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domingo, 27 de outubro de 2024

Poison Ivy

Eu tento performar
Que sou eu
Que não sou quem sou
Uma outra qualquer
Um corpo sem recheio
Eu tento convencê-lo
De que não sinto
De que não existo
Sou apenas um reflexo
Feito pra sorrir pra ele
O que ele me mostra ou
Deixa de mostrar
As escolhas minuciosas
As escolhas negligentes
Eu tento provar pra mim mesma 
Que já deixei de me ser
Mas é tudo um grande ato
E no intervalo
Eu me ameaço de morte
Com a faca
Amolada, entre minhas coxas 
Se você não sente medo
Não ouviu o que eu disse
Tenho gritado em suas orelhas
No seu encalço
Brincando de nos desmoronar
Você não me conhece 
Você é um estranho
Como são todos à minha volta
E por isso minha fantasia alienígena
Meus óculos de vespa
Eu pensei que eram de abelha
Até que...
Eu gosto de quem tem medo de mim
Eu também tenho
Eu tomo dois calmantes
Ou arranco um pedaço
De mim ou de você
Talvez eu devesse te dar umas sementes
Mas não sei o que nasceria dentro de ti
João acreditava em árvores
Eu acredito em decomposição 
Adubo, é disso que as plantas precisam

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Amor Próprio

Ela não me deixa escrever sobre você
Eu recito meus poemas,
Te escrevo versos
Escuto minhas vozes
E a água corrente
O som quase imperceptível
Do vento sobre a minha cama
Eu escuto a geladeira
E o zunido nos meus ouvidos
Lugares que eu nem sei identificar
Doem interminavelmente
Sinto falta da sua voz
Sinto falta da sua voz
Mas ela não me deixa escrever sobre você
Eu recito que você não vai ler isso
Você nunca leria
É o que diz o segundo ou terceiro verso
De qualquer poema que eu tento começar
Eu sinto medo de como me sinto contigo
Me desequilibra
Oxitocina é uma droga
Que me tira de mim
O melhor dos energéticos
Ela me supre de energia em uma parte sedenta
Raquítica
Uma parte de mim onde nada mora
Eu durmo sobre seus braços
Como devem ser quentes...
Eu me toco diariamente
Gostaria de não precisar fazer isso
Mas se eu não faço, meu corpo entra em pane
Ó deus, não sei o que fazer comigo
Eu quero pôr em arte,
Tentar
Mas ela não quer que eu escreva sobre você
Ela não me deixa
Alguém sopra em meu ouvido
Que amor é problema
Que o amor é falso
Mas eu amo me sentir bem
Eu quero correr o risco

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Noise Canceling Headphones

I know this is a lie
Don't ask me if I care,
I wanna buy it
Don't ask me how I am
Just keep it coming
I want to be handfed, like a baby bird
I know it's disproportionate 
It's unbalaced
But I'll gladly take it
Season it, sweeten, make it sour
Promise that I'll swallow
I won't think it twice,
I'll just get my job done
Over and over
And over and over and over
I'll make you lunch
Fool me
Tell me that you like me
Don't perform love
Stay distant
I don't need affection
Just the reflection of it
The echo, the shadow
Of what love is supposed to be about
I know this is a lie,
I feel exhausted 
And empty; during every second
We're no longer there
Death wispers at my ears
I wanna listen to it
But I listen to your voice instead 

sábado, 25 de maio de 2019

25 de maio

Abro as minhas pernas
Para quem quiser primeiro
Os goles gelados descem
Tornando meus órgãos
Um lindo casaco aveludado
Coberta de infância
Onde se goza rindo a violência
Os gritos e os pneus derrapados
As unhas fincadas nos fios
As entranhas de cimento
Carimbadas rosa na testa
Bebo de seus lábios
Meu pseudo cônjuge
Meu hóspede distante
A voz de alguém que conheço
Escorrendo de minha menina
Um clone delicioso
Uma cama dizendo meu nome
E me acolhendo nos braços
Tomando-me os joelhos quentes
E os olhos pesados
Me desmancho no enrolar da sua língua
Quero estar contigo
Uma única companhia
À deriva comigo
No olho do furacão

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Fotograma

Me lembro dos nossos cigarros de camomila
Como se fosse ontem aquela tosse
Aquela luz azul alinhada em você
Me lembro dos cabelos dele me afogando
E dos pés de sustentação
Aqueles pés gigantes que me desconectavam
De todas as vezes em que ele me torturou
E eu ainda o amo
E eu ainda tenho vontade
De te queimar a pele com meus abraços
E os cigarros acesos
E o meu pulmão em brasas
Eu sinto falta da fumaça que me adoeceu
E hoje sou alérgica
A homens intensos e a tudo no vento
Eu sou alérgica a mim mesma na frente do espelho
Porque sei o que desejo e necessito
Sou coxa de mim
Mas entre um desatino e outro
Entre os flashes e frames da vida real
Nos quais me percebo de repente
E sumo
Eu me lembro
De quem
Ou do que
Eu costumava ser

