terça-feira, 15 de julho de 2025
sábado, 21 de junho de 2014
Aviso prévio
- Você não entende. Eu não sou eu se eu não fizer essas coisas.
- Deixa de ser idiota. Nada disso vai te fazer mais feliz.
- E quem disse que eu quero ser feliz? Escuta, eu te amo. Mas eu não consigo viver essa vida, está bem? Essa não sou eu. Esses sorrisos, esse amor, essas margaridas e músicas alegres. Nada disso me pertence. EU NÃO AGUENTO VIVER ASSIM.
- E como você quer viver? Drogada na rua sendo fodida por qualquer um que passar? Sendo espancada, cuspida... ARG. Como você consegue aceitar isso para si, Talita?
- Porque eu sou essa pessoa. Eu já fui antes, e eu posso ser de novo.
- Mas você entende que eu não posso deixar você fazer isso?
- Você não vai ter que deixar. Não tem muito a ser feito. Eu vou acabar fugindo daqui. Admite, você sabia disso desde o início. Sabia que eu ia acabar fugindo.
- Detesto isso.
- O quê?
- Esse sentimento de incapacidade. Eu odeio. Odeio mais que tudo.
- Droga, Miguel. Eu não quero fazer isso pra te machucar. Ah, querido...
- Eu tenho o direito de ficar triste, não tenho?
- Tem, mas... Vem aqui. Fica aqui comigo. Eu não tenho escolha...
- Claro que tem, Ta!
- Não. Eu queria... Arg. Eu vou sentir sua falta. Não agora, mas vou.
- Se você fugir eu vou atrás de você.
- Eu não posso te impedir. Mas seria bom se não perdesse o seu tempo.
- Não vou saber viver sem você.
- O ser humano é capaz de coisas inacreditáveis.
- Eu consegui te encontrar.
- Você é um iludido. Mas eu gosto disso. Ai, meu deus, eu sou uma vadia sádica.
- Você pode ser o que quiser, eu ainda vou te amar. Ainda vou...
- Acho que eu também. Acho que eu vou te amar pra sempre, Miguel... Mesmo que eu nunca mais te veja.
- Como assim?
- Eu tô me despedindo. Mas não vou agora. De qualquer forma, adeus.
- Talita? O que é que você tá dizendo?
- Vai ficar tudo bem, eu prometo.
- Não vá.
- Boa noite, meu amor. Vamos dormir.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Breve resumo sobre um maremoto
Ela era um desses fenômenos estranhos que ninguém nunca entende realmente.
Ela brigaria com você sem nenhum motivo aparente, e depois te entregaria sorrisos de uma menininha de três anos, e você perderia a razão.
Ela tinha essa coisa, que fazia os adultos gostarem dela em maioria, mesmo fazendo tudo errado, mesmo não querendo nada com ninguém.
E viria saltitando, tropeçando em quem estivesse no caminho, pra cair ali num canto, e ficar por ali mesmo.
E jogaria a fumaça de seus pulmões pretos só na cara de quem ama, só pra pessoa ficar com o seu cheiro.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Como você se chama, Talita?
Me sento na janela, como ela tinha o costume de fazer. A noite é fria. Só tem eu aqui. Preciso lidar com essa ideia de que tudo que eu sabia sobre ela não é mais definitivo. Mais do que independente, agora ela é real. Ela tem o próprio nome, tem os próprios pais, o próprio útero e um amor cujo nome já deve ter sido escalado para representar seu redentor. Não consigo me dissociar da história, e um bom escritor talvez precise fazê-lo. Estou reamente muito só nessa noite de inverno.
Há uma espécie de fascinação desesperada. Uma vergonha de existir do lado dela. Um medo de que qualquer toque a desfaça em pó. Ela se diz forte. Talvez seja mesmo, mas até que ponto? Talvez ela seja mesmo corrosiva, como se diz, e como se dizia Talita. Talita, minha musa inspiradora. Não consigo mesmo agir normal ao lado dela. Eu tento. Não consigo não sentir essa coisa, esse sentimento de ter encontrado algo muito valioso. Eu fico a observando apavorada. E só de pensar nisso me arrepio, perco a fala. Já nem sei mais como se bombeia sangue ao resto do corpo. Como se aspira oxigênio.
