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sábado, 18 de março de 2017

Sunshine

The sun is almost rising
And I've met you, sunshine
With your deep dark stories
With your sweet pair of eyes
I've met you
And beyond my lettuce hair
I see you
As my leo ego
Enjoys itself

Who cares if
The sky decides to cry?
Who cares if
I'm gonna be sick again
Who cares about me?
At least you say
I'm an artist

I like you, sunshine

sábado, 14 de novembro de 2015

Roleplay, o show

Vamos fazer um teatro
(vamos brincar de casinha).
Vamos ser um casal
E aí você me chama de "minha".
Eu vou ser minha mãe, você meu pai
E então vamos morar juntos.
Você vai ter que cuidar de mim
Como ele não cuidou,
Como eu que tive que cuidar dela.
E quando formos felizes
E estáveis, além de apaixonados,
Eu vou engravidar de você (de mim)
E vamos me ter.
Eu vou me parir.
Aí, vou poder me amar
E você vai me amar (nos amar).
Seremos felizes os três, os seis,
Seremos felizes no meu teatro.
A plateia vai sorrir, chorar, cantar.
Vai ser maravilhoso, eu e você.
Tudo se trata disso.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Religion

The first pray I ever had
Was to survive
I was once so depressed
And I knew I was so close to death
I asked for help
They saved me

My second pray
Was to forget
Of a devil girl
That never was a devil
And still would make me
Want to kill myself
Once I was free
I didn't love her anymore
And she missed me

The third pray I had to make
Was to let go
The first boy
That really cared about me
Once I felt
What love should feel like

All over my body
When he was gone,
Because I knew
That I would never belong to him
I missed him so much
And at this time
He belonged to her
And she, to him
I left him go
And we had sex last month
He doensn't hurt me anymore
He never will

The fourth pray
The purest pray I ever had to pray

Was for this boy
He'd been a part of me for so long
I gave him my soul
I would always belong to him
And I knew it
Once I felt
Someone had finally killed me

I was so scared
But I was so close to the truth
Like I'd never be again
And it was good
He laughs to me today
He'll always be mine
We're great
And I never want to suicide again

My fifth pray
The most hopeful
The most religious
The most loveful pray
I ever decided to make
I call today Peter
This is the first pray
That had the liberty
Of choosing it's own name
And it's a beautiful name, Peter
None of other prays
Could make me feel so safe
Before I start to sing
In my every single morning
None of other prays
Would make me feel
I love myself
Once I was me
And I really wanted to be who I was

Today, future speaks to me
And I pray everynight
Before I fall asleep
I say
I love Peter
That's my pray
I love life
Tomorrow will be a wonderful day

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

como eu me apaixono

Aparece um homem com uma arma. 
E ele me diz "você tem cinco minutos para fugir".
Eu prontamente dou um um passo à frente e digo "atire".
Ele me responde, sério "você ainda tem quatro minutos". 

E eu espero.
E quando o minuto número cinco chega, ele atira. 

Eu agradeço e ainda comento "que bom".

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pergunto ao futuro: O que é um namorado?

O primeiro enfeitiçado tem fobia social. Me acalma, me socorre, mas não quer nada normal.

O segundo que me ama tem suicídio na história. Se joga do precipício e me canta a sua glória.

O terceiro se afoga nas esquinas povoadas. Necessita o meu amor, mas me diz não querer nada.

Todos três com suas dores, e suas flores manchadas.
E uma moça imatura que me deixa apavorada.

E um travesseiro verde embebido em solidão.
Que eu amo, que eu amo, como se fosse meu chão.
Deito-me toda noite, e um copo me devora.
Sempre peço por socorro, peço que não vão embora.
Por dentro eu choro as danças com a morte, que por pura falta de sorte eu ganho.
E toda manhã sonho
Que um próximo amor vai me completar.

domingo, 27 de julho de 2014

Lapso

É bom sentir que é o momento certo.
Você é minha alma, e ele a minha carne.
E o outro, bem,
Este é a minha alça.

Há uns seis ou sete cortes na minha coxa.
Mas estes novos foram bem gozados.
Bisturi,
Amor,
Orgasmo.

Risadas bobas.
Uma malícia idiota.

Eu vou montando as peças do quebra cabeça.
A pessoa que eu idealizei,
É na verdade três.

