segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Tão triste siesta da madrugada
Eu vou e venho
Com minhas panturrilhas estilhaçadas
Esse cansaço não me serve de coisa alguma
Universo, achei que eu e você
Tivéssemos um acordo
Quer dizer,
Quando se trata dele eu ainda entendo
Em um momento penso tal coisa
No outro já muda totalmente
Mas entendo
Pela explicação mais razoável
Apenas ele
Se pá
Aquele outro
Que antes costumava me fazer tão bem
Universo,
Só lhe restam doze dias
O que é possível fazer com isto?
Te apresse
Não entendo as outras duas
De que me servem
São pra equilibrar o karma?
Ou pra me lembrar que o agora
É sempre agora
E em breve não mais será?
Ora,
Que vazio imenso sinto
Que tristeza ampla
Porque voltou o menino
E terminou as coisas
Quando me disse em tom de recomeço
Que estaria aqui na amizade
Não mais vai me doer
É verdade
Mas como é triste,
Se é,
Não poder amar
E o que ele me disse
Sempre lembrando
Sou boa quando desamo
Todos acham
Não me suporto em tamanha ausência
Absence, absence
Odeio esta falta de esperança
Vamos lá, universo,
Me ajude
Por favor
Eu não aguento mais isto
Todos eles
Todos eles
Eu não
Por que não?
Por que não?
Me olha universo
Não me esquece aqui
domingo, 2 de agosto de 2015
Desconfiança
Já deixaste o teu recado
Já me deste de bom grado
Aquele velho pacote de incertezas
E mesmo que a tristeza seja mansa
Já trazes o mesmo prato de sempre
Eu entendo quase tudo que pretendes
E ainda encho minha jarra de cevada
Eu já não me reconheço em rosto quente
Aquela que nunca bebia por nada
Eu abro todas as vias
Tento confiar na minha antiga armadura
Me lembro de que este medo é o que perdura
Mas no fim da conta as noites nem são frias
Espero ansiosa
Escuto o pendular na hora na mente
Sei que quando somes, finges que nem sentes
Sei que este é o novo provisório
Ande,
Que desta vez eu tenho horário
São treze dias deste relicário
Andes, antes que eu me desfaça de vez
Amanhã não serás mais tão cortês
Não o esperava desta forma
Mas acho que irei dormir antes das três
Rédeas, cordinhas, cílios
Eu vejo competições
Que não sei se existem
Mais organização,
Maior esforço
Enxergo intenções
Que as pessoas não percebem
Em suas atitudes rasas
Às vezes
Sou um tanto arrogante
Às vezes
Tomo as rédeas de tudo
E como esperado
Tropeço em todas as coisas tropeçáveis
Vou dormir tarde
Com passos atrás
Outros na frente
E um futuro um tanto perdido
Me sinto insegura
Na mesma falta de sempre
Se tivesse aquela pessoa
Com aquele discurso
Eu saberia vencer tudo
Não me convenço
Não me confio
Não acredito nesse futuro incerto
Estou exausta
Trabalho inútil feito
Adormeço
sábado, 1 de agosto de 2015
Regresso
Escuta o povo rindo
Escuta aqueles poucos gritando
Escuta eles me dizendo que estou ficando louca
Não posso
Não posso com tamanha chantagem
Ignorar a tua imagem
Se ela continua minha todos os dias
Minha lembrança
Minha vontade
Mas e se tu vais embora?
Eu não sei lidar
Com tanta incerteza dos dois lados
Eu nasci para terra
E não para mar ou fogo
Lua em virgem
Só desejo aquilo que permanece
E mesmo o que muda todos os dias
Eu aceito em determinado modo
Mas não o que se ausenta
Não suporto ausências
Eu só consigo manter
O que permanece
Mas, vamos lá.
Não é tu que gosta dos segredos?
Bem, será agora meu segredinho
Não abrirei a boca a este respeito
A nenhuma alma viva
Devo falar aqui
Ou em nome falso
Em algum outro espaço
Dou um passo pra trás
Só de dizer me assusta
Só de dizer machuca
Mas não sou dona de mim
Todos o sabem
Não um pedido de desculpas, não uma arrogância muito grande
Dentre os sentimentos ruins que tu me traz.
