esperar, não é?
   Fora a maldita minha que fica adoecendo de graça o tempo todo. Trato-a como a um bebê. Atenta às doenças, e qualquer tipo de choro ou incômodo que ela externe. Não quero que a minha morra. Tá cedo ainda. Não mesmo. Já até sonhei com isso. Espero que por ser filha da última, ela esteja imune a esta praga. A necessito.