E está tudo bem.
Está tudo maravilhoso.
Meu corpo sorri para o universo com alguns novos machucados.

Eu me sinto uma puta, meu amor.
E sei que você me ama assim.
Como eu dizia,
A compreensão do nosso amor não diz respeito a ninguém.

Eu existo.
Eu me sinto bem.
Eu vivo, amor.

E ai de você se tiver uma recaída.
Eu vou te pressionar.

Eu leio, eu fodo.
Eu acordo cedo de manhã e aguento o colégio.
Tudo de repente ficou simples dentro de mim.

A aversão foi dormir.
Com todos eles.

Estou livre para ser.

Dormir cedo sem álcool e sem cigarros.
Talvez um.

Nem os loucos me tiram do lugar.
Eu vou ser feliz, e você também vai.

A vida é linda quando se está em paz.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Carpete

Vou fugir.
Me mandar pra tua casa,
Machucar a tua asa,
Mas te fazer rir depois.

Brincar de dominatrix mirim
Me instalar naquele quarto
E pegar aquele edredom pra mim.

Prometo que eu não ocupo espaço
Me arrumo no seu carpete
E fico bem morando por ali.

E a noite te arranho só um pouquinho
Como se fosse carinho
Como se eu fosse um gatinho
Amolando as minhas unhas em você.

Eu juro que não vou fazer barulho,
Só se você deixar
Sou uma criatura boazinha
E pelo menos contigo
Eu sei ficar no meu lugar.

Me deixa, por favor,
Eu já tô indo
Que aqui tá muito chato
Que aqui tá muito triste
Eu sei que eu vivo mais feliz se for por aí.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Falta norte

O cachorro foi-se embora porque preferia outra. Aliás, cachorro não. Um gato. Que gato ele era mesmo. E não era só eu que achava. E gatos sempre me esnobam. É a vida. O que é que eu ia fazer? Ele foi lá ficar com a garota. Que garota chata. Nunca fui com a cara mesmo. E nem tô falando isso por inveja, eu não ia com a cara mesmo. Uma antipatia natural. Ele foi-se lá com ela. Foi desmoronando meus castelinhos frágeis de esperança. Foi-se outro.
Uns dois onde eu já tinha depositado um pouco mais também se foram. Um deles de uma maneira terrível. Ora, mas que ódio. Foi com uma vaca sádica. Mulheres, sempre me dando problemas, não é mesmo?
E a última? Aquela pobre coitada. Só me surge com problema. Como se eu já não tivesse os meus. Já não me basta ter raiva da felicidade alheia, eu ainda me sinto culpada sempre que alguém não está feliz. Uma otária, certamente. Ou no mínimo uma tola. Tolíssima. Uma tonta incoerente.
Como se tivesse algo mais a ser feito. Mas meus pretextos são insanos. Eu só tenho esperanças quando estou só, quando transito nua pelas ruas atropeladas. Só tenho alguma paz com o meu cigarro nos lábios. Com os ouvidos trancados, com a minha veia aberta e minhas lágrimas nos olhos. Não dá pra acreditar nos seres humanos, não é mesmo? Não quando eles deixam de ser imagens para se tornar reais.
Se eu fugir eu vou acabar no mesmo lugar, dentro de mim. Se eu correr, e for atrás de alguma coisa, de alguém-coisa, eu vou acabar só. Vou voltar pro meu caminho. E todos os desvios acabam num retorno pro meu beco sem saída. Não há trepada que me salve dessa morte. Não há rebeldia que me arranque essa sorte. Não há mente sã no mundo capaz de me reorientar.
Aos estudos acabo infeliz. Aos amigos acabo tonta. Acabo acorrentada. Às sombras acabo fodida e arrebentada. Aos cigarros acabo melhor que em todos os outros estados, mas quem é que me salvaria daquela maldita dor de cabeça? Falta norte, falta norte. Se eu soubesse o que é o novo talvez pudesse me livrar de mim.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Sobre amantes e uma maturidade chata

O amante dois me aguarda no bar da sexta-feira, pronto pra me rir como puder. O amante um me tara em seu cigarro, todo dia, encostado na parede como se ele fosse mau. O amante três me nega todo dia o pão que o diabo curte, e me incentiva a comer como se fosse mesmo bom, e acho que é. O amante quatro me viu só numa noite, me deixou maluca e foi amar a uma outra muito estranha para mim. O amante cinco, assim de supetão se resolveu por me entregar o mundo e eu fiquei naquela de me aproveitar, e acho que o amo mesmo longe da sua cama. A número seis é uma musa recortada, que a mim parece surgir das cinzas pra tomar o lugar de uma outra que se foi sem dizer tchau. Gosto da número seis. Como dos outros. O amante sete andou um pouco pra lá, e a gente não tem se visto nem se amado como antes. Às vezes o esqueço.

