Fico rindo quando falo contigo.
Me deito na minha calma
Quando te escuto.
Saltito, passeio, danço,
Quando tu me mostra coisas.
Poemas, medos, canções.
Agradeço quando você está.
Quando você existe.
Fica,
Fica aqui.
Fica pra sempre.
Eu gosto tanto de ti.
Eu fico sempre aqui, prometo.
Mesmo quando quero, não vou.
Não sei ir, como tu não sabe terminar poemas.
Eu tô sempre deitada num degrau de escada.
Esperando você querer florescer
Pra te mostrar o sol.
Não se magoe nunca
Quando eu disser que espero a tua vontade.
Entendo
Que nem sempre é tempo de gostar do vento.
Tento te dizer as coisas
Que às vezes saem erradas
(Nem sempre eu sei escrever).
Se quiser,
Se puder,
Venha me ver.
Me conta sobre as lagartas feias
E sobre os pássaros que só as sabem devorar.
Me conta das outras flores,
Das cores do céu quando o sol se põe ou nasce.
Me conta das estrelas que eu sempre me esqueço de contar.
Fala comigo,
Te ouço,
Sorrio,
Agradeço.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Gira pra cá
Chocolate de flor
Te entrego um pacotinho de atenção.
O pacote é pequeno, mas nele cabe muito de mim.
Tu és o borbulhar do meu brigadeiro,
E sempre vale a pena queimar a língua para te comer.
Te amo.
Difícil explicar
Sem falar do chocolate que melhora a vida.
Tu és chocolate e flor.
Tu és todas as coisas que me dão vontade de estar aqui.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Provisória
Uma noite vira com o mau
A outra com o bem
Continua sempre virando noites
A outra, a puta
A que só mora nos pensamentos impuros
Poderia oferecer-lhe um café
Ela se presta ao papel
Do que agrada o teu medo
Não há maldade na própria identidade
Apenas no momento que interpreta
Saltita, dilacera, morre e masturba
Seja a vida quem ela for no dia que for
A puta tira mais um pra sua dança
E se propõe a viver uma nova coisa
O acaso guarda as dicas
Para a felicidade provisória
Esta é a melhor maneira
Uma de dia, outra de noite,
E dorme a tarde inteira
Há tudo no mesmo pacote
Feito de carne, desejo e mutação
Simbiose doce
Anestesia o meu caos
Gosto muito de ti
Me esqueço às vezes
Mas somos sempre risos
Te amo quando o sol se põe
Te empresto o meu peito
Dorme nele sempre que quiser
Te guardo te espero te cuido
Querido sou tua
Pra quando precisar
Não teme não enraivece
Que pode não parecer
Mas na verdade tudo que é pra ti
Me faz bem
Te faz bem também
Se forma a nossa simbiose da doçura
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Ser teu cigarro e café
Deixa eu gozar na tua boca,
Só por hoje,
Deixa eu ser o teu café.
Deixa eu cuidar das tuas dores,
Sem te instigar a raiva
Que tu tanto descontas em mim.
Deixa a culpa de lado dessa vez.
Ora, vamos.
Eu sei que o teu tesão me assiste
Em cada palavra que respiras
Pelas mãos.
Essas tuas mãos que poderiam
Me calar os lábios mansos.
Tu poderias domar-me, quem sabe
Num próximo feriado.
Deixa que se esqueça a indiferença
Em tudo aquilo que deixou de ser escrito.
Deixe que eu seja tua. E seja meu.
Podemos dividir cigarros e corpos,
Eu posso sussurrar no teu ouvido
Que morreríamos juntos,
Com a mão bem no centro do teu ego.
Eu te faria juras de amor,
E esperaria que tu tremesse em meus braços.
Ah, querido. Por favor.
Não sejas tão assim.
Há tanto que poderia ser feito.
Se eu pudesse eu consumia a tua alma,
Junto ao teu falo insaciado.
Se eu pudesse, teria-te em meu colo
Toda noite a fingir que mentiras não existem.
Terapia do ódio pouco
Permita-me o benefício da dúvida.
Tu és desprezo e adoração.
E quando esfrias é quando fico quente.
Preciso dizer-te nãos com tal frequência.
Não alcanças a lógica falha dos meus atos.
Se amo-te hoje, mas apedrejo-te à noite,
Não há verso que justifique o meu pranto.
Porque choro, seja de raiva ou de encanto.
É sempre tu me atrapalhando o sono.
Beijo-te os pés malditos,
Enquanto tu me forças pela nuca.
Fico aflita na tua incoerência,
Porque de doce ela nada tem.
A paixão que me recitas nas noites
De lua cheia ou de ego baixo
Queima em fogo tão alto
Que mal dá tempo de aquecer já causou bolhas.
Se percebes a magia deste feito,
Decididamente não sabes aproveitá-la.
Insiste no arde-e-gela,
Queres que eu me descole da minha pele
Só pra tu ganhares uma camada extra.
Não encaixa o meu e o teu,
Independente do tanto que eu faça.
Parece que desejas
Estar sempre um passo à frente
E assim não ser tocado.
Queria beijar-te a alma,
Mas tu foges
De todas as maneiras que te cabem.
Paranoia:
Procuro-te onde não existes.
Procuro-te no meu caos.
Tu nadas lá pelo outro lado da ilha.
Seja lá quem for o santo na outra margem,
Tu não és ninguém daquilo que me contastes.
E mesmo assim espero-te,
Porque prefiro sempre duvidar a odiar a ti.
Isabel
Isabel acorda quase todo dia às sete e meia da manhã. Deveria acordar às sete.
Faz anos que Isabel não tenta se matar. Queria semana passada por causa de um amigo. Desistiu.
Isabel veste seu sutiã torto e pega o trem das oito e quinze, quatro vezes por semana. Quando não mata aula.
Isabel. Entra na sala e deixa de fora as suas verdades mal estruturadas.
Espera do amigo amor verdadeiro, mas não sai de casa nos fins de semana.
Foge da rua pra sentir um pouco de dor.
Se engana que está no lugar certo fazendo a coisa certa. Esconde tudo numa caixa e se enche de tinta acrílica.
Prefere tinta óleo.
Isabel passa muito tempo na cama. Só pensa em comer brigadeiro e querer colo.
Sorri para muitos estranhos. Tenta ser legal. Isabel acha isso certo, ser legal.
Isabel reclama da vida fielmente todos os dias. Especialmente nos feriados.
E só fala sobre como se sente tão sozinha o tempo todo.
Isabel.
Acha que a vida não melhora.
Não tolera a semelhança que seu mar tem com um lago. Sente-se poço.
Isabel sempre perde a própria identidade.
Nem mesmo se chama Isabel.
Isabel só existe dentro de si.
Leitora
Te dou meu intervalo.
Tu não sabe.
Gosto de ti.
Ignora.
Preciso de algo teu pra ler.
Se sabe, sobe à cabeça.
Dá pra deixar o quarto de lado
Só dessa vez?
Gosto das minhas roupas.
Posso distraidamente cravar minhas unhas em você?
É amor, eu juro.
Te derramo nas minhas folhas.
Te dedico minha serenata sem nome.
Não sei cantar ou recitar poemas.
Não há beleza em minha infanto-violência.
Faço tudo da maneira mais estranha.
Fico rindo, no meio da aula, da tua ausência.
Se tu falta, é porque existe em mim.
Não sei o que difere a tua distância da tua proximidade.
Leio teus apelos,
Me escondo no meu cinzeiro improvisado.
Não chove, não molha, não fode.
Não fala comigo.
Só escreve.
Pelo menos isso.