Socorro, socorro. Eu queria beijar os pés dela. Mas se ela soubesse poderia ter medo, ou me pisar. Quem não gostaria de pisar em alguém que quer lamber seus pés, não é mesmo? E ainda sim eu sou capaz desse absurdo de esquecer de vez em quando das minhas vontades mais insanas. Aquele romance escrito em infinitos textos, em infinitos papeis. Ele me afoga.
Ela tem seus pulsos, Talita. Ela tem seus pais. Ela tem suas vontades, suas palavras. Ela tem o seu olhar. Ela tem o seu fogo, e a sua selvageria. Ela tem sua escuridão, e ela tem o seu passado. Ah, meu deus, Talita. Como é que eu vou resistir a essa história? Eu preciso estar ao lado dela. Como uma sombra estaria sempre ao lado de um assassino. Como uma sombra estaria sempre ao lado de um moribundo. A sombra não depende de nada para estar ali contigo. Ela só te segue a todo lugar. Incondicional. E... E eu quero escrever sobre ela. E ela gosta disso. Você vê que Miguel se perde nisso tudo? É impossível não reescrever mil maneiras de viver essa loucura.
Já me imaginei na cama com ela, Talita. Mas isso fica entre a gente, tudo bem? Isso é tudo uma grande bobagem sem tamanho. E eu me digo sempre pra fugir para bem longe, até desaparecer. Eu queria desaparecer. Eu estou com muito medo dela, Talita. Mas eu não tenho medo de você. Eu tenho muito medo de mim. E das minhas esperanças.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Tempestade
Era uma daquelas sextas-feiras tempestuosas, em que a libido dela se apresentava tão intensa quanto a água do lado de fora da janela. Até a maneira dela de se mover mudava. Seu tom de voz, seu ritmo. A chuva costumava provocar nela um efeito inacreditável. Ela ficava irresistivelmemte sedutora. E não precisava fazer muito. Era o prazer dela. Era como se ela vivesse em um orgasmo constante. Como se tudo fosse maravilhosamente prazeroso, e especialmente eu. Ela se encostava em mim, e dizia que me amava. O seu cheiro impregnando-se no meu corpo, na minha memória. A pele morena, sensível a toques, mas não a marcas. Os olhos castanhos e o seu olhar profundo, desafiador. Ela me olhava como quem estivesse beirando a morte, e me provocava como se isso a excitasse ainda mais. Os cabelos escuros cacheados e rebeldes. Ela não se importava se eles estavam arrumados, e tampouco se importava com o próprio comportamento. Seus cabelos eram a metáfora da sua liberdade. Suas curvas não eram nem de longe perfeitas, ou geométricas. Mas me instigavam a modelá-la como argila, acariciá-la... E quando eu a tocava, era como se nela algo se explodisse. Ela era um maremoto aprisionado num corpo irregular.
Ela não demorou muito a se tornar um monstro sexual naquela noite. Nada muito incomum. A adrenalina de estar ali com ela era insubstituível. Ela me esgotou e prosseguiu com toda a sua tempestade até se exaurir. Só tive forças para observá-la arrastando-se entre os lençois, satisfeita. Ela sorria. Seu sorriso era sublime. Declarou que precisava de um cigarro e foi buscá-lo em sua bolsa. Tragou-o como se a nicotina fosse o seu oxigênio. Até o final de seu cigarro ela me observava. E no final demonstrou um imenso desgosto por mim e pela vida. Disse que precisava ir e foi. E não voltou nunca mais.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Visita
- Vadia.
- O que foi que você...?!
- Vadia. Você é uma bela de uma vadia.
- Quem é você?
- Até parece que você não sabe. Pelo amor de deus, Talita.
- Desde quando você me chama pelo meu nome? O que aconteceu?
- Estou cansado.
- De quê?
- De você. Dos seus joguinhos, dos seus caprichos, dos seus sumiços. Dos seus serviços... De tudo.
- Entendo.
- Eu quero morrer, Talita.
- Eu também, querido. Eu também.
- Você nem se importa. Tá mais preocupada com a própria depressão do que com qualquer um no resto do mundo. Sempre egoísta, não é?