Amantes que vão, amantes que ficam, amantes que não trepam. Me deito na cama nua e tudo ao meu redor se afoga em violeta. As masturbações açucaradas de toda a noite parecem demasiado doces, muito delicadas. Nada que me purifique, ou me condene logo de vez.

Nem que eu saia com meu short curto e os peitos saltando, santificados numa roupa preta. Nem os lápis de olho, nem a gargantilha.
Nem o frio congelante, nem a chuva ou os cigarros mentolados. Na verdade eu não gosto de cigarros mentolados. Eu gosto é do pó.

Nem que eu pinte as minhas paredes de branco, e os móveis de branco, e jogue metade de mim fora pra doar mais um terço do resto. A cama não se aquieta, eu não me acomodo. E fico sozinha cantando no beco. Olhando o céu que insiste em ficar mudando, como se fosse as minhas decisões. Procurando no ar alguma resposta sobre o que deveria ser a vida.

Nenhum dos meus amantes então me salva de ser tão sozinha e de ter que acordar todo dia, sem entender nada. Sem saber a razão de eu ainda estar aqui perdida, viva, me arrastando, mudando de lugar o que nunca sai do mesmo quarto.

domingo, 30 de março de 2014

Eclipse de marte

Lábios mordidos
Pensamentos recorrentes
Uma navalha nos dentes
E uma mente que se explode

Um objeto sortido
Mais um gole, e a saliva
Representação nociva
Do ariano que me fode

Mais tempo debaixo d'água
Uma mão que não se apressa
Um cigarro mentolado
Faz que não se interessa

Quis buscar a noite quieta
Tem vontades como as minhas
Às vezes saio sozinha
Mas nunca sei ser discreta

Desalinham-se os planetas
Volto ao meu lugar vazio
É que eu sou bicho do mato
Mas de longe eu lhe sorrio

Te espero, se é que tu volta
Minha cama nunca tá morta
Meus olhos te explicam tudo
E a porta do meu quarto tá aberta

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Androfobia

Dancei entre os monstros negros.
Aquelas almas putrefatas.
E as vozes me gritando
Eu quero, eu quero!
Eu quero vomitar.
Em minha mente
Um pau nas minhas costas.
Um socorro engolido feito esperma.

Falo.
Andro.
Fobia.
Aversão.

Suspiro forçado,
Orelha afogada,
Sobrecarga de energia.

Preciso sair daqui.
Refluxo. Suicídio. Masoquismo.

Tudo bem.
Eu tô aqui, não tô?
Morrendo.
Puro asco.
Puto casco.

Um nó de corda na nuca estilhaçada.

Um breu sujo
Regado de heterossexualidade.
Veneno escatológico.
Patologia.
Fim.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Conhecido

É mesmo muito estranho
Querer cuidar de um estranho
Que se parece comigo
Querer fazer dele um amigo
E ajudá-lo a chorar
Pedir ajuda pra amar
Se nem de mim mesma eu tô sabendo cuidar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O relógio e o sexo.


Tic. Tac. O relógio da parede nos assiste, e marca discretamente o tempo que leva a progressão do nosso descaramento. Quase não o noto. Quase não noto a ausência do meu antigo servo também. Pouco a pouco o mundo vai perdendo forma, perdendo importância. E eu vou perdendo a consciência. Os medos e as vontades implodem em mim, paradoxando. Vou permitindo que minha mente se derreta enquanto o fogo arde no ponto central da minha existência. Caminho da vida. Caminho do meu orgasmo, ou da felicidade.

