segunda-feira, 10 de abril de 2023
Altar
terça-feira, 10 de agosto de 2021
Lamb
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Iansã e os gatos
Bad places, bad places
Eu quero morrer
Morrer em você
Pessoas tomando banho
Numa piscina de plástico
A chuva desabando
Eu sou a água
Eu fecho os olhos
Tudo para
Os pássaros
A vida
Nós
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Fly Away
Lemon, lemon,
Lemonade
Sweet soda
Wewi bubbling
Those teeth marks
On my water bottle
I carry someone else's son
Pretend I'm not a nazi abortionist
A punk dictator
Baby murderer
A dying soul
Doomed, cursed
I smile next to a yellow cage
To a yellow species
I tell him about the rising of the sun
But every day goes down
And with the fall
I drown in the dark
Try not to choke
On the absence of smoke
Keep it on three
Keep myself free
But now I have gray
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Heroína
I think I might have eaten my own heart
Tento pressioná-lo contra você
Dentro de mim, acelerado,
Chove a poluição no centro da cidade,
Porque estou vazia.
Vazia por dentro:
Sem você tentando me arrancar
Pra fora de mim.
Eu peço, quero ser sua sobremesa
Depois do almoço, o lanche, e seu jantar;
Você me come sem talheres no café da manhã,
Deixamos os pratos na pia,
Você é o que me faz acordar.
Quando você me disse que eu seria sua;
Que pagaria o preço, por mais alto que fosse,
Eu não achei que você fosse tão imenso;
Você é o infinito:
Se expandindo dentro de meu peito.
Quase que não me sobra espaço
De respirar.
Dormimos entre suor e lençois sujos,
Somos sujos.
Trocamos cobertas e olhares ariscos,
Hálito de menta e perfume nos pulsos.
Desisto de pentear seu cabelo
Pois você é lindo demais para ser retocado,
Lindo demais para não ser tocado,
Você é um ser etéreo;
My drug of choice.
Eu te mostro meus sisos
E o comprimento de minha língua,
Sentimos os cheiros um do outro
Como animais,
Minhas risadas estúpidas
Competem com teus sorrisos constrangidos;
Você é um ser extraordinário:
Nunca vi nada parecido.
Espero que você se sinta como tal.
Nada me tira dos teus braços.
O mundo desaba ao meu lado
E ainda sou sua,
Minhas pernas bambeiam exaustas
E ainda sou sua,
Minhas pálpebras despencam sobre os olhos,
Eu posso senti-lo nas pontas de meus dedos quentes,
Eu sou completamente sua.
Até as minhas memórias.
domingo, 5 de janeiro de 2020
Rainha dos Raios
Acordo e visto minha cauda rosa
Começo meus dias na piscina
Como meus dias fossem assim há eras
Como fizesse uma década
Que eu te conhecesse
E vivesse minhas tardes chamando chuva
Pra dançar debaixo d'água
Entre os raios da deusa
Dedicando o fim dos meus dias
A ouvir sua voz
E ser tua
Como fizesse proposta
Mora aqui comigo,
Nesse infinito
Fenda temporal com tempestade
E sol ardente pela manhã
Eu te prometo as noites
De maior felicidade
E cansaço
De tanto nos mergulhar
Eu quero olhar teus lábios de novo
Te assistir sorrindo, um evento cósmico
Não beijá-lo de olhos fechados
Quero poder te admirar
Coragem, menina
Espera mais um pouco,
Fica na água.
A chuva passa
E nenhum raio ainda me pegou.
