domingo, 27 de outubro de 2024
Poison Ivy
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
Amor Próprio
quarta-feira, 23 de outubro de 2024
Noise Canceling Headphones
sábado, 25 de maio de 2019
25 de maio
Abro as minhas pernas
Para quem quiser primeiro
Os goles gelados descem
Tornando meus órgãos
Um lindo casaco aveludado
Coberta de infância
Onde se goza rindo a violência
Os gritos e os pneus derrapados
As unhas fincadas nos fios
As entranhas de cimento
Carimbadas rosa na testa
Bebo de seus lábios
Meu pseudo cônjuge
Meu hóspede distante
A voz de alguém que conheço
Escorrendo de minha menina
Um clone delicioso
Uma cama dizendo meu nome
E me acolhendo nos braços
Tomando-me os joelhos quentes
E os olhos pesados
Me desmancho no enrolar da sua língua
Quero estar contigo
Uma única companhia
À deriva comigo
No olho do furacão
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Fotograma
Me lembro dos nossos cigarros de camomila
Como se fosse ontem aquela tosse
Aquela luz azul alinhada em você
Me lembro dos cabelos dele me afogando
E dos pés de sustentação
Aqueles pés gigantes que me desconectavam
De todas as vezes em que ele me torturou
E eu ainda o amo
E eu ainda tenho vontade
De te queimar a pele com meus abraços
E os cigarros acesos
E o meu pulmão em brasas
Eu sinto falta da fumaça que me adoeceu
E hoje sou alérgica
A homens intensos e a tudo no vento
Eu sou alérgica a mim mesma na frente do espelho
Porque sei o que desejo e necessito
Sou coxa de mim
Mas entre um desatino e outro
Entre os flashes e frames da vida real
Nos quais me percebo de repente
E sumo
Eu me lembro
De quem
Ou do que
Eu costumava ser
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
O verso de dois anos
Eu queria ter te perdoado.
Eu queria ainda te amar.
Eu queria não ter morrido
Em julho de tanto ventar.
Ilusão Perfeita
Uns óculos escuros
E um sol do cacete
Eu acho que estou com ele
Eu acho que estou com ele
Mas não estou
Eu sigo quente
Esse sol arrasa a gente
Passo lerdo no concreto
É quase certo
Estou com ele
Mas não estou
Às vezes paro
Blusa preta
Riso raro
Cabelo preso
Num rabo de cavalo
Eu estou com ele
Lerda, alegre, dopada
Com calor
Mas não estou
Mais cinco passos
Quarenta
Quase não consigo mais
Dormir de cobertor
É o ar condicionado
Esqueci o nome da coisa
Umidificador
Eu fecho os olhos
E as paredes me consolam
Na memória de um vinho barato branco
E lágrimas
Que se saíssem
Talvez refrescassem o rosto
Que desgosto
Eu não estou com ele
Não estou
Achei que ia amá-lo sempre
A gente acabou
sábado, 8 de outubro de 2016
Duas lágrimas
Fazia tempo que eu não pensava em você.
Eu aprendi a não pensar.
Depois de tanta coisa, eu precisei. Não sei.
Acho que eu sempre soube menos do que deveria.
Ainda me lembro da minha psicóloga dizendo
Que você não era bom pra mim.
Mas nunca foi assim
Que eu escolhia as minhas amizades, não é?
Ninguém me disse que ter amigos
Seria tão difícil quanto não ter.
Eu sempre fui intensa demais.
Fazia muito tempo que eu não pensava em você.
Até que um dia, não sei ao certo,
Meu cérebro inventou de me pedir
Aquele último cigarro que eu me lembro da gente fumar.
Teve algum depois? Não lembro.
Talvez a minha memória seja pior que a sua.
Sonhei quatro noites seguidas com aquele cigarro. Eu nem sabia o nome.
Só me lembrava de você.
Abri teu twitter.
Tive vontade de te abraçar,
De conversar contigo,
De ouvir sobre os teus diversos problemas.
Tive vontade de estar perto de você.
Você tinha voltado a escrever.
Abri teu blog.
Aquele blog que eu tinha visitado
Tantas e tantas vezes
Na esperança de te encontrar
No meio do caos que tinha se instaurado.
Aquele blog, que tantas e tantas vezes
Esteve vazio de qualquer atualização.
Fervia.
Você escrevia um texto atrás do outro.
E eu li todos, quase agradecendo
Por poder te ler mais uma vez.
Tive medo de falar contigo.
Tenho ainda.
E se alguma coisa me assustar
E eu sair correndo
E te deixar aí sozinho
Mais uma vez?