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

E meio

Te leio a cada três dias
Pra morrer e sentir dor
Pra lembrar que não te amo
Sentir falta
Fingir amor

O verso de dois anos

Eu queria ter te perdoado.
Eu queria ainda te amar.
Eu queria não ter morrido
Em julho de tanto ventar.

Ilusão Perfeita

Uns óculos escuros
E um sol do cacete
Eu acho que estou com ele
Eu acho que estou com ele
Mas não estou

Eu sigo quente
Esse sol arrasa a gente
Passo lerdo no concreto
É quase certo
Estou com ele
Mas não estou

Às vezes paro
Blusa preta
Riso raro
Cabelo preso
Num rabo de cavalo
Eu estou com ele
Lerda, alegre, dopada
Com calor
Mas não estou

Mais cinco passos
Quarenta
Quase não consigo mais
Dormir de cobertor
É o ar condicionado
Esqueci o nome da coisa
Umidificador
Eu fecho os olhos
E as paredes me consolam
Na memória de um vinho barato branco
E lágrimas
Que se saíssem
Talvez refrescassem o rosto
Que desgosto
Eu não estou com ele
Não estou
Achei que ia amá-lo sempre
A gente acabou

sábado, 8 de outubro de 2016

Duas lágrimas

Fazia tempo que eu não pensava em você.
Eu aprendi a não pensar.
Depois de tanta coisa, eu precisei. Não sei.
Acho que eu sempre soube menos do que deveria.
Ainda me lembro da minha psicóloga dizendo
Que você não era bom pra mim.
Mas nunca foi assim
Que eu escolhia as minhas amizades, não é?
Ninguém me disse que ter amigos
Seria tão difícil quanto não ter.
Eu sempre fui intensa demais.

Fazia muito tempo que eu não pensava em você.
Até que um dia, não sei ao certo,
Meu cérebro inventou de me pedir
Aquele último cigarro que eu me lembro da gente fumar.
Teve algum depois? Não lembro.
Talvez a minha memória seja pior que a sua.
Sonhei quatro noites seguidas com aquele cigarro. Eu nem sabia o nome.
Só me lembrava de você.

Abri teu twitter.
Tive vontade de te abraçar,
De conversar contigo,
De ouvir sobre os teus diversos problemas.
Tive vontade de estar perto de você.
Você tinha voltado a escrever.
Abri teu blog.
Aquele blog que eu tinha visitado
Tantas e tantas vezes
Na esperança de te encontrar
No meio do caos que tinha se instaurado.
Aquele blog, que tantas e tantas vezes
Esteve vazio de qualquer atualização.
Fervia.
Você escrevia um texto atrás do outro.
E eu li todos, quase agradecendo
Por poder te ler mais uma vez.

Tive medo de falar contigo.
Tenho ainda.
E se alguma coisa me assustar
E eu sair correndo
E te deixar aí sozinho
Mais uma vez?
Parece que tudo esqueci,
Mas eu não sei.
E se estiver tudo trancado em mim?
E se tudo sair?
Não sei.
Eu sempre tenho menos certezas
Do que eu gostaria.

Mandei uma mensagem.
Você respondeu a primeira,
Mas não a segunda.
E hoje enquanto eu vinha para a faculdade
Em meio à bagunça diária que eu vivo,
Eu chorei lendo um texto teu.
Continuo com medo.
Continuo com saudade.
Acho que ainda te amo,
Mas não sei.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Eu te esqueci

Quando você se foi,
Eu chorei.

Bebi garrafas inteiras
De vinho branco barato
E chorei.

Ouvi dois discos lindos
De um cantor brasileiro
E chorei.

Escrevi três poemas
Pra você.
Depois,
Chorei.

E tive três sonhos com você.
Quando acordei,
Chorei.

Hoje você vai embora,
Como foi tantas vezes desde então.

E eu não choro mais.
Por outros, sim,
Por você, não.

Eu não sinto mais tua dor
Me esmagando por dentro.

Eu não sinto mais saudades
Das tuas mentiras.

Eu não sinto mais você.

Me pergunto:
Quem você foi?
Quem fui eu?
Por que um dia te amei?
Por que chorei?

Hoje,
Enquanto você vai de vez,
Assim espero,
Não sei mais quem você é.