Tem que ser porque sou sua
Porque quero ser sua
Porque mal posso esperar pra voltar pra você.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
Abacaxi
Fermento tua saliva
Debaixo da minha língua
Os pelos no teu queixo
Tudo é quente
E minha boca borbulha
Eu te engulo sóbria
Os teus olhos sempre sorrindo
Rindo de mim,
Para mim,
Me atravessando e olhando além
Existindo apesar
Do meu pesar
Do meu peso
De mim
Em alguma veia
O comprimido se derrete
Dormente refresco debaixo
Me arde a ponta
Eu quero te lamber inteiro
Sentir o gosto da tua beleza
De como meus olhos gostam de te olhar
De como minhas bochechas gostam
De ter seus cabelos arrastados por elas
O silêncio da noite
Sufoca meus ouvidos
Quando não ouço sua voz
Eu quero que seja picante
Quero a gota de sangue
Me pendurar no mármore
Do parapeito
Quero você deitado sobre os meus
Quero você montado sobre mim
E me desmanchar entre os teus lábios
Explodir em raiva monogâmica
Ter medo e coragem
De cravar meu nome na tua loucura
Arriscar o maior risco dos riscos
O de tentar alcançar
Meus desejos
Desejar você
Me desligo da vida
Por mais horas
Na cama antiga
Contaminada
Quero ter a sorte
De morrer sabendo
Sobrevivo à dor
E à falta de morte
Quero ter a sorte
De ter te conhecido
E sentido o gosto da tua língua
Fermentando a minha saliva
Como uma bebida cítrica
Sabor abacaxi
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Sopa
Eu como no escuro
Rezando pra comida errar o orifício
E eu morrer sufocada
Eu olho para o teto
Fecho meus pulmões
Seguro a tosse
Minha garganta tenta
Tirar algo de mim
Mas não consegue
Me vem o ímpeto
De enfiar
Do punho ao antebraço
Dentro de minha traqueia
Tirar aquilo de lá
Ou acalmar a coisa
Me sinto no mesmo esgoto
De novo
Como me torturasse
Masoquismo borderline
Achasse divertido
Toda essa destruição
O peso me esmaga por dentro
Viro uma sopa insossa
Tóxica
Você deveria ter ligado as luzes
Antes de me comer
domingo, 22 de dezembro de 2019
Dezessete
Eram dezoito e dezoito
O cheiro do natal chegando
A melancolia já me acenava
Pensei em você.
Nas nossas SMS em Volta Redonda
Na mesa da cozinha da minha tia
Você queria ser vlogger
Criar um canal no youtube
Eu achei tudo um lixo
Mas tentei não dizer:
Não queria arruinar seus sonhos.
Acho que você percebeu
Brigou comigo
Frustrado
Pensei
Enquanto te lembrava
Em flashes rápidos tudo
Você em festa, em texto, em call, em trauma, em relacionamento, bio no twitter, telefonema psicótico,
O meu cabelo rosa, Sasusaku, o infarto, os fundos do teatro,
O avião, e o ano inteiro decidindo se me jogava ou não nos trilhos do trem.
Pensei
Agora estou apaixonada
Por outro
Estou apaixonada
É a primeira vez em cinco anos
É a primeira vez desde março de 2015
Quando te amei
Que eu não acho que estou condenada a ti
Quis te contar
Repensei
Era como gravidez
Muito cedo dá azar
Melhor não, não
E se eu abortar?
Eu não quero ficar sozinha no mundo
Quem é que eu vou ser?
Você era o único que costumava me entender.
Acho que estou morta
Que tudo isso é uma grande peça que me estão pregando
Eu faço muita graça a algum público
Acho que já comecei a me arrepender.
Está tudo errado, tudo errado.
Eu nunca estive tão só.
E quantos mais encontro,
E quão mais perto chego,
Mais me sinto só.
