Ele se chamava Gabriel, e era um pouco mais velho.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Sobre dois irmãos apaixonados.
O hímen da pobrezinha foi dilacerado tão cedo... E ela o amava como nenhum adulto seria capaz de amar. E ele a amava... Como se pode amar uma criança vulnerável e submetida. Ele era bom com ela. A machucava e acariciava. Era um bom irmão. Cuidava sempre dela e sempre brincava das brincadeiras que ela gostava. Estava sempre ali. Doía. Doía nos dois de forma diferente. Às vezes ele pensava em matá-la, como qualquer outro amante pensa de vez em quando. Não teria coragem. Especialmente quando ela saía do banho com a toalhinha de capuz e dizendo que tinha frio. Ele a abraçava e sentia o cheiro do seu shampoo da Barbie. Não podia amar ninguém mais do que a ela. Beijava sua testa e a vestia. Dilacerada e doce. Como todas as moças que valem a pena. Como todas as mulheres pelas quais morreríamos.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
E como a lua, ela tinha suas fases... Só que eu também nunca entendi as fases da lua.
Miguel, sobre Talita.
Fui, suja.
- Vá, puta.
Os olhos dele me percorriam enojados.
- E se eu ficar? O que você vai fazer?
- Se você ficar, eu vou.
- E me deixar aqui sozinha?
- Exatamente.
- E você teria coragem?
- Claro que sim.
- Disse que não viveria sem mim.
- Eu tenho ela.
- Claro que tem. E não precisa de mais nada. Posso até me matar...
- Não faça isso.
- E por que não? Nem sei como eu vou viver longe de você. Eu nem mereço...
- Não seja tão dramática!
- Tudo bem, não serei. Rocha gélida, é como você gosta, não é? Eu sou insuportável e repulsiva. Meu calor é condenável. Sou uma puta.
- Não gosto quando você é fria, você sabe disso.
- De que me importa o que você gosta? Você nem se importa comigo!
- Eu me importo...
- Lá vem você com suas mentiras. Por que não diz logo que tem nojo de mim? Devia era me matar...
- Você me cansa.
- Enfim, uma verdade! Estou mais suja do que estava antes...
- Por quê?
- Você me despreza porque eu sou uma puta. Porque eu gosto da dor e das coisas ruins. Você me considera inferior. Você me odeia. Não sou gostosa o suficiente... Arg! Como eu odeio você!
- Eu não te odeio.
- Mas eu te odeio! E não acredito em você. Queria que você morresse. Queria te matar com minhas próprias mãos!
Minhas mãos foram por impulso autônomo ao pescoço dele. Apertaram assassinas até que eu recuperasse a minha consciência moral.
Fui embora.
Foi uma pena ele não ter morrido. Continuei ninfomaníaca e suja.
Os olhos dele me percorriam enojados.
- E se eu ficar? O que você vai fazer?
- Se você ficar, eu vou.
- E me deixar aqui sozinha?
- Exatamente.
- E você teria coragem?
- Claro que sim.
- Disse que não viveria sem mim.
- Eu tenho ela.
- Claro que tem. E não precisa de mais nada. Posso até me matar...
- Não faça isso.
- E por que não? Nem sei como eu vou viver longe de você. Eu nem mereço...
- Não seja tão dramática!
- Tudo bem, não serei. Rocha gélida, é como você gosta, não é? Eu sou insuportável e repulsiva. Meu calor é condenável. Sou uma puta.
- Não gosto quando você é fria, você sabe disso.
- De que me importa o que você gosta? Você nem se importa comigo!
- Eu me importo...
- Lá vem você com suas mentiras. Por que não diz logo que tem nojo de mim? Devia era me matar...
- Você me cansa.
- Enfim, uma verdade! Estou mais suja do que estava antes...
- Por quê?
- Você me despreza porque eu sou uma puta. Porque eu gosto da dor e das coisas ruins. Você me considera inferior. Você me odeia. Não sou gostosa o suficiente... Arg! Como eu odeio você!
- Eu não te odeio.
- Mas eu te odeio! E não acredito em você. Queria que você morresse. Queria te matar com minhas próprias mãos!
Minhas mãos foram por impulso autônomo ao pescoço dele. Apertaram assassinas até que eu recuperasse a minha consciência moral.
Fui embora.
Foi uma pena ele não ter morrido. Continuei ninfomaníaca e suja.
domingo, 4 de agosto de 2013
sábado, 3 de agosto de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Carta a Miguel n°4
O que eu queria te dizer.
Se possível, ainda hoje.
Querido Miguel, poderia chamá-lo de meu amante fixo. Os outros não são. E honestamente, não possuo nenhum carinho especial por nenhum deles, nem mesmo pelas maravilhosas mulheres. Imaculadas. Meu querido iludido, acho que eu devia te lembrar que eu não sou sua. E a cada vez que você sente minha falta, pode ter certeza, estou transando com alguém. E talvez não seja um só. Querido masoquista, eu sou uma puta. E bem mais fodida (um pouco literalmente) que você. Talvez esteja em tempo de você dar no pé. E tá pensando nisso já faz um tempo, não é? Amor, eu sou uma puta mesmo. Eu ando por aí dizendo que quero ser estuprada, e quem sabe um dia eu consigo, não é? Estou atraindo confusão, e isso não é novidade. Nunca estou fodida o suficiente. Porra, amor, eu sou uma masoquista ninfomaníaca, e o que você vai fazer a respeito? Se salva logo, tira o teu da reta. Você vai cuidar de mim se eu me machucar? Mas eu peço tanto... Você podia me quebrar todinha. Ou me matar. Me mate apaixonadamente, todas nós sonhamos com isso. Meu amor, eu ando por aí traindo todo mundo, vomitando compromissos e extraindo meu sangue. Filtrando a fumaça em meus pulmões nada novinhos. E também nos seus, amor, eu gosto disso. Sempre que te vejo sendo igual a mim, chego perto de um orgasmo emocional. Gosto de te machucar, e gosto de como se contorce quando te seguro pra te cravar as unhas, ou te estrangular. Gosto da ideia de te sufocar, e você não faz ideia. Meu anjinho, eu tenho um ódio voraz de você. Ou seria um amor agressivo? Não consigo pensar em não te machucar quando estou perto de você. A menos que já esteja me machucando, você sabe... Não é à toa que eu coloco suas mãos em meu pescoço e adoto a postura de submissa. "Por favor... Eu preciso ser machucada." Falo baixo, com a voz doce. Tão vulnerável quanto uma garotinha de 3 anos de idade. Meu amor, há algo errado. Eu sou muito errada para estar ao seu lado. Para já ter estado com você algum dia. Amor, eu sou uma puta, eu sou uma puta. Uma puta suja e deprimente. Fuja, amor. Me deixe morrer sozinha. Cortar os pulsos... Queimar a alma. Já sou toda podre amor, vá enquanto é cedo.P.S. Passarei a noite fora, e talvez toda a semana. Estarei em qualquer beco por aí. Se cuida.
Da nunca sua, intoxicada Talita.