Parece que tudo esqueci,
Mas eu não sei.
E se estiver tudo trancado em mim?
E se tudo sair?
Não sei.
Eu sempre tenho menos certezas
Do que eu gostaria.
Mandei uma mensagem.
Você respondeu a primeira,
Mas não a segunda.
E hoje enquanto eu vinha para a faculdade
Em meio à bagunça diária que eu vivo,
Eu chorei lendo um texto teu.
Continuo com medo.
Continuo com saudade.
Acho que ainda te amo,
Mas não sei.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Eu te esqueci
Eu chorei.
Bebi garrafas inteiras
De vinho branco barato
E chorei.
Ouvi dois discos lindos
De um cantor brasileiro
E chorei.
Escrevi três poemas
Pra você.
Depois,
Chorei.
E tive três sonhos com você.
Quando acordei,
Chorei.
Hoje você vai embora,
Como foi tantas vezes desde então.
E eu não choro mais.
Por outros, sim,
Por você, não.
Eu não sinto mais tua dor
Me esmagando por dentro.
Eu não sinto mais saudades
Das tuas mentiras.
Eu não sinto mais você.
Me pergunto:
Quem você foi?
Quem fui eu?
Por que um dia te amei?
Por que chorei?
Hoje,
Enquanto você vai de vez,
Assim espero,
Não sei mais quem você é.
E não choro mais,
Porque nunca te conheci.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Ciranda da Madrugada. Sem versos.
Eu não podia me machucar. Então, eu juntei na mente todos os pensamentos pervertidos que eu era capaz de pensar. E me masturbei, como sempre faço quando me contam uma coisa importante. A verdade é que eu queria chorar, me machucar, ou como aquela moça do filme que eu vi hoje, apenas ser tocada. Ser vista. Você veio me atravessando feito uma espada, com os teus segredos absurdos e eu novamente me senti como se não tivesse poder nem sobre a vida de uma maldita formiga. E aí, eu me contorci no meio do sofá, até esquecer do que era tudo isso e de como eu não queria nunca mais ouvir as palavras sujas que sempre saíram da tua boca. Você provavelmente foi a primeira pessoa que me fez sentir amada, depois de tanto tempo em cativeiro. Eu vivia nas trevas, e você me mostrou o vermelho da vida do lado de fora. Em seus cigarros e sua vida borderline, você foi me ensinando tudo que eu não sabia sobre ser, sobre existir. Até que eu pensasse que não existia mais sem te ter. Seus poemas, suas canções e tudo que te dizia respeito me queimou a carne, e logo eu ardia em estar acompanhada. A vida não era nada, absolutamente nada sem você. Eu ando perdida, ainda. Você sabe. Eu quero parar com os teus cigarros, mas fujo e me intoxico de você. Agora eu tenho outros, acumulados pela minha estrada. Mas se tudo que tenho fosse um perfume, o que eles chamam de tema seria você. Essa consciência não me resgata de lugar algum, mas o silêncio, o silêncio que me amordaça todas as manhãs deve ser ameaçado. Devo gritar de volta, ofegar, fazer barulho enquanto sufocada. Quero o meu ar, quero viver, quero existir além do todo que te fui. Você foi quem me ensinou como se amava, mas hoje, hoje não sei amar. Não posso amar ninguém sem desejar a morte, sem saboreá-la como se já tivesse chegado lá. Eu fecho meus olhos, meu corpo não é suficiente, minha voz não é suficiente. Nada é. Eu preciso queimar, queimar até me compreender.