E não choro mais,
Porque nunca te conheci.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ciranda da Madrugada. Sem versos.

  Eu não podia me machucar. Então, eu juntei na mente todos os pensamentos pervertidos que eu era capaz de pensar. E me masturbei, como sempre faço quando me contam uma coisa importante. A verdade é que eu queria chorar, me machucar, ou como aquela moça do filme que eu vi hoje, apenas ser tocada. Ser vista. Você veio me atravessando feito uma espada, com os teus segredos absurdos e eu novamente me senti como se não tivesse poder nem sobre a vida de uma maldita formiga. E aí, eu me contorci no meio do sofá, até esquecer do que era tudo isso e de como eu não queria nunca mais ouvir as palavras sujas que sempre saíram da tua boca. Você provavelmente foi a primeira pessoa que me fez sentir amada, depois de tanto tempo em cativeiro. Eu vivia nas trevas, e você me mostrou o vermelho da vida do lado de fora. Em seus cigarros e sua vida borderline, você foi me ensinando tudo que eu não sabia sobre ser, sobre existir. Até que eu pensasse que não existia mais sem te ter. Seus poemas, suas canções e tudo que te dizia respeito me queimou a carne, e logo eu ardia em estar acompanhada. A vida não era nada, absolutamente nada sem você. Eu ando perdida, ainda. Você sabe. Eu quero parar com os teus cigarros, mas fujo e me intoxico de você. Agora eu tenho outros, acumulados pela minha estrada. Mas se tudo que tenho fosse um perfume, o que eles chamam de tema seria você. Essa consciência não me resgata de lugar algum, mas o silêncio, o silêncio que me amordaça todas as manhãs deve ser ameaçado. Devo gritar de volta, ofegar, fazer barulho enquanto sufocada. Quero o meu ar, quero viver, quero existir além do todo que te fui. Você foi quem me ensinou como se amava, mas hoje, hoje não sei amar. Não posso amar ninguém sem desejar a morte, sem saboreá-la como se já tivesse chegado lá. Eu fecho meus olhos, meu corpo não é suficiente, minha voz não é suficiente. Nada é. Eu preciso queimar, queimar até me compreender.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Ebulição

Ela disse que eu estava chorando
Eu respondi que não
Era mentira
Eu estava chorando
Da minha maneira
Com um cigarro na boca
Cantando
Para o cachorro mais lindo que eu já vi
Não ia fazer sentido pra ela
Eu disse a ele que iria embora
E ele espirrou
Mas quando eu cantei, ele parou
E eu percebi mais uma vez
Como que cantar é amor em forma de som
Mas eu dizia adeus
Eu estou dizendo adeus
Até a próxima vida,
Daqui a um ano inteiro
Eu canto e queria estar em silêncio
Abraçada não com o cachorro ou com ela
Queria estar abraçada com ele,
Com a lua
Com a outra metade de mim
Sinto vontade de despejar
Uma ou duas lágrimas
Mas não posso
Sou triste e sou seca
Eu choro pela fumaça
Que sai do fundo de mim

Meio centímetro

Fumei um cigarro teu
Com o teu isqueiro
Enquanto você dormia
Eu queria estar na tua cama
Eu queria estar dentro de ti
Desde que cantamos
Aquela música sobre cocaína
Eu queria estar mais apertada
Só um pouco mais
Para espremer
Eu queria ficar aqui
Mas tudo daria errado
E eu nunca seria eu
Eu nunca seria eu
Perto de você

Impermanência e paralelismo

Eu te pintei nas minhas unhas
Preto, como só você consegue ser
Profundo em meu pulmão
Me sufocando a cada gargalhada
E quando mais chapada eu fico
Mais te amo
Isso nem faz sentido
Meu amigo, meu amor
Depois de tudo que passamos
Eu continuo voltando no tempo
Eu continuo me encolhendo
Virada pra parede
Eu ainda tenho sede
De te encontrar
Na ponta dos meus dedos, pretos
Mergulhados no teu esmalte
No teu caos
Na tua insubordinação e arrogância
E quando eu me desmancho em risos
Aquela tosse vem
Como se fosse um castigo dos céus
Ninguém te conhece
Como um dia eu te conheci
Eu fecho meus olhos e abro
Já passaram 10 horas
E eu estou pesada
Me arrasto pela casa
Consciente de que vou embora
Está na hora
De te dizer adeus

Mas em todo fim de eclipse
Todas as vezes em que nós morremos
Eu sei que é só uma questão de tempo
Até eu te tocar de novo
E doer até me questionar
Sobre quem sou