Talvez eu tenha em mim
Esse clássico ferrão do escorpião
Essa compulsão por ser vingada
Mas não é disso que costumo me alimentar
Eu vivo de crenças e reflexões internas
E quando não, de outras bobagens
Com as quais poucos se importam
Mas a verdade
É que quando me doi a carne acesa
Em fogo forte,
Tendo sempre um espectador
Bem posto à minha frente,
Eu tendo a exigir justiça
Nem sempre através da dor alheia
O desequilíbrio entre dois polos
Nunca é certo
O que segue, se doi
Precisa ser compreendido
Precisa ser aceito
Pra se recompor
Para seguir em frente
Um, quatorze, oito
Vislumbrando o meu futuro
Quase certo, mais distante
Em um ou dois anos,
Talvez na direção oposta
Eu não sei se estou mesmo disposta
A fazê-lo mudar pro lado certo
Observo a minha velha nudez de sábado
As faltosas doze horas dormidas
Uma sede, que não se explica em ressaca
Uma fome, que não se esvai em comida
Se eu soubesse ao menos
Como me livrar dessa bendita dor nas costas
Se eu tivesse o mínimo
De vontade de me pôr debaixo do chuveiro
Talvez se a casa não fosse apenas minha
Eu seguisse o trajeto,
Que talvez o universo quer que eu siga
O que foi que eu esqueci de notar,
Querido céu?
Ou será mar, de onde vem toda essa carga?
Porque perder a bolsa é fato
Porque sair de casa é gesto
Porque ver surgir de lá e cá
Esses fantasmas
Não pode ser coincidência
Depois de tanta conversa sobre a vida
Eu já não me lembro daquela recente ferida
Tento me importar com que me importa
Tento me impedir de acabar morta
No meu próprio quarto
Talvez a minha fé seja maldita
Talvez eu espere do mundo
Um pouco além do que eu deveria
Talvez seja arrogância minha
Querer saber antes de realizar
É apenas sábado
Eu tenho direito a um pouco de descanso
Eu me dei isso
É apenas sábado
Eu ainda estou de férias,
Espero que não por pouco tempo
Ainda hoje, sábado
Eu prometo
Hei de pesquisar o que se deve
Entrar em contato
Querer saber sobre o que preciso
Hoje é dia primeiro
Faltam catorze dias
Acho que eu mudei antes da hora
Acho que eu não estou pronta
Pro novo ritual de todo ano
E os adicionais
A acrescentar tenho questionamentos
Primeiro sobre o porque de definir-se tanto assim
Numa notável falta de caráter
Se nenhuma pessoa já é tão má
Que não se possa fazer em atitudes hoje
Segundo sobre tamanhos ciúmes
Absurdos e inconsoláveis
Que se fazem desnecessários prontamente
E em terceiro
O que nunca compreendo acima de tudo
Qual é a chave que te prende atrás
Deste enorme portão chamado metáfora
Como te arrancar desta farsa
E te por frente a frente, como o tal adulto que és?
Sobre os acertos e erros
Tens breve razão
Quando afirmas que não te supero
Quando te converso, reflexo
Na superfície do mar
Ainda te quero
Mesmo com tudo que me doa
Ainda te espero
Mesmo sabendo
Que faz tempo abri mão
Do perdão alheio pela alma tua
Eu te perdoo
Se me provares que acredita de fato
No que acredito mais que todo o resto
Não falo de amor, palavras fúteis, nada eterno
Falo do que existe dentro, humanidade
O que é tu e eu, a consciência
A noção clara e profunda
De ambos os lados da moeda
E mais que isso a escolha do lado certo a seguir
Se ainda não é claro,
Eu escolho viver
Eu escolhi pela primeira vez
E venho desde então todos os dias
Se tu não fores por lá,
Nós não iremos
Vou só, se for preciso
Hei de catar uns condenados no caminho
Há mais miséria nos seres que se espera
Há mais tesouro nas almas que se enxerga
Sei que em ti, ambos existem
Mas todo livre arbítrio
já distorce a minha fé inconformada
Não te sou
Há textos que não te pertencem
Há versos que me arrancaste à força
E ainda doem
Há algo por ti que não se explica ou se cura
Mas futuros não nascem disto