Como se eu fosse um tambor;
Uma mão tenta me apagar,
A outra cava mais fundo;
Eu me percebo a esmo;
O mar me leva e me joga na areia;
Eu sinto falta do cheiro de sal
E do gosto de ferro;
O teto ameaça demolição;
A ferrugem corroi tudo;
Eu bebo água como um peixe,
Mas não respiro melhor;
Não sei se é falta ou excesso,
Mas não passo no teste;
E o disco arranha,
Fazendo saltar a agulha;
O deslizamento é brutal;
As vidas são contadas;
Quem sobrevive
Num mundo em desmoronamento?
Uma bala para salivar,
Outra garrafa de um litro e meio;
O fígado estaciona em fila dupla;
Apetite deixa a desejar;
No compasso desse fim profético,
As marés oscilam,
Sem conhecer a lua;
E dentro do breu de meus olhos,
Eu tento com toda a força
Escutar o silêncio.
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