A lua nunca poderia alcançar o sol
De maneira alguma
Portanto, estão ambos
Perpetuamente imunes um ao outro
Não importa quantas vezes eu tenho vontade de chorar
Ou quantas vezes eu pinto minhas unhas de preto
Também não importa
A quantidade de drogas que eu ingeri
Eu estou aqui, agora
E está na hora de ir

Enquanto você dorme,
A única verdade que me resta é essa:
Eu sempre vou poder escrever sobre você

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sobre as drogas e tu

Eu quero ser fraca.
Não quero resistir a coisa alguma
Não quero ficar mal,
Quero estar sempre aqui no ar,
Quero me jogar e esperar a queda
Que chegue
Que chegue o chão
Eu quero ser fraca
Esperar os passos virem por cima
Me atravessarem
Para amaciar a carne
Quero me apaixonar
Pelo poste em curto circuito
Quero tudo gratuito
Para acelerar o tempo
Que chegue ao chão
E amacie as minhas costelas
Se o oxigênio não bastar
Tudo mais especial
Planejado
Deixo um recado aqui pra ti
Te amei sempre que te vi
E ao meu outro
São assassinos
Meninos
Que me moram já
Não fujo de nada
Não me aguento
Sou bem fraca
Para não te pensar

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Espelho duplo

Em todas as vezes que eu te disse pra parar,
Em todas as vezes que eu te pedi pra ficar,
Nos meus olhos assustados
E nos meus dedos aflitos,
No meu silêncio sem fim
E nas lágrimas que derramei,
Nos infinitos vôos que peguei
Pensando sempre em você;

Nas ruas angustiadas que percorri,
Nos cigarros que fumei, e então aboli,
Nas músicas que escutei,
Enquanto me apunhalava por dentro,
No meu filme preferido
Que era você em carne e osso
Em versão feminina,
Naquele desenho feito em Santa Catarina,
Sobre o qual nunca te falei;

Sob o sol que me ardia a pele
Ou sob a água que me afogava,
Sob os machucados que não sentia
E sob o teu calor que me aliviava,

Sob o fogo e sob a terra,
Dentro da esfera do mundo,
De tudo, de mim,
Amei você.

Nos textos que não te escrevi,
Porque doía demais,
Nas palavras que não te disse,
Por não suportar minha própria voz,

Em Maysa e Lana, que me punham pra dormir,
Em Jeffree e Ana, que nos traziam de volta,
Em todas as coisas que foram,
Que eu nunca soube mentir,
Amei você.

Nos lábios que cerrei irada,
Nos pisos em que me atirei
- gritava -
Jurei que nunca mais te amava,
Mas nunca pude deixar de ser amada.

Te olhei,
Com olhos de nunca antes,
Toquei
O que restava da tua sombra no meu ar,
Pensei
Que a minha dor agora não era nada,
E desavisada
Te amei,

Como sempre tinha amado antes,
Talvez não soubesse,
Como sempre negava,
Que fosse sempre eu;
Amando você.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Depression task

I'm really tired of your "it's a secret" game
I'm tired of "you're he only one who knows"
You once told me a secret
The worst secret anyone could tell
You gave me this sick gift
I thought it would make me special
But it never did
It's not like you intentionally wanted
To make me feel so bad
I told you I loved you so
But I could never predict
That it would end up like this
You get my hands dirty
I don't wanna know your secrets anymore
I don't wanna touch you
I don't wanna se you
I have to vanish my soul
Everytime I say hello
And that kills me
Because I know I will
Eventually
Really hurt you
And I don't mean to be mean
I'm just too tired
Too sad, too sick, too nauseated
I'm overwhelmed
And you never knew the consequences
On your acts
Or you never actually cared
While I forget who you are
And I often do
I keep loosing myself
On my way to home
I don't who I am
Or where am I
You make me lost and sad
I can't handle this
In fact, I can, but I don't want to
I wanna go home, be safe
I wanna be away
From you

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A insuportabilidade do traidor por perto

Não faz isso.
Não fuma, não bebe, não foge.
Para de fugir. Para.
Nem o corpo dele importa mais.
Não deixa o menino te pegar, Emily.
Não deixa o bicho papão chegar aqui.
Vai dormir.
Descansa, pinta sua mandala, vai pra aula.
Prepara a fantasia e o quadro,
Sai dessa internet.
Você tá tão desesperada pra falar com os teus amigos.
Você abandonou todos eles, não foi?
Mas eu os amo.
Eu quero falar com eles.
Mas por outro lado, quero ficar em paz.

