É um disfarce muito atento,
Que odeio e que não lembro,
Um segredo e quem eu desejava ser;
Não é um poema, é um trauma,
Quando estive em mãos erradas,
Quando nem me procurava,
E nem me sabia ver;
Não é um pedido, é uma carta
Para mim e para ela,
Que bem antes da aquarela,
Me mostrou o que eu viria a esquecer;
Não é um poema, é um dardo,
Um diário e um retrato,
Como um mapa perfurado,
Que não sei onde já fui;
Não é um desejo, é história,
Que me escapa da memória,
Que escrevi pelos meus braços
Que o sol me apagou;
Não é um poema, nunca foi,
Nunca seria,
Escrevi o que sentia,
Porque não tinha ninguém pra escutar;
E afinal,
Mesmo não sendo um poema,
Eu leio e te amo inteira,
Cabo a rabo, ponto e traço,
E te conheço aos poucos,
Um livro infinito, meu favorito,
O mais bonito,
E o único capaz de me compreender.
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