sábado, 19 de setembro de 2015
Você é mais que álcool
Meu coração bate
Eu ando pelas ruas
Sorrindo, preocupada
Apaixonada,
Ansiosa com o encontro
Do teu corpo no meu
E quando minha mãe souber?
E quando ela souber?
Ela vai ter que saber
Ela vai ter
Porque se eu te amo tanto
Se vamos morar juntos
Se vamos fazer sexo por horas
E você vai largar essa menina
De uma vez por todas
Bem, querido
Eu vou precisar contar pra todo mundo
Talvez eu seja mesmo muito ingênua
Talvez você vá me largar a qualquer momento
Afinal, você já mentiu tantas vezes pra mim
Não foi?
Mas eu te amo
Então, de que isso importa
Se você já disse
Que me ama de volta
De novo
E de novo
E de novo
Eu preciso sair correndo e ir te ver
Eu vou sair de casa
Eu vou acordar cedo todos os dias
Eu vou tomar vergonha na cara
Trabalhar, estudar
Eu vou fazer tudo que eu tenho que fazer
Por você
Pra ir te ver
Pra te salvar
Pra te apertar contra o meu peito
Até doer cada centímetro de mim
Mesmo que você agora esteja com ela
Mesmo que eu queira falar contigo
Todas as horas
Mesmo que eu tenha tanto medo de tudo
Dos meus pais, dos meus amigos,
De você, de Deus, do universo
Do dinheiro que eu posso não ter
Do trabalho que pode não ser como eu esperava
De ficar sozinha outra vez
De não saber lidar com coisa nenhuma
Diz que me ama mais uma vez
E eu vou a pé se for preciso
Até a tua casa te beijar
Diz que me ama mais uma vez
E eu passo mais três dias sem comer
Sem desanimar nenhuma vez
Sem voltar atrás, sem titubear
Pode parecer absurdo,
Mas hoje eu comprei um daqueles livros
E mais uns quatro
E você vai ver que até o final do ano
Eu terei lido todos eles
E mais alguns
E terei passado em todas as disciplinas
Até naquela chata de projeto
Vai dar tudo certo, eu prometo
Eu vou me esforçar bastante
Mas volta e diz que me ama
Só mais uma vez
Porque eu te amo tanto
Diz que me pertence
Que vai vir correndo
Que vai morar comigo e ter 10 filhos
Quinze, vinte
Diz que vai morar comigo debaixo da ponte
Que eu juro que faço tudo direito
Eu salvo a gente
Eu me ajudo, eu te ajudo
Eu te levo e te encho
De todos os carinhos já experimentados
E uns novos até
Eu fico contigo pelo tempo que você quiser
Mas vem
Vem sempre
Volta
Me chama
Me liga
Me ama
Diz que me quer
Que eu faço tudo
Que eu fico aqui pra sempre.
Peter, Tinker
Não durmo, não corro
Não me desespero
Não fumo, não bebo
Não teço maldades
A mim ou a outros
Não quero outra vida
Não quero outra hora
Não quero outro dia
Só quero você
Se tenho você
Só quero que pare
O tempo e o mundo
Só quero isso agora
Só quero que a noite
Não morra
Que o dia nunca
Acabe de amanhecer
Não preciso de nada
De filhos ou futuros
De profissões ou respostas
De missões, recompensas
De qualquer evolução
Ou indulgência
Não preciso de casas,
Dinheiro, alimentos,
Não preciso de um motivo
Ou de qualquer tipo
De problemas
Não preciso de tintas
Para pintar
Não preciso de canetas
Para te escrever
Não preciso de nada
Absolutamente nada
Além de você
Não preciso de água
Não me lembro de mágoas
Eu sou só uma fada
Você só precisa dizer
"Eu acredito"
E eu vou sempre
Tornar a aparecer
Eu Tinker,
Você Peter
Nossa Neverland
E nunca,
Nunca,
Nunca,
Nunca crescer.
Aqueles que contam
O tempo poderiam
Irem-se todos
Embora
De uma vez
Por todas
Agora eu te tenho
É tudo que importa
É tudo que penso
É tudo que sinto
É toda a existência
Amanhecer
Minha rua tem um cheiro maravilhoso,
Acho que choveu enquanto eu dormia.
Eu amo esse lugar.
Eu amo você.
Eu queria te trazer aqui,
Te arrastar por esses caminhos estranhos, bonitos,
Parar para te beijar a cada esquina
E rir ofegante de empolgação.
Eu queria te estender na minha cama,
Deixar a janela aberta para
Que o mundo nos pudesse ver.
Eu e tu, eu e tu.
E essa brisa de praia que me alcança
Queria que você sentisse.
E a suavidade dos meus dedos
Queria que você pudesse
Notar te percorrerem caminhos diversos
Queria te ressuscitar
Para o mundo lá fora
Através das minhas mãos pequenas.
Ah, Peter.
Tudo aqui é tão mais belo
Agora que eu te amo
Agora que o amor tem liberdade de ir e vir
Pra onde desejar
Ah, meu querido.
Queria que você pudesse
Encontrar meus olhos fascinados
E sei que você conheceria
Tudo que sou
Além do tudo que já sabe
Queria que me pudesse sentir
Viva, bem aí dentro de você
Em tua carne, sangue, cheiro,
Em tua busca fugaz por oxigênio,
Em teu estômago, bem ou mal satisfeito
Na fonte das palavras tuas
Que tanto amo.
Se me arrepia a pele
O frio ameno da manhã
Se tombam de cansaço
Os pés de muito andar
Se bate meu peito forte
E reivindica a própria existência
Eu penso que te amo.