Vamos lá, um pouco mais,
Verdades frias na tábua.
Falar com esse garoto me irrita.
Me desespera, incomoda.
Ele só faz ir embora, todas as vezes.
Tudo que ele me fala é sobre ir embora.
Como se ele estivesse num interminável
Processo de morte.
Ele morre, morre, morre todos os dias.
Me incomoda. Atormenta.
Eu não quero assistir.
Ele me convida, eu vou.
Ele sugere, eu topo.
Ele pergunta, eu concordo.
Mas eu não suporto, eu não suporto.
É como se esticássemos um fim
Que já acabou há anos.
Por que eu estou fazendo essa caridade falsa e suja?
Por que eu não falo logo a verdade e acabo com isso?
Eu não quero matá-lo,
Eu não quero provocar-lhe dor.
Eu só quero ficar longe todas as vezes possíveis.
Dele e seus cigarros, dele e seus tormentos,
Dele e seus desesperos, corpos, imagens.
Eu não sei o que fazer.
Ele é um mau presságio.

Ele não sabe, mas agora sinto
Que todas as vezes que eu precisar tocá-lo
Eu terei que estar minimamente alta,
Para não querer me matar
É como se fosse tóxico
Se eu o encosto, morro
Definho, apodreço, pereço
Isso já nem faz mais sentido
Traição, será?
Quando tempo leva até você perceber
Que eventualmente você vai embora
Que isso já começou faz tempo, tua partida
Talvez já tenha notado, talvez apenas ignore
Isso me machuca
Você logo vai embora de vez
E vai doer mas eu quase não vou sentir
Porque quando você me matou
Eu virei um monstro
O bicho-papão em mim agora existe
Agora pode
E eu não posso com ele
Eu preciso que ele durma
Então vamos dormir

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Religion

The first pray I ever had
Was to survive
I was once so depressed
And I knew I was so close to death
I asked for help
They saved me

My second pray
Was to forget
Of a devil girl
That never was a devil
And still would make me
Want to kill myself
Once I was free
I didn't love her anymore
And she missed me

The third pray I had to make
Was to let go
The first boy
That really cared about me
Once I felt
What love should feel like

All over my body
When he was gone,
Because I knew
That I would never belong to him
I missed him so much
And at this time
He belonged to her
And she, to him
I left him go
And we had sex last month
He doensn't hurt me anymore
He never will

The fourth pray
The purest pray I ever had to pray

Was for this boy
He'd been a part of me for so long
I gave him my soul
I would always belong to him
And I knew it
Once I felt
Someone had finally killed me

I was so scared
But I was so close to the truth
Like I'd never be again
And it was good
He laughs to me today
He'll always be mine
We're great
And I never want to suicide again

My fifth pray
The most hopeful
The most religious
The most loveful pray
I ever decided to make
I call today Peter
This is the first pray
That had the liberty
Of choosing it's own name
And it's a beautiful name, Peter
None of other prays
Could make me feel so safe
Before I start to sing
In my every single morning
None of other prays
Would make me feel
I love myself
Once I was me
And I really wanted to be who I was

Today, future speaks to me
And I pray everynight
Before I fall asleep
I say
I love Peter
That's my pray
I love life
Tomorrow will be a wonderful day

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Saldo negativo

No início era tudo calores
Em excesso até
Eu te doía em todo o meu amor
Empolgação que nunca finda
Desejo de te ter dentro de mim
No início era tudo muito
Eu te cantava versos
Eu te ligava
Eu faria tudo que tu me pedisse
E um pouco mais
E agora
O que é que eu faço?
É sempre pouco
Não acha?
Eu já quase não me importo
Eu não te mando cartas
Eu não pergunto como você tá
Eu mal sei como que anda a tua vida
Eu nunca faço o que você me pede
Agora eu chego a estar 
Do outro lado do Brasil
Quando você vai na minha casa
Eu sempre negligencio
O que te diz respeito
Eu não sei dar presentes
Ou estar presente
Te escrevo um texto ou outro
De vez em quando
Eu quase sempre perco
A hora de te dar os parabéns
Quando é o teu aniversário
(eu sempre tenho medo de fazê-lo)
(não sei por quê)
E somando tudo
O que ainda sobra
É que eu me importo com o teu bem estar
E tenho vontade de dizer que te amo
E tenho vontade de beber uma cerveja contigo
De vez em quando
Você não me doi
Não fujo muito de ti
Não tenho ódio de te encontrar
Ainda te amo

Você mesmo dizia
É como um casal
Em um relacionamento desgastado
Eu e tu
Fazemos bodas de qualquer coisa
E devia ser bonito
Mas parece normal pra mim
Parece normal te amar
Quando não jogamos purpurina na coisa toda
Quando eu estou sóbria, eu acho