Olho para ele e mando novos sinais. Nada discreto, nada controlado. Deixo meu útero falar por mim. Quanto mais lentos meus olhos se movem, mais eu vou esquecendo os problemas que me aguardam aqui dentro. Minha mente anestesia.  Uma euforia branda se instala em meus nervos. A mão bruta na minha coxa. A mesma mão nos meus seios, e depois ela me puxa. Olhares suaves indo e voltando, permeados de uma agressividade nata, de uma sensualidade bruta. Gemidos ecoando em minha mente. Vagamente eu me lembro de poder ser percebida pelos ‘transeuntes’. Escondo o rosto repetidas vezes, na tentativa de amenizar a declaração estampada em minha cara. Eu gosto de sentir essa dor.  Quero mais, quero mais forte. Abro as pernas e mergulho em seus olhos. Vamos, você sabe o que fazer. A linguagem corporal se confunde com telepatia. Ele me atinge, bruto ainda. Bruto, antônimo de lapidado. Bruto, sinônimo de agressividade. Meu masoquismo agradece. Deliciosamente animalesco. Levo a mão ao meu pescoço. Desprovido da vagarosa sensualidade, ele prossegue. Tusso. Apesar de tudo, é maravilhoso ser tocada.

Dou um beijo anomalamente sutil em sua pele, na tentativa de encontrar uma zona erógena. Recebo a reação e a interpreto otimista. A mão vai pra minha nuca, e a minha agora passeia entre minhas pernas. Arrepios, provocações. Uma leve puxada de cabelo. Vou me masturbar aqui, agora. Dessa vez eu digo mesmo, sussurro em sua orelha. Quero que ele sinta que o estou fazendo por ele. Porque quero que ele veja, porque quero que ele goste.

O mundo volta à tona. Interagimos desconcentrados. Ele se senta, e logo eu desço ao seu colo. Ele me ajeita. Posso senti-lo contendo seus gemidos, coisa que eu já não faço com muita dedicação. Alcanço seus dedos, vagamente atenta aos outros. Minha boca está nervosa. Eu quero, eu quero. E você sabe o quê. Levo-os à minha boca. Tento chegar à minha garganta, mas ele retoma o controle e brinca como acha melhor. Eu só acompanho. Me movo inquieta sobre ele.

O ar que engana, em sua temperatura mais baixa que a real, já me conhece há vários anos. Sabe que meus movimentos não são novos, mas a minha excitação é fresca, apenas no sentido de recente, que de corpo eu sou apenas quente. E cada vez mais. Nos obrigam a abandonar nosso conforto. Levantamos, agraciados com um breve momento a sós na sala. Disfarço arrumando as minhas coisas, sem saber bem por quê. Ele se põe atrás de mim, mas de modo que nossas línguas possam finalmente se tocar. O momento é bom, mas precisamos mesmo ir. Só mais um pouco... Não nos permitimos uma distância que ultrapasse alguns centímetros, e ainda de costas pra ele, me insinuo, me esfrego.  Tentado, ele me puxa com tamanha força que me tira um pouco do chão. Perco a voz, o ar e a sanidade. Demoro a me recuperar, e quando consigo, apenas solto algumas risadas de satisfação. Sei que chegamos ao auge do que nos será permitido hoje.

Saímos cúmplices e satisfeitos (não completamente), e o sol nos torra a alma do lado de fora. Até o calor é bom enquanto eu curto a umidade da minha calcinha.

sábado, 28 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Segunda-feira.

   Ela acorda pela primeira vez na segunda-feira, já mais tarde do que deveria. Acorda e pensa em Yuri. É estranho acordar e pensar nele, em vez de Louis. Manda uma mensagem. É como se fosse Yuri a pessoa certa a quem pedir ajuda, a quem pedir consolo. Ela não tem escolha. Ele é a esperança dela. Trocam algumas mensagens e ela volta a dormir. Já perdeu o dia, de qualquer forma.
   Um som estranho de algo vibrando interrompe um sonho onde duas pessoas a querem. Ela se pergunta se o sonho tem relação com sua própria vida, ou com o livro que ela anda lendo. A vibração continua. Ela toma consciência de que era o seu celular e olha quem é. Louis. Por quê? Ela atende e pergunta por que ele interrompeu seu sonho. Logo pergunta o que aconteceu. Ríspida, áspera, fria. Pensar nele a incomoda. Ter seu sonho interrompido a incomoda ainda mais. Mais que isso, ela não queria estar acordada, ou viva. Se pudesse, ela viveria sonhando. Perfection belongs to the mind. 
   Em poucos instantes a voz dele já é um tanto triste. Ela diz tudo o que pensa no automático. A sinceridade às vezes doi. Ele precisa ir de novo. Ela volta a dormir.
   Ao acordar, e dessa vez por conta própria, ela resolve pegar o livro abandonado para ler. O livro faz ela se lembrar de Louis. E antes que ela mude de ideia, ela tenta ligar para ele. Pedir desculpas... Tentar se reconciliar. É um erro, mas ela não pensa. Ele está falando com a namorada. De novo. Ela se lembra do porquê de ter tratado-o tão mal. Se entristece.
   A vida é um pouquinho solitária. A esperança agora foi dormir.