Gold
Eu tropeço em água
E num sobressalto
Pedro voa para o alto
Sobe na cama
Num susto
Ofegante eu tenho
Minha primeira briga contigo
Me vejo no espelho
Acostumei aos cabelos
De carboidrato
Hidrato meu rosto
Meia noite e cinquenta e quatro
Está quase no ponto
Foram seis horas e meia
Gestando essa obra de arte
Meus dedos se abrem
Como acordados de súbito
De um silêncio profundo
De um sono de décadas
Um sonífero que passasse o efeito
Depois de descansar-me
Programada
E põe-me a escrever
Eu não tenho nome
Tudo que pra mim era um dia certo
Como as rimas
E tempo médio do poema
Se desvanece e morre
Eu não tenho futuro
E não posso fazer promessas
Tudo que tenho é essa imagem no espelho
Que no susto de Pedro
Me soou perfeitamente familiar
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
Boomer
Diz pra ela que Hiroshima reergueu-se
Mesmo que o 11 de setembro
Tenha tido danos
Irrecuperáveis
Não quero que seja ela
A contabilizar os meus fracassos
Ninguém vai celebrar os meus sucessos
E a cruz que carrego
É pesada demais
Pra ser arrastada sobre mim
Como quem fosse dividir o peso
Tombando-o
Nas mais doridas de minhas vértebras
A solidão que pratico
E o ato de calar-me,
Perante todos que me novamente
Oferecem a chance
De retirar a espada de Arthur,
É também um ato de fé
O protesto célebre da morte
É o silêncio
E a severidade com que se procriam as células
É onde arde a arte
De permanecer.
Diz que venci a guerra
Que matei meus inimigos
Mas não que ganhei a mão do Príncipe
Pois disto ainda não sou digna
É preciso um reino
E terra fértil
Para prosperar
Abacaxi
Teus lábios moram nos meus
E me cobrem
Pesando o amor sobre meus olhos
Me sinto dormente, ausente
Em outra dimensão
Medindo o comprimento dos teus dedos
Na palma de minhas mãos
No silêncio da minha face
E no desmontar de minha total entrega
Aos teus olhos profundos
Que nem sempre surgem
Escorrendo entre o rio negro
Dos teus cabelos que me afogam
E à maneira como escapam teus sorrisos
Tenho vontade de ser sua
Só sua
Cada centímetro de meu corpo
Que arde sob o teu comando
Sob a tua presença
Eu sou um fio condutor
E te conduziria para o mundo inteiro
Mas antes
Quero te convidar para entrar em mim
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Bordel
Não quero discutir contigo
Filhos e netos
Planos de futuro incertos
Nas pautas frias dos teus cadernos
Quero te recitar entre meus lábios
Feito poesia
Mas que antes você me cale
Porque se alguém nos ouve
Entre sussurros
Pode ser que eu nunca mais te encontre
E eu preferia nunca me encontrar
Não quero dizer que te amo,
Pois não tenho tempo de te fazer feliz
Enquanto procuro uma saída
No meio desse furacão
Sei que meu caminho é desvioso
E não há nada de certo em minha vida
Mas as vozes me disseram pra te procurar
E quando meus olhos te encontraram
Como meus olhos moram em você
Eu fui a mais feliz do mundo
Por alguns segundos
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Jardim
Teu quadro me assiste
Secando em passos lentos
Me sinto uma planta
Encontrando pela manhã
O primeiro raio de sol
Faz pouco tempo que te conheço
Tenho sido seca e morta
Mas teu espírito
Corteja o meu
E me atrevo de novo
A pisar sobre minha dor
Sonhei que te conhecia
Que sentia vida
E roubava os cachorros da morte
Para depois devolvê-los
E partilhar com ela
Os meus estranhos amores
Hoje tive vontade
De estourar o balão que te sufoca
Trazer-te para o chão de volta
Criar raiz, cultivar nosso jardim
Mas o balão é teu
E eu sou uma estranha te observando.
Além de olhos tenho um par de mãos,
Tenho dores que carrego nas costas,
Tenho lábios para te acolher.
Não sou muito,
Não me confio,
Às vezes tenho vontades
E tive algumas quando te vi.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Don't wear black
Spoiled child
Wine bottle
Droping water
On a cup
Blue candy,
What can I do for you?
Cotton candy,
What can I do for you?