domingo, 31 de janeiro de 2016
Ebulição
Ela disse que eu estava chorando
Eu respondi que não
Era mentira
Eu estava chorando
Da minha maneira
Com um cigarro na boca
Cantando
Para o cachorro mais lindo que eu já vi
Não ia fazer sentido pra ela
Eu disse a ele que iria embora
E ele espirrou
Mas quando eu cantei, ele parou
E eu percebi mais uma vez
Como que cantar é amor em forma de som
Mas eu dizia adeus
Eu estou dizendo adeus
Até a próxima vida,
Daqui a um ano inteiro
Eu canto e queria estar em silêncio
Abraçada não com o cachorro ou com ela
Queria estar abraçada com ele,
Com a lua
Com a outra metade de mim
Sinto vontade de despejar
Uma ou duas lágrimas
Mas não posso
Sou triste e sou seca
Eu choro pela fumaça
Que sai do fundo de mim
Meio centímetro
Com o teu isqueiro
Enquanto você dormia
Eu queria estar na tua cama
Eu queria estar dentro de ti
Desde que cantamos
Aquela música sobre cocaína
Eu queria estar mais apertada
Só um pouco mais
Para espremer
Eu queria ficar aqui
Mas tudo daria errado
E eu nunca seria eu
Eu nunca seria eu
Perto de você
Impermanência e paralelismo
Preto, como só você consegue ser
Profundo em meu pulmão
Me sufocando a cada gargalhada
E quando mais chapada eu fico
Mais te amo
Isso nem faz sentido
Meu amigo, meu amor
Depois de tudo que passamos
Eu continuo voltando no tempo
Eu continuo me encolhendo
Virada pra parede
Eu ainda tenho sede
De te encontrar
Na ponta dos meus dedos, pretos
Mergulhados no teu esmalte
No teu caos
Na tua insubordinação e arrogância
E quando eu me desmancho em risos
Aquela tosse vem
Como se fosse um castigo dos céus
Ninguém te conhece
Como um dia eu te conheci
Eu fecho meus olhos e abro
Já passaram 10 horas
E eu estou pesada
Me arrasto pela casa
Consciente de que vou embora
Está na hora
De te dizer adeus
Mas em todo fim de eclipse
Todas as vezes em que nós morremos
Eu sei que é só uma questão de tempo
Até eu te tocar de novo
E doer até me questionar
Sobre quem sou
A lua nunca poderia alcançar o sol
De maneira alguma
Portanto, estão ambos
Perpetuamente imunes um ao outro
Não importa quantas vezes eu tenho vontade de chorar
Ou quantas vezes eu pinto minhas unhas de preto
Também não importa
A quantidade de drogas que eu ingeri
Eu estou aqui, agora
E está na hora de ir
Enquanto você dorme,
A única verdade que me resta é essa:
Eu sempre vou poder escrever sobre você
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Sobre as drogas e tu
Eu quero ser fraca.
Não quero resistir a coisa alguma
Não quero ficar mal,
Quero estar sempre aqui no ar,
Quero me jogar e esperar a queda
Que chegue
Que chegue o chão
Eu quero ser fraca
Esperar os passos virem por cima
Me atravessarem
Para amaciar a carne
Quero me apaixonar
Pelo poste em curto circuito
Quero tudo gratuito
Para acelerar o tempo
Que chegue ao chão
E amacie as minhas costelas
Se o oxigênio não bastar
Tudo mais especial
Planejado
Deixo um recado aqui pra ti
Te amei sempre que te vi
E ao meu outro
São assassinos
Meninos
Que me moram já
Não fujo de nada
Não me aguento
Sou bem fraca
Para não te pensar
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Espelho duplo
Em todas as vezes que eu te disse pra parar,
Em todas as vezes que eu te pedi pra ficar,
Nos meus olhos assustados
E nos meus dedos aflitos,
No meu silêncio sem fim
E nas lágrimas que derramei,
Nos infinitos vôos que peguei
Pensando sempre em você;
Nas ruas angustiadas que percorri,
Nos cigarros que fumei, e então aboli,
Nas músicas que escutei,
Enquanto me apunhalava por dentro,
No meu filme preferido
Que era você em carne e osso
Em versão feminina,
Naquele desenho feito em Santa Catarina,
Sobre o qual nunca te falei;
Sob o sol que me ardia a pele
Ou sob a água que me afogava,
Sob os machucados que não sentia
E sob o teu calor que me aliviava,
Sob o fogo e sob a terra,
Dentro da esfera do mundo,
De tudo, de mim,
Amei você.
Nos textos que não te escrevi,
Porque doía demais,
Nas palavras que não te disse,
Por não suportar minha própria voz,
Em Maysa e Lana, que me punham pra dormir,
Em Jeffree e Ana, que nos traziam de volta,
Em todas as coisas que foram,
Que eu nunca soube mentir,
Amei você.
Nos lábios que cerrei irada,
Nos pisos em que me atirei
- gritava -
Jurei que nunca mais te amava,
Mas nunca pude deixar de ser amada.