Amie Barroso D. B. O.
Yuri Fag Dorrac 
Louis Rad Garreef

sábado, 17 de agosto de 2013

Quatro amantes.

De outras noites.


   O quinto amante nunca tinha tocado ninguém. Mas se parecia muito com o número dois. Aliás, o número dois também não tinha tocado ninguém quando me conheceu. O amante cinco também não se despedia muito bem, e talvez também quisesse mais de mim. O amante número seis não me parecia querer muito nada. Mas gostava de conversar. Este era um tanto frio. Mas a frieza dele era tranquila. De vez em quando ele queria que eu ficasse embaixo. O amante seis nunca me comia. Mas dizia que queria. Acho que o papo do amante seis era só papo mesmo. Vai entender. Ninguém nunca entendia.
   E agora restam dois amantes. O amante 7. O amante sete veio com essa ideia de números pra usar como metáfora. Ele foi quem me lembrou que certos códigos banais são muito interessantes. E podem ser muita metáfora se eu quiser. O sétimo amante, era, como o sete, singular. Era o que mais me instigava. O mais velho, e o mais obscuro dos amantes. O amante sete era o que me sufocava. De longe, nos meus sonhos, nos meus cantos, na minha cama. Esse amante era o pior de todos, e por isso eu o amava. Ele sempre sabia o que dizer, mesmo que estivesse calado. O amante número sete sumia e voltava, e me deixava só como se me quisesse morta. Voltava excitante como estava quando me deixara. O amante sete era o meu preferido. E fazia com ela, o que não fazia comigo. Alegava perigo. Talvez o excitasse ficar longe.
   E por último, o amante primordial. O pioneiro, mas não o número um. Este nunca se concretizou. O amante número zero, imaculado. Talvez nunca tenha sido tão puro quanto se pintava pra mim. O amante inicial era a lua. Uma luz qualquer no meio da noite. Este voltava sempre quando queria, e me revia. Sabia que era o responsável, e assim me tinha. Ele me iniciara, sem me tocar onde os outros tocariam. Este provavelmente estaria comigo sempre, mas não a todo momento. Ele também tinha seus amantes. Este, como o início, era o fim. E portanto, não poderia ser um número, pois era cíclico e infinito.
   Este último era o amante que me amava.

Três amantes, e o quarto.

 Desta noite.


   Enquanto eu terminava a minha terceira refeição fora de hora, o primeiro amante já tinha se despedido. Dissera que ia falar com ela, e aparentava estar ainda ali. Não dei mais atenção. Havia o amante número dois. Este a essa altura já cansado, um tanto também frustrado, ainda me queria mas preferiu ir. Este se despedia mal. De alguma forma queria algo que eu não poderia lhe dar. E foi-se ao encontro de sua esposa, como o amante um fazia. Já o amante três, a essa altura já devia estar dormindo. E olha que este era o que costumava me prolongar as noites. Mas agora ele também tinha ela. Uma nova moça para povoar seu dia vazio. Os três amantes acompanhados, e eu descansando de meu trabalho terminado. E minha refeição. O que me restava da noite antes que eu adormecesse e depois fosse ao encontro de minha quarta companhia. Engraçado que, sendo o quarto, era no quarto que ele nunca havia estado comigo. Ele só tinha estado nos meus pensamentos, só de vez em quando. E entre minhas palavras. Este era o amante que não me tocava por debaixo do tecido, nem nos pedaços de pele mais sensível. O amante número quatro dormia, e aguardava satisfeito pelo nosso encontro incomum no dia que viria logo. Eu teria poucas horas de sono até lá. Mas valia a pena. Pelo menos este era bem mais estável. E olha que eu nunca prezei pela a estabilidade de um amante. Mas ele não parecia querer ninguém. Ao menos eu poderia descansar acompanhada. Sem outras mulheres numa tarde de sábado. Poisé, logo após a sexta-feira.

sábado, 10 de agosto de 2013

Compreensão dos fatos.