- Me desculpe.
- Não fale isso da boca pra fora! Sua falsa, fingida! Você sempre faz isso, não é? Chega aqui dizendo que sente minha falta, que se importa... Você só mente pra mim.
- Não existe verdade, você sabe...
- Por que você mente pra mim? Por quê, hein?
- Eu não tenho essa intenção, você sabe disso.
- Por que você sempre tem que voltar?
- Porque se eu não voltar, eu morro.
- Mentira.
- Não posso te convencer disso, mas é verdade.
- Você disse que não existem verdades.
- Eu digo muitas coisas contraditórias.
- Por que você vai?
- Porque ficar aqui me sufoca. Porque minha mente é agitada demais pra permitir que meu corpo more em um só lugar.Mas eu te amo. Eu te amo, juro que amo.
- Droga, garota. Eu te amo. Eu te odeio porque te amo. Eu me odeio porque te amo.
- Não se odeie, por favor.
- Então pare de fazer isso comigo.
- E se eu prometer que vou passar seis meses aqui?
- É confiável essa promessa?
- É. Sem fugas. Só não posso prometer que vai ser sem brigas.
- Seria bom. Só...
- Se eu precisar sair, eu juro que vou te avisar e explicar aonde eu vou.
- Eu queria que você não saísse nunca mais...
- Eu sei, querido, eu sei.
- Mas você não pode.
- Não.
- Eu te perdoo por me deixar aqui sozinho.
- Obrigada, meu amor.
domingo, 3 de novembro de 2013
Um não habitual.
- Eu já disse que te acho lindo?
Ele se distrai do que está fazendo e olha para ela.
- Não. Você acha?
- Acho. - ela dá uma tragada mais forte que o normal - Diria até que... Você meio que faz meu tipo.
- Não achei que você tivesse um tipo.
- Na verdade eu não gosto de me ligar muito nessa coisa de aparência... Mas eu sou atraída por garotos magros. De preferência com cara de dócil.
- Com cara de menina.
- É. Não me entenda mal, mas você tem cara de quem tem potencial pra ser submisso. Mas essa sua atitude é ainda melhor.
- Que atitude?
- Dominante. Suas palavras, suas ordens... Você sabe que eu não obedeço, mas adoro ouvir você mandar. É sexy.
- Ah, é?
- Aliás, você podia aproveitar pra me bater agora, né? Ou me foder.
- Você sabe que eu não vou fazer isso. Não agora, pelo menos.
- Sim, eu sei. Nem tão cedo. Eu... Ah, porra.
- Que foi?
- Nada. Esquece. Você tá ocupado.
- É, mas...
- Vá se foder.
- Aonde você vai?
- Vou fumar lá fora.
- Assim?
- É, assim. Aliás, vou pegar uma jaqueta que está frio lá fora.
- E se alguém fizer alguma coisa com você?
- Bom, pelo menos alguém vai fazer alguma coisa comigo. Ao contrário de você. Até mais tarde.
- Não!
Ela bate a porta e some na noite com seu maço de cigarros e isqueiro na mão. De lingerie preta rendada, uma jaqueta de couro preta, e uma sandália de dedo combinando. Completamente insandecida.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Talita being Talita
- Oi?
- E se você fosse meu assassino? Digo, como naqueles livros de serial killers, ou amantes obsessivos. Seria tão bonito...
- Eu não teria coragem.
- É, eu sei. Mas e se eu te obrigasse? Tipo colocar uma faca no seu pescoço e te mandar me matar?
- Você tá com aquele olhar de novo.
- Sei...
- ...
- Me mata?
- Não.
- Por favor.
- Não.
- Me mata!
- Não.
- Por que você é tão mau comigo?
- Eu poderia dizer o mesmo.
- Se eu sou assim tão má, você devia me matar.
- Não vou te matar, desiste.
- Então pelo menos me machuca.
- Vai se sentir melhor se eu te machucar?
- Vou. Bastante.
- Tá bom, então.
- ...
- ...
- Não vai me machucar?
- Podemos fumar um cigarro antes?
- Sim, podemos. Mas por quê?
- Não gosto de te machucar.
- Ah.
- Mas eu te amo.
- É.
- Muito, até.