Penso, porque de fato amo
E tudo ao meu redor
Tudo que posso, tudo que faço
Tudo que me esbarra nos sentidos
É igualmente um sinal de que vivo
E de que te amo
Vivo
Existo
Amo
Mas ainda queria você aqui.
Queria que pudesse se ver em mim
Na minha felicidade, paz
Na minha vontade de viver
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
O ir e vir depois
O amor martelando a espinha,
Como se doesse
Mas na verdade, apenas alivia,
O corpo se joga
Exausto
Na calçada fria
A via expressa, a SuperVia
E paz que cala qualquer fome
Já não sei seu nome
Nem faz diferença
Quero que ele vença
Mas isso não é mais uma competição
E se ele alcança a casa
Onde agora botamos chão
(antes não tinha)
E se tudo que era sonho
Agora se faz sentir
Fora da carochinha
Em meus pés e mãos
Já não aflitos
Em zero porcentagem de conflitos
Em sorrisos e mais sorrisos
Para o nosso corpo
No meio da rua
Ignoro avisos
É ele tudo que eu queria
Que supera o sol e o peso que suporto
Que supera as noites de sono perdidas
Que supera até meu alimento
E, pasme, os meus vícios de sempre
E como poderia não ser ele
O escolhido da minha pequena fábula
Com a moral de sempre:
O amor resgata tudo
Não importa a ida e sim a volta
E hei de voltar pra ele todos os dias
"Preciso ser flor"
Flor do meu jardim
Para que eu, borboleta que sou,
Pudesse beijar-te todos os dias assim.
Pudera eu
Sentir tua doçura
E alimentar-me,
Borboleta que sou,
Da tua beleza.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
90 graus
Se fossem três traços, seria simples.
Se fossem no tecido, seria fácil.
Mas, a superfície,
de cores peculiares e sua sutil variação,
possui nomes em dobro,
foneticamente compatíveis.
Pertence a um nome composto,
que é demônio e também é santo.
Não doi como antes doía.
Não queima a pureza do espírito,
ou sequer condena o que a danifica.
A inicial do nome de luta,
que esconde a sua verdade na rotação,
agora adora o seu dono,
como se não houvesse mais volta.
O que agora existe não deseja volta.
Traços irregulares,
dispostos em três direções,
carregados de transparências bege,
equivalem à oração de todos os dias.
Peter, meu Peter.
Revelam a permanência
do que não pode ser previsto.
Peter, meu Peter.
Cuja identidade é forjada
em letras de escolha própria,
consciente da própria voz.
Peter, meu Peter.
E seus belos tímpanos
em deleite dos meus elogios.
E meus profundos olhos
à espera da aparição
de seus medos e recados.
Peter, meu Peter.
E os diversos pecados
que decido não cometer.
Se não tivesse, outrora,
avistado o poço,
Se a face que hoje agrada
não tivesse observado com cuidado,
Se não tocasse insistentemente
nas mesmas teclas melódicas,
Ou se, por acaso,
não sentisse medo a cada verso,
Não teria ainda
as vestes que hoje habito.
Não seria,
em voz quase exclusivamente interna,
fonte de luz alguma.
Não preencheria jamais
os pequenos vãos que me moram.
De que me valeriam, afinal,
as marcas de batalha,
se não antes soubesse
a beleza da sua estadia?
Peter, meu Peter.
Não há validade mais extensa
que a da regeneração finita.
Se há cura para o que me cobre,
Há cura para todo o resto.
E todo o resto agora
existe em torno de Peter.
Peter, meu Peter.
Precisamente meu.
Preciosamente
Peter.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Fernando Pessoa:
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Adoleta e Chapéuzinho
Panela no fogo,
Barriga vazia.
Eu e ele todo dia,
Eu e ele todo dia.
Acalma o afeto,
Não liga se chia.
Logo se alivia,
Não muito se cria.
Comida no prato,
Panela na pia.
Amor lá na ilha,
Amor lá na ilha.
Não serve potinho,
Não serve bacia.
Não serve lentilha,
Não serve família.
Você de forcado,
Você de forquilha.
Você e a manilha,
Você lá na ilha.
Dois olhos de água
E agora sorria.
Se chove lá fora,
Aqui dentro resfria.
Estia ou alastra
Na pele macia.
O banco molhado,
Pingava, não via.
Marquise de sal,
Conselho de tia.
Dedinhos de açúcar,
Bem cedo já lia.
Cestinha e quitutes,
Por lá não podia.
Chapéu não sabia,
Chapéu e a matilha.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Anjo ou Lúcifer
Carrego um sol no meu peito,
Em forma de corda.
Em dias frios, eu brilho
Por necessidade ou alegria pura.
Quando você aparece,
Não sei ser outra que Tinker.
Em meus sinos badalantes,
Que nunca doem os os ouvidos,
Que nunca me causam enxaqueca
Quando você vem.
Eu te amo tanto que ninguém entende.
Eu te amo tanto que digo que te odeio,
Tamanha a saudade.
Fica bem.
Você e a tua cadelinha.
Fica bem, que eu melhoro e minto de novo.
Fico dizendo pra mim que vou te encontrar.
Sabe, às vezes eu ponho uma coisa na cabeça
E ninguém tira.
Pode ser um chapéu ou um eletrodo.
Eu acho que sonhei contigo.
Ou terá sido com outro garoto?
Ninguém compreende
Que eu te amo tanto,
Que só de pensar em estar contigo,
Tudo se aquieta,
Enquanto tudo sai do