   Não consigo não pensar em você. Você é a minha redenção. É o meu orgasmo, a minha morte, e a minha liberdade. Você tem potencial porque eu não te conheço. E assim posso manter a imagem de assassino que criei em cima do que você mentiu pra mim. Você está tão longe que sua frieza me excita. E ainda insiste em vir me ver duas vezes ao ano, para me lembrar de que me tem. Você cumpre o seu papel insuportavelmente bem. Sou uma escrava bem treinada, mas sempre tento fugir. E não consigo. Porque tenho esperança de que você seja humano.Esqueço-me de que o ser humano não é como diz ser. É da nossa natureza fraca e desprezível deixar e retornar. É da nossa natureza promover a dúvida, e a loucura. Porque a sanidade nunca nos faz bem. Dois seres humanos numa relação sempre oscilarão entre o fraco e o forte. Meu masoquismo me força a ser a fraca. Preciso ser forte se quiser ser maltratada. Mentiras. Mentir é da natureza feminina. Submeter a nós, mulheres, é da natureza masculina. O instinto humano é fascinante. Somos todos animais.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Seis.

#6

   O #6 só dura até amanhã. Mas eu e todos sabemos que o #6 também pode voltar algum dia. Já que, como foi constatado a vida é cíclica. O #6, como já vimos, pode ser representado de várias formas, e pode ter seus muitos significados. O #6 pode ser uma pessoa. 
   O #6 pode representar também a minha instabilidade. A minha obsessão com a metáfora. O #6 que só dura um dia. O #6 que representa o tempo que demora para que eu deixe de ser eu de novo. O #6 que também me lembra do medo que eu tenho da mudança, e da necessidade da mesma.
   O #6 também me lembra quanto tempo você vai levar pra desaparecer de novo. Me lembra que tudo que eu sinto é passageiro, inclusive a raiva, inclusive o amor. O #6 é tão fixo, confiável e definitivo quanto o amor. O #6 é absurdamente passageiro. O #6 é só hoje. A menos que haja outro #6 de imitação ano que vem.
   O #6 é como eu vou me sentir quando eu tiver o privilégio de ser especial. O #6 são os elogios. O #6 são também as críticas. O #6 é a culpa. 
   O #6 é uma metáfora da vida. O #6 é tão definitivo quanto um dia poderia ser. O #6 é oscilação.
   O #6 sou eu.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Assassino

     Ela sentou-se em frente a ele. Os olhos entraram em sintonia, e assim os pensamentos. Observavam, mesmo com o olhar fixo, cada movimento breve, cada respiração. Ela esboçou um sorriso. Ele retribuiu. Eles conversaram por um tempo, sem dizer uma palavra. Em algum momento, ela se perguntou se ele era real, ou apenas fruto de algum cogumelo que ela comera por engano. Quebrou a conexão. Levantou-se e foi até a janela. Como ela gostava de olhar pela janela. Alguém poderia pensar que ela gostava de olhar as pessoas, ou a paisagem, mas ela gostava mesmo era de olhar para si mesma. E de alguma forma, a vista fazia o momento perfeito para poetizar internamente. Mas nem com os olhos distantes dos dele, ela podia tirá-lo de seus pensamentos. Pôde ouvi-lo se levantar também. Talvez ele soubesse dos seus pensamentos secretos. Ele veio por trás e encaixou levemente a mão direita no pescoço dela. Seu coração disparou. Ela desceu alguns milímetros as suas pálpebras. Ele pôs o braço esquerdo em volta da cintura dela. Ela levou primeiro a mão esquerda ao braço esquerdo dele, e depois fez o mesmo com a mão direita. Apenas tocou. Não forçou, puxou ou apertou. Nem mesmo cravou as unhas, sua maior tentação. Acariciou a mão que estava em seu pescoço. Ele segurou a mão dela e a desceu até sua cintura. Ela pôde senti-lo respirar em sua nuca. Fechou os olhos e sentiu o arrepio percorrer todo seu corpo. Ele apertou suavemente seus braços em torno dela. Observou a rua. Nenhum dos dois disse uma palavra. Permaneceram ali durante um bom tempo.