- Não deveria.
- É, querida, eu sei.
- Cadê o cigarro?
domingo, 15 de setembro de 2013
A Miguel (5)
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
- Quanto tempo leva até você ir de novo?
- Esquece isso, amor...
A fumaça foi saindo entre as palavras, eu sabia que seria inútil o que quer que eu dissesse a ele.
- Quantas vezes você ainda vai me deixar até ir embora de vez?
Sempre odiei essas certezas súbitas dele. Ele tinha uma certa dificuldade para confiar em mim às vezes.
- Eu nunca vou te deixar de vez. Meu amor, eu volto sempre. Sempre vou voltar.
- Por que mente para mim?
- Eu não sou mentirosa. Todas as minhas incoerências são verdade.
Resolvi apelar. Ele estava deitado me observando. Sentei em cima dele e ofereci um trago. Queria que ele relaxasse. Era nosso momento, sabe? Ele aceitou.
- Sei dessas suas verdades.
- Eu apagaria esse cigarro na minha perna, mas acho que você não está no clima...
Olhei em seus olhos como faço quando quero hipnotizá-lo.
- Não, querida. Agora não...
Afundei suas unhas na minha coxa, apaguei o cigarro na beirada da cama. Ele gemeu.
- Você me ama?
Ele parecia não ter entendido muito bem. Esperei a resposta.
- Amo... Claro que amo. Sou seu escravo, você sabe...
- Meu escravo, é?
Levei minhas mãos ao seu pescoço. Seus olhos se arregalaram um pouco. Medo. Ele sempre teve medo de mim.
- É...
Sua voz era tão baixa que eu quase não pude ouvir.
- Então, querido. Quando a gente ama, a gente não abandona. Nunca. A gente só tira um tempo pra si mesma. Entende? Eu sempre vou voltar. Sempre. - segurei seu pescoço como um pouco mais de firmeza - Porque eu te amo.
A essa altura ele já não estava em condições de continuar mais conversa nenhuma.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
E como a lua, ela tinha suas fases... Só que eu também nunca entendi as fases da lua.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Carta a Miguel n°4
O que eu queria te dizer.
Se possível, ainda hoje.
Querido Miguel, poderia chamá-lo de meu amante fixo. Os outros não são. E honestamente, não possuo nenhum carinho especial por nenhum deles, nem mesmo pelas maravilhosas mulheres. Imaculadas. Meu querido iludido, acho que eu devia te lembrar que eu não sou sua. E a cada vez que você sente minha falta, pode ter certeza, estou transando com alguém. E talvez não seja um só. Querido masoquista, eu sou uma puta. E bem mais fodida (um pouco literalmente) que você. Talvez esteja em tempo de você dar no pé. E tá pensando nisso já faz um tempo, não é? Amor, eu sou uma puta mesmo. Eu ando por aí dizendo que quero ser estuprada, e quem sabe um dia eu consigo, não é? Estou atraindo confusão, e isso não é novidade. Nunca estou fodida o suficiente. Porra, amor, eu sou uma masoquista ninfomaníaca, e o que você vai fazer a respeito? Se salva logo, tira o teu da reta. Você vai cuidar de mim se eu me machucar? Mas eu peço tanto... Você podia me quebrar todinha. Ou me matar. Me mate apaixonadamente, todas nós sonhamos com isso. Meu amor, eu ando por aí traindo todo mundo, vomitando compromissos e extraindo meu sangue. Filtrando a fumaça em meus pulmões nada novinhos. E também nos seus, amor, eu gosto disso. Sempre que te vejo sendo igual a mim, chego perto de um orgasmo emocional. Gosto de te machucar, e gosto de como se contorce quando te seguro pra te cravar as unhas, ou te estrangular. Gosto da ideia de te sufocar, e você não faz ideia. Meu anjinho, eu tenho um ódio voraz de você. Ou seria um amor agressivo? Não consigo pensar em não te machucar quando estou perto de você. A menos que já esteja me machucando, você sabe... Não é à toa que eu coloco suas mãos em meu pescoço e adoto a postura de submissa. "Por favor... Eu preciso ser machucada." Falo baixo, com a voz doce. Tão vulnerável quanto uma garotinha de 3 anos de idade. Meu amor, há algo errado. Eu sou muito errada para estar ao seu lado. Para já ter estado com você algum dia. Amor, eu sou uma puta, eu sou uma puta. Uma puta suja e deprimente. Fuja, amor. Me deixe morrer sozinha. Cortar os pulsos... Queimar a alma. Já sou toda podre amor, vá enquanto é cedo.P.S. Passarei a noite fora, e talvez toda a semana. Estarei em qualquer beco por aí. Se cuida.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
A Miguel (3- só uma nota)
sábado, 20 de julho de 2013
A Miguel (2)
Amor, eu estou meio sozinha. Queria poder dizer que estou sozinha de verdade, mas não é justo. Apesar de sentir que todos estão sendo egoístas comigo. Ninguém me suporta. Ninguém aguenta minhas oscilações intermináveis de humor. Até meu slaaf teve o momento dele de não poder falar comigo. E eu tenho sido bem insuportável com ele. Até hoje. Hoje eu fui uma linda. E tenho quase certeza que ele me adorou em todos os momentos em que eu estive com ele. Mas... Você sabe. Ele não é você.