Te olhei,
Com olhos de nunca antes,
Toquei
O que restava da tua sombra no meu ar,
Pensei
Que a minha dor agora não era nada,
E desavisada
Te amei,
Como sempre tinha amado antes,
Talvez não soubesse,
Como sempre negava,
Que fosse sempre eu;
Amando você.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Depression task
I'm tired of "you're he only one who knows"
You once told me a secret
The worst secret anyone could tell
You gave me this sick gift
I thought it would make me special
But it never did
It's not like you intentionally wanted
To make me feel so bad
I told you I loved you so
But I could never predict
That it would end up like this
You get my hands dirty
I don't wanna know your secrets anymore
I don't wanna touch you
I don't wanna se you
I have to vanish my soul
Everytime I say hello
And that kills me
Because I know I will
Eventually
Really hurt you
And I don't mean to be mean
I'm just too tired
Too sad, too sick, too nauseated
I'm overwhelmed
And you never knew the consequences
On your acts
Or you never actually cared
While I forget who you are
And I often do
I keep loosing myself
On my way to home
I don't who I am
Or where am I
You make me lost and sad
I can't handle this
In fact, I can, but I don't want to
I wanna go home, be safe
I wanna be away
From you
terça-feira, 3 de novembro de 2015
A insuportabilidade do traidor por perto
Não fuma, não bebe, não foge.
Para de fugir. Para.
Nem o corpo dele importa mais.
Não deixa o menino te pegar, Emily.
Não deixa o bicho papão chegar aqui.
Vai dormir.
Descansa, pinta sua mandala, vai pra aula.
Prepara a fantasia e o quadro,
Sai dessa internet.
Você tá tão desesperada pra falar com os teus amigos.
Você abandonou todos eles, não foi?
Mas eu os amo.
Eu quero falar com eles.
Mas por outro lado, quero ficar em paz.
Vamos lá, um pouco mais,
Verdades frias na tábua.
Falar com esse garoto me irrita.
Me desespera, incomoda.
Ele só faz ir embora, todas as vezes.
Tudo que ele me fala é sobre ir embora.
Como se ele estivesse num interminável
Processo de morte.
Ele morre, morre, morre todos os dias.
Me incomoda. Atormenta.
Eu não quero assistir.
Ele me convida, eu vou.
Ele sugere, eu topo.
Ele pergunta, eu concordo.
Mas eu não suporto, eu não suporto.
É como se esticássemos um fim
Que já acabou há anos.
Por que eu estou fazendo essa caridade falsa e suja?
Por que eu não falo logo a verdade e acabo com isso?
Eu não quero matá-lo,
Eu não quero provocar-lhe dor.
Eu só quero ficar longe todas as vezes possíveis.
Dele e seus cigarros, dele e seus tormentos,
Dele e seus desesperos, corpos, imagens.
Eu não sei o que fazer.
Ele é um mau presságio.
Ele não sabe, mas agora sinto
Que todas as vezes que eu precisar tocá-lo
Eu terei que estar minimamente alta,
Para não querer me matar
É como se fosse tóxico
Se eu o encosto, morro
Definho, apodreço, pereço
Isso já nem faz mais sentido
Traição, será?
Quando tempo leva até você perceber
Que eventualmente você vai embora
Que isso já começou faz tempo, tua partida
Talvez já tenha notado, talvez apenas ignore
Isso me machuca
Você logo vai embora de vez
E vai doer mas eu quase não vou sentir
Porque quando você me matou
Eu virei um monstro
O bicho-papão em mim agora existe
Agora pode
E eu não posso com ele
Eu preciso que ele durma
Então vamos dormir
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Religion
Was to survive
I was once so depressed
And I knew I was so close to death
I asked for help
They saved me
My second pray
Was to forget
Of a devil girl
That never was a devil
And still would make me
Want to kill myself
Once I was free
I didn't love her anymore
And she missed me
The third pray I had to make
Was to let go
The first boy
That really cared about me
Once I felt
What love should feel like
All over my body
When he was gone,
Because I knew
That I would never belong to him
I missed him so much
And at this time
He belonged to her
And she, to him
I left him go
And we had sex last month
He doensn't hurt me anymore
He never will
The fourth pray
The purest pray I ever had to pray
Was for this boy
He'd been a part of me for so long
I gave him my soul
I would always belong to him
And I knew it
Once I felt
Someone had finally killed me
I was so scared
But I was so close to the truth
Like I'd never be again
And it was good
He laughs to me today
He'll always be mine
We're great
And I never want to suicide again
My fifth pray
The most hopeful
The most religious
The most loveful pray
I ever decided to make
I call today Peter
This is the first pray
That had the liberty
Of choosing it's own name
And it's a beautiful name, Peter
None of other prays
Could make me feel so safe
Before I start to sing
In my every single morning
None of other prays
Would make me feel
I love myself
Once I was me
And I really wanted to be who I was
Today, future speaks to me
And I pray everynight
Before I fall asleep
I say
I love Peter
That's my pray
I love life
Tomorrow will be a wonderful day