sábado, 22 de março de 2025

Confissão

Algumas vezes,
Ninguém é culpado
Ainda doi e sangra,
Ainda espirra no carpete
Ainda a mancha alastra
Sem diluir-se
Não é sempre, mas, às vezes
A culpa não vem
De quem está ao seu lado
Ou de você, às vezes sim, mas
Talvez antes, muito antes
De todos os envolvidos;
Ou sob efeito
De uma fonte anônima
Uma frequência não conhecida
Como a cor rosa,
Desabrocha o fogo
Espetacularmente
E vê-se a olho nu
O que nunca esteve ali de fato
Às vezes não há fatos para observar
Ou culpa para absorver 
Mas
Ainda penetra o cheiro 
Pelos seus poros
Ainda zune seus ouvidos
Atordoantemente
Ainda borra as luzes
Ao redor
E ensina a sua íris
Como desligar-se dos sons
Aos tímpanos como esconder sabores
E à derme
A promover uma montanha-russa
Questionável
Diante dos mais
Incoerentes sinais

Antes mesmo que o conflito comece
Que haja tema
Que bocas se abram
Que passos sejam dados
Pratos atirados
Às vezes
Não existe culpa
Ou nomes para preencher assinatura
Mas
Ainda há um assassinato

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