I'm here
A mourning cat
A weird pillow
I'm yours
Big sister
Aching sunset
I'll bring you a bottle of wine
If you need one.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Girassol
Ô, Girassol, me ajuda
Prometo não brincar de bem-me-quer
Eu só preciso de um pouco de sensatez
Eu sei que amaste outra
Eu compreendo
Mas não foge, não some
Eu me sinto tão culpada
Te esfregando esta sujeira
Lembra de como era?
Quando a gente conversava
Ô, Girassol
Fica
Vamos ouvir música juntos
Não sei lidar com essas coisas, sabe?
Desculpa
Eu não quero estragar tudo
Mas o que eu faço
O que eu faço, Girassol,
Se o meu coração não é sensato?
O que eu ponho neste maldito buraco
Que existe em mim?
Ô, Girassol, promete
Que vai me fazer companhia
Quando o sol se puser
Quando eu já não souber aonde ir
Promete que me fala de coisas bobas
De tu, do resto
Me fala das tuas flores
Eu sempre vou tentar
Ser a pessoa mais gentil contigo
Às vezes é o que me salva
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Gira pra cá
Fico rindo quando falo contigo.
Me deito na minha calma
Quando te escuto.
Saltito, passeio, danço,
Quando tu me mostra coisas.
Poemas, medos, canções.
Agradeço quando você está.
Quando você existe.
Fica,
Fica aqui.
Fica pra sempre.
Eu gosto tanto de ti.
Eu fico sempre aqui, prometo.
Mesmo quando quero, não vou.
Não sei ir, como tu não sabe terminar poemas.
Eu tô sempre deitada num degrau de escada.
Esperando você querer florescer
Pra te mostrar o sol.
Não se magoe nunca
Quando eu disser que espero a tua vontade.
Entendo
Que nem sempre é tempo de gostar do vento.
Tento te dizer as coisas
Que às vezes saem erradas
(Nem sempre eu sei escrever).
Se quiser,
Se puder,
Venha me ver.
Me conta sobre as lagartas feias
E sobre os pássaros que só as sabem devorar.
Me conta das outras flores,
Das cores do céu quando o sol se põe ou nasce.
Me conta das estrelas que eu sempre me esqueço de contar.
Fala comigo,
Te ouço,
Sorrio,
Agradeço.
Chocolate de flor
Te entrego um pacotinho de atenção.
O pacote é pequeno, mas nele cabe muito de mim.
Tu és o borbulhar do meu brigadeiro,
E sempre vale a pena queimar a língua para te comer.
Te amo.
Difícil explicar
Sem falar do chocolate que melhora a vida.
Tu és chocolate e flor.
Tu és todas as coisas que me dão vontade de estar aqui.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Simbiose doce
Anestesia o meu caos
Gosto muito de ti
Me esqueço às vezes
Mas somos sempre risos
Te amo quando o sol se põe
Te empresto o meu peito
Dorme nele sempre que quiser
Te guardo te espero te cuido
Querido sou tua
Pra quando precisar
Não teme não enraivece
Que pode não parecer
Mas na verdade tudo que é pra ti
Me faz bem
Te faz bem também
Se forma a nossa simbiose da doçura
terça-feira, 24 de março de 2015
Impermanência
Que fosse eu,
Que fosse tu,
O importante era que funcionasse.
Que desse certo para alguém.
Eu, por outro lado, não gostaria também de ser abandonada.
Se tu fosse feliz, me escoraria em ti.
Ao passo que, na minha vez, faria o possível para te trazer comigo.
Que ganhássemos mais do que o esperado dessa simbiose forçada.
Mas a simbiose nunca funciona no mundo humano.
Somos seres independentes, condenados à individualidade.
Usamos pontos e vírgulas, mas nunca há empatia o suficiente.
Queria fazer de tu minha cabana, como faço a todo resto.
Mas não somos compatíveis.
Nunca somos.
Não há compatibilidade que resista à minha impermanência recorrente.