Me doi muito pensar que o único capaz de me "acalmar" não vai mais fazer isso. Eu gostava do cheiro dele. Gostava da temperatura da mão dele encostando em mim. E acho que gostava um pouco da proibição dele de fazer coisas comigo. Isso tornava o jogo interessante. Mas eu realmente vou sentir falta de certos momentos. Vou sentir muita falta. E todas as vezes que eu penso nisso me sinto desprezível por querer as mãos quentes dele em mim. Me sinto uma prostituta, uma ninfomaníaca, uma desalmada. Era tudo tão simples... Tem certas coisas que eu sei tornar simples como ninguém...
Querido, meus olhos estão cheios d'água. Eu queria que ele fosse como você. Acho que eu nunca vou te encontrar por aí. Mesmo sendo uma escritora tão boa. Mesmo sendo tão cheia de mim. Estou um pouco desesperançosa com o amor. Não posso viver de desesperança... Não... Posso. Estou chorando, meu amor.
Queria algo novo. Queria que os surtos parassem, mas não posso controla-los e não tenho no que pôr fé. Me sinto meio vazia, mas ainda espero que haja alguma coisa dentro de mim. Não sou boa o suficiente para ele, sabe. Para o endless screw. Talvez eu não seja boa pra ninguém. Ou talvez ninguém seja bom pra mim.
Estou feliz de ter você aqui dentro de mim. Estou feliz de ler esses livros com tanta dedicação, com tanto "amor". Mas não consigo deixar de ficar triste. O que eu faço agora? Se eu não posso fugir, aonde vou? Aonde posso ir se meus futuros são todos suicidas? Ah, querido... Eu te amo tanto. Pena que sua carne não está aqui pra acalmar a minha raiva. Pena que suas lágrimas não estão aqui pra me reconfortarem. Pena que você não está aqui comigo. Só dentro de mim. Estou só.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Dia ruim.
- É o que eu tenho por você.
- Não! O que é amor?!
- Eu não...
- Caralho, responde! O QUE É AMOR???
- Eu não sei!
- Como assim não sabe? Não foi você que disse que me amava?
- Eu não... Não sei explicar.
Ele abaixa a cabeça junto com o tom de voz. É um daqueles dias.
- É mentira, não é? Todas as vezes que disse que me amava. Você mentiu esse tempo todo.
- Não...
- Mas quer saber de uma coisa? Eu não te amo também não. É, eu também sei mentir. Eu só queria transar com você. Nunca me importei.
- Para...
- Estou cansada dessas mentiras todas! Tá na hora de falar a verdade, não acha? Cansei!
- Você sabe qual é a verdade, Ta.
- Claro que sei! E você também. Mas a gente insiste em jogar esse joguinho sujo e fingir que realmente gosta um do outro.
Ela abre a gaveta do móvel ao lado da cama.
- Sabe o que eu acho? Acho que o amor não existe! Todos mentiram pra mim. É só isso que todo mundo sabe fazer.
- O que você vai fazer...?
Ele olha pra faca na mão dela, preocupado.
Ela sobe em cima dele na cama e encosta a faca no pescoço dele.
- Vai ser amor se eu te matar agora? Vai ser amor se eu disser que foi pra te livrar de mim? Isso é amor?
- Ta, por favor...
Ele sussurra.
- E se eu resolver cortar outra coisa? Aqui? Seria amor?
Ela leva a faca até a altura da cintura dele.
Ele fecha os olhos.
- Está com medo de mim agora? Vai fugir? Vai fugir pra dentro da sua cabecinha fértil? É isso?
Ela passa a faca pelo rosto dele. Ele começa a chorar.
- Você é louca...
Ele soluça.
- Sou, e você já sabia disso. Por que não foge?
- Porque eu te amo...
- MENTIRA!
Ela levanta num salto da cama e começa a jogar a cabeça contra a parede violentamente.
- Ei!
Por acidente, ela faz um corte na mão e deixa a faca cair no chão.
- Ta... Ei, TA!
Ele levanta e vai correndo em direção a ela e à parede. A essa altura ela já está tonta de tanto bater a cabeça. Desnorteada.
- Para!
- Não!
Ela continua a bater a cabeça com mais força até ser puxada pra longe da parede.
- Me deixa!
- Não. Vem cá.
Ele a abraça com força e a aperta contra o próprio corpo.
- Por quê?
A voz dela agora é fraca, quase chorosa.
- Porque eu não gosto de te ver sofrer. Eu me preocupo. Isso é amor. E eu sei que você me ama também.
Ela crava as unhas nas costas dele.
- E amor é suportar a qualquer dor pra te salvar, Ta. Eu te amo. Eu te amo...
segunda-feira, 8 de julho de 2013
A Miguel.
Querido, queria você aqui. Te quero comigo. Na minha cama, no meu peito, na minha vida. Mas desconfio que meu lado mau não existe mais. E você, portanto, não deveria existir. Se soubesse como me faz falta... Talvez viesse correndo me ver. Cheirando a cigarro, me olhando triste. Eu te beijaria os lábios e a testa, e passaria a mão na sua nuca. Coisas que eu gosto de fazer, você sabe. E diria que eu te amo. Que eu vou amar pra sempre. Pra logo depois pensar que não sei bem se acredito mesmo nas minhas declarações. E por alguns segundos imaginar quanto tempo deve levar até que eu te esqueça, como eu fiz com todos eles. Como eu fiz com tudo. Acho que terei alzheimer um dia. Alzheimer do coração.
Querido, tenho medo da desesperança. Tenho medo de deixar de vez de acreditar no amor, pois é a única coisa na qual acredito. Tenho medo de desistir por medo de ser deixada como deixo. Por medo de deixar.
Acho que você existe pra me amar...
Miguel, o amor da minha vida. Eu deixei que ele escolhesse seu nome porque acho que foi ele que me fez viver de novo. E ele não é você, e ninguém mais é. Você é talvez o pedaço que me falta. Como diz o protagonista romântico do livro que eu tô lendo agora. Vi seu nome no livro, sabia? Até me distraí. Tive que recomeçar a leitura do parágrafo. Tem alguma coisa errada na minha vida. Tem que ter. Sempre tem. Mas ela parece tão perfeita quanto a de qualquer um pode ser. Acontece que eu não sou qualquer uma. E não quero uma vida perfeita. Ou quero?
Miguel querido, estou me perdendo de novo. Me salve no meu sonho onde eu fotografo os céus enquanto espero ser abraçada por trás. Me ajude a achar a minha adrenalina e recuperar a arte que me dá um talento suficiente para ser apreciado por mim mesma. Quero meus poros inquietos novamente como sob efeito daquela droga redonda e branca como porcelana. Quero o desespero de mergulhar no meu próprio lago coberto de musgo. Quero sentir que sou alguém. Como Talita.
Acho que a matei de verdade... Acho que a matei. Sinto saudade. Não sou mais ninguém sem você, querida. Não sou mais ninguém sem você, Miguel.
Me salve.
domingo, 7 de julho de 2013
.Amor.
- Não chegue perto - ela disse.
A voz dela era firme e levemente agressiva. Não o atingia. Ele mais que ninguém já estava habituado.
- Por quê? - ele permaneceu calmo.
Ela mostrou sutilmente a lâmina. Tinha algo escrito em seu braço esquerdo. Ele tentou ver, ela o escondeu.
- Não quero que veja. Saia!
Ele se aproximou até que pudesse ler. "Miguel".
- Você não vai me impedir!
Ele tomou a lâmina da mão dela, não sem antes cortar os próprios dedos tentando pegá-la.
- Por que você sempre interfere em tudo que eu faço?
Ela começou a chorar. Ele pôs os dois dedos que sangravam nos lábios molhados dela. Ela os lambeu.
- Eu te amo - ele explicou.
Os olhos dela se fecharam com força. Ela mordeu os dedos machucados. Beijou-os em seguida.
- Eu queria provar pra você. Pra não duvidar mais de mim. - a voz dela agora era agressiva e macabra.
Ela olhou no fundo de seus olhos.
- Ah, para com isso.
Ele pôs as duas mãos em seu pescoço.
- Hm... Ahr... Cof-cof.
Ele apertou com mais força.
- Eu te amo, Miguel.
Ela tentou o beijar. As mãos dele voltaram ao seu pescoço.
- Não seja estúpida. Eu amo você.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Ela
E a morte. Porque fugir da própria necessidade seria tudo. Ser livre, finalmente. Ela sempre foi boa. Todos sabem. Menos os pais, que não tiveram chance. Ou talvez soubessem... Talvez eles fossem bons também. Mas a maldade não passava de uma obsessão, um transtorno psicológico que a fazia se entregar a tudo na vida. E ela era feliz assim. Em alguns momentos. Ela diz muito sobre mim. Mas é só uma metáfora, como eu sempre faço. Porque ele é eu também. E os dois não são. As metáforas me embalam para dormir...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Eterna morte.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Janela Narcótica
- Amor, vem pra cama. Vem aqui ficar comigo.
Ela prende a respiração por alguns instantes e expira a fumaça devagar.
- Não.
- Turrona. Por quê?
- Não tô afim.
Ele levanta da cama seminu e se aproxima dela pelas costas.
- Que houve?
- Não houve nada. Só me deu vontade de pular.
Ela resolve sentar no mármore da janela. Nua.
- Você não vai pular, não é mesmo?
- Não...
Ele a envolve pela cintura. Ela respira fundo e fecha os olhos. Dá outra tragada forte.
- Vai me dizer o que houve?
- Para de me provocar...
- Provocar? Mas que pervertida!!
Ele aperta os braços em torno dela. Ela geme soltando a fumaça novamente.
- Não houve nada...
A voz dela é fraca.
- Claro que houve.
A mão dele desce até a coxa dela.
- Desde quando eu preciso de motivo pra me estressar?
- Desde... Nunca.
Ele aperta as duas coxas dela com força. Crava as unhas. Ela geme um pouco mais alto.
- Depois eu que sou pervertida...
Ele leva a mão até a mão dela e toma o cigarro.
- Você devia parar de fumar.
Ele apaga o cigarro na perna dela. Ela grita, aperta as pernas contra a parede. Segura os pulsos dele com força.
- Filho da puta.
- Mas o que foi que você disse?!
Ela solta os braços dele e se levanta da janela. Pega o cigarro da mão dele e busca o isqueiro para reacender.
- Você ouviu.
Ela acende o cigarro e joga o isqueiro no chão, se sentando na cama. Dá outra tragada, olhando-o nos olhos.
- Você queria que eu abusasse de você hoje, não é? Mas eu não quero. Me dê esse cigarro.
Ele toma o cigarro da mão dela novamente e dá uma tragada tão forte que começa a tossir.
- Ei!
- Feliz agora, meu amor?
- E você já me viu feliz, por acaso?
Ele joga o cigarro no chão e apaga com o pé. Depois se deita na cama ao lado dela e a abraça na altura abaixo do busto.
- Você fica feliz por minha causa. Eu sei. Você não precisa admitir.
- E você me ama. É louco por mim.
- Claro que eu sou. Depois você me conta o que houve.
Ela ri.
- Você tá de pau duro.
- Você tá nua.
- Pirracento.
- Teimosa.
- Te amo.
- Também, querida. Eu também.