domingo, 2 de março de 2014

Sobre você

Ah, meu deus, menino. Eu quero me declarar loucamente pra você.
Pare de ser o satã.
Desocupe os meus pensamentos.
Desabite-os.
Cara, é sério. Você tá na minha cabeça como cocaína fica na mente dos viciados.
Você é a minha nicotina. A nicotina é minha você. A minha nicotina é você. A minha você é nicotina.
Você me faz querer morrer todos os dias.
E eu tenho que morrer sozinha. Como eu odeio essa solidão.
Como você me faz sentir que ninguém nunca vai me amar. Que sequer o amor existe. O amor é uma enorme farsa.
Mas por que é que eu não consigo me livrar de você? Por que é tão difícil?
Você é o único. O único que ainda me excita. O único com quem eu ainda quero ter/fazer alguma coisa.
Os outros são meras tentativas frustradas. Mentiras.
Mas você era uma bela de uma mentira no começo.
Você é o demônio. E eu não sei como sobreviver.
Ou eu te aceito, ou eu morro.
Eu vou morrer de qualquer jeito.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ritual

  Frente a frente com o inimigo. Olhos que se encontram e se refugiam. Lábios retos, secos. Uma funebridade compartilhada. Compreendida. Ódio e amor.
  Uma voz suave masturbando as almas doces. O pavor adormece. Como se dois órgãos copulassem em plena tempestade. Uma nostalgia forte de algo que já não existe. Um sentimento que só finge.
  Tanta água derrubando todas as torres sóbrias. Tanto as que protegem, quanto as que aprisionam. Maremoto dos opostos.
Inconsequência degolada. Uma prisão em carne. Profunda escuridão. Oco.
  Transpiro toda a essência e procuro ser nada porque minha cabeça ameaça explodir. Boom.

E se você não aparecer no topo, e se não for o tema, você é o ponto. Você aparece na vírgula e se infiltra nas minhas coisas, nos meus pensamentos. Você é como as nuvens na minha paisagem. Sempre lá, porque é natural.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Guerra perdida. Looping stage

  Eu começo a falar com ele e está tudo bem... Mas de repente alguma coisa grita. Alguém se desespera aqui dentro de mim e subitamente eu já não posso respirar. Não posso mais respirar ao lado dele, não posso respirar sem aquelas mãos geladas no meu pescoço. E eu prefiro morrer. Fico mentalizando a morte e repetindo "não, não, não!" feito uma louca. Em voz alta brigando comigo mesma. Não posso ser fraca a esse ponto. Não posso. E fico lá inquieta, perdendo o juízo enquanto ele é o único que se importa. E eu só consigo pensar em como ele se importa, e em como ele é o único capaz de cuidar de mim. Mas ele é o demônio. Ele me seduz com aquela manipulação manjada. Eu quero me matar porque sou muito, muito fraca.

  Sou desprezível. Desesperada como uma pisciana, passiva como uma canceriana, obsessiva como escorpião. Colocaram fogo na minha juba e eu fui parar num canto escuro acanhada. Eu tenho medo do mundo. Eu tenho pavor de ficar feliz ao lado dele. Eu tenho que fugir. Tenho que parar de mentir. Eu emano fofura, mas é tudo mentira. Porque na verdade eu sou uma besta. Não (só) no sentido de burrice, mas no sentido animalesco. Brutal. Eu sou um bichinho assustado que ataca tudo que se aproxima. Mas só machuco os sensíveis, que não o merecem. E nunca sei quem são. Eu tento quebrar todos eles. É instinto de defesa. Eu só me sinto segura quando alguém tá sentindo dor.

 A primeira coisa que eu penso quando o vejo é que eu prefiro morrer.
 A segunda é que o quero na minha cama.
 A terceira coisa que eu penso é em como apanhar acalmaria toda a turbulência desses meus pensamentos.
 A quarta coisa que eu penso é que eu devo me afastar.
 Desejo me cortar. Desejo fumar.
 Mas eu não posso fumar.
 E na quinta coisa eu só penso que preciso mesmo é parar de pensar.
 E aí vem o pânico.
 Pane no sistema.
 E o ciclo recomeça.

 Ter que te encontrar é uma morte diária.

 É um infinito purgatório.
 Um inferno em forma de gente.
 Por favor, pare.
 Pare de existir.
 Eu não tô aguentando mais.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Folhas vazias

Viro uma folhinha,
Viro outra folhinha,
Viro uma folhinha outra vez...
Acabam todas as folhinhas do meu calendário
E eu ainda não ganhei nenhum freguês.

Mais uma página em branco,
Mais um dia.
É mais um vazio, que eu tenho que preencher
Sozinha...
Mas eu já tô ficando sem ideia
Cadê vocês?
Cadê vocês aqui?
Cadê vocês aqui?
Cadê?

Ando por aí em qualquer tempo
Viro em toda esquina
Olho ao meu redor
Olho para o céu
Vejo o sol se pôr ou nascer.
E ainda sim não há...
Eu não consigo te esquecer
Mas não importa
Não importa, o que eu quero é escrever
Mas eu não sei sobre o quê
Não dá mais pra cantar
Não há mais alegria
Não dá mais pra sentir...

Eu vejo todo mundo por aí
A conversar,
A gargalhar...
E se em algum canto, eu vejo alguém chorar
Eu quero encontrar
Eu quero conversar
Eu quero ajudar...
Mas já não posso, porque
Eu não sei mais sentir
Eu sou uma folha de papel
Vazia.
Pronta pra escrever,
Mas eu não sei o quê
Todo dia...

