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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Shared Trauma

Respiro a dor dele
Veneno vaporizado
Queria que me partisse
Em duas,
Com seu pedaço de carne
Fizesse em mim
O que tem feito nas outras
Não há nada mais sagrado
E mais conectivo
Do que a dor

Mesmo sangue ácido
Nas veias
Mesmo passado instável
Inconsolável
Mesma vontade pulsante
De violência
Herdeiros
Da mesma maldição.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Les Intouchables

I can't touch you
Because every sin I have
Remains on you

Não posso tocar-te
Dos meus cílios
Aos calcanhares gastos

De meus seios
Ao espírito que anseia
Pelo conforto breve 
Dos teus braços

Não posso tocar-te
Tua inocência me atenta
À minha malícia crua
Insaciável

E à minha depreciação
Nada saudável
Da minha pele
Percorrida por teus lábios:
Ilusão

Não posso tocar-te
Sem alguém
A quem confessar meus crimes
Sem descanso
Ao meu tormento sem fim
Sem suficientes enganos
Para calar-te em mim

Não posso tocar-te
Porque tua voz oscila
E tua personalidade
Ainda dista da minha realidade

Sobre teus pés descalços
E sobre a tua camiseta jogada,
Quanto aos teus movimentos
E olhar impaciente sobre mim,

Insisto:
Não posso tocar-te
Para que não me enxergues assim
Para que eu mal exista
Para que eu não chegue ao fim

Não posso tocar-te
Nem em minhas poesias
Em minhas folhas vazias
Ou mãos desamparadas pelo ar

Não,
Não posso te tocar
Me repreendo agora
E mais um pouco
Não importa o quanto
Não é hora, agora,
Não posso,
Não

Não posso tocar-te
Não sou tua
Não és meu
Não somos ninguém
Sequer nos conhecemos

Sangue do sangue
De lá, de cá
Não posso tocar
O que nos toca
No mesmo lugar

sábado, 26 de dezembro de 2015

Safe and Warm

Às vezes, tenho a impressão
De que todas as conexões que faço
Com pessoas diversas
São mais momentos que de fato encontros.
Não posso repeti-los,
Tocá-los, ou sequer lembrar-me bem
Dos sentimentos que vivo.
Uma eterna espera por alimento,
Morta-viva, sub-humana.

Eu estou exausta e me arrasto pela casa.
Nauseada com meus feitos, me estiro na cama.
E entre todas as pessoas, mesmo Peter,
Eu não deveria sentir falta dele. Nunca.

Coleciono razões,
Como se me fossem necessárias.
Sinto uma saudade imensa
De um abraço molhado de 90 segundos.

Se o meu natal valeu a pena só por isso,
Quem será que eu sou?
O que faço aqui, afinal?

Notifiquei, confessei
Que é por isso que vivo.
Sou boa em dizer coisas,
Mas não em me por na vitrine.
Doi ficar exposta
Aos que não me sabem cuidar.

Um pano quente
Pra cobrir o inverno da alma
E fazer derreter um pouco
Essa nevasca.
Um breve tempo
Pra esquecer de todo o resto
E lembrar que ainda dá tempo
De ser amada.

Deve ser por aí, não sei.
Esperança, esperança e lágrimas.

Uma noite mal dormida, ansiedade,
Um pouco de remorso e leve aflição.

Não importa, vou continuar tentando,
Chorando todos os dias, fiel a mim,
Me arrastando o asfalto do olhar alheio.
Tentando um pouco mais disso,
Um pouco mais daquelas cobertas
Forradas no chão descuidadamente.