Eu falo
Com cada passarinho
Com cada borboleta...
Eu paro em qualquer lugar

Eu fico debaixo do sol,
Sinto a pele queimar
Ou pego toda a chuva
E a tempestade...
Eu vivo tudo que eu puder viver
E invento o que tiver pra inventar
Mas eu não sei
Como é que eu vou fazer
Para voltar a escrever
Se eu não sei mais amar...

Ah, meu amor
Não volte, por favor
Não te quero mais aqui
Mas eu não existo sem você
O que é que eu vou fazer
Eu não sei mais por quê
Eu não consigo
Viver.
Não consigo viver sem você.

Saia já daqui
Não quero mais ouvir
Eu quero é sorrir, me divertir
Eu preciso fugir,
Sair daqui

Vou mergulhar
No mar
Numa água qualquer,
Vou me afogar
Vou esperar
O mundo acabar
Não quero mais saber
Eu vou morrer
De tanto esperar...

Não quero mais saber...
Não quero mais viver...
Porque eu não sei amar...
Não sei amar...
Não quero mais...
Vou me afogar...

Passo uma folhinha
Passo outra folhinha
Passo uma folhinha
Do meu calendário que não tem fim...
São tantas mil folhas
Porque é que eu tenho que viver assim?

Vou pôr fogo
Em todas folhinhas
E vou me mandar
Daqui
Não volto nunca mais
Eu vou partir...

E talvez,
Eu te encontre,
Por aí.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Tempestade

   Era uma daquelas sextas-feiras tempestuosas, em que a libido dela se apresentava tão intensa quanto a água do lado de fora da janela. Até a maneira dela de se mover mudava. Seu tom de voz, seu ritmo. A chuva costumava provocar nela um efeito inacreditável. Ela ficava irresistivelmemte sedutora. E não precisava fazer muito. Era o prazer dela. Era como se ela vivesse em um orgasmo constante. Como se tudo fosse maravilhosamente prazeroso, e especialmente eu. Ela se encostava em mim, e dizia que me amava. O seu cheiro impregnando-se no meu corpo, na minha memória. A pele morena, sensível a toques, mas não a marcas. Os olhos castanhos e o seu olhar profundo, desafiador. Ela me olhava como quem estivesse beirando a morte, e me provocava como se isso a excitasse ainda mais. Os cabelos escuros cacheados e rebeldes. Ela não se importava se eles estavam arrumados, e tampouco se importava com o próprio comportamento. Seus cabelos eram a metáfora da sua liberdade. Suas curvas não eram nem de longe perfeitas, ou geométricas. Mas me instigavam a modelá-la como argila, acariciá-la... E quando eu a tocava, era como se nela algo se explodisse. Ela era um maremoto aprisionado num corpo irregular.
   Ela não demorou muito a se tornar um monstro sexual naquela noite. Nada muito incomum. A adrenalina de estar ali com ela era insubstituível. Ela me esgotou e prosseguiu com toda a sua tempestade até se exaurir. Só tive forças para observá-la arrastando-se entre os lençois, satisfeita. Ela sorria. Seu sorriso era sublime. Declarou que precisava de um cigarro e foi buscá-lo em sua bolsa. Tragou-o como se a nicotina fosse o seu oxigênio. Até o final de seu cigarro ela me observava. E no final demonstrou um imenso desgosto por mim e pela vida. Disse que precisava ir e foi. E não voltou nunca mais.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Androfobia

Dancei entre os monstros negros.
Aquelas almas putrefatas.
E as vozes me gritando
Eu quero, eu quero!
Eu quero vomitar.
Em minha mente
Um pau nas minhas costas.
Um socorro engolido feito esperma.

Falo.
Andro.
Fobia.
Aversão.

Suspiro forçado,
Orelha afogada,
Sobrecarga de energia.

Preciso sair daqui.
Refluxo. Suicídio. Masoquismo.

Tudo bem.
Eu tô aqui, não tô?
Morrendo.
Puro asco.
Puto casco.

Um nó de corda na nuca estilhaçada.

Um breu sujo
Regado de heterossexualidade.
Veneno escatológico.
Patologia.
Fim.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

La Muerte

Vocês estragaram a minha mente,
e agora eu sou um vazio ambulante.

Eu não choro toda noite, eu não me desespero,
e tô quase acostumada à solidão.

Eu não amo, não gozo direito e até a comida parece mais sem sal.
É quase como se eu não existisse.

Me esqueci do que é autocontrole.
Devoro almas e corpos e palavras, engulo todos sem nem saber o gosto.

Nada me satisfaz. Depois de vocês, no vazio não há paz.
Meus poemas não têm sangue, nem felicidade.
Meu último amor está longe demais.
Minha razão me diz que é necessidade.
Meu corpo age por impulso.
Minha mente divaga, divaga.
E só me encontro no nosso passado podre.
Vocês me enterraram viva,
E eu morri.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Alguns filmes dos quais eu gosto bastante

Ninfomaníaca
Frida
Secretária
A menina que roubava livros
Amor além da vida
Pat Adams - Doutores da alegria
R. E. D. - Aposentados e perigosos
Closer
Cisne Negro
O profissional
O quinto elemento
Sexto sentido
Corrente do bem
Os homens que não amavam as mulheres
Jogos Vorazes
Em chamas

Casa de poemas

Li um poema na parede.
Ou dois, ou três.
Ou talvez tenha sido no teto.
Um poema de vocês.
Duas lágrimas me encheram,
Mas não quiseram a sair.
Achei tudo muito estranho,
Mas não evitei sorrir.
É que às vezes a gente se vê em casa,
Onde menos se espera.
E o nosso coração às vezes tá lá,
E às vezes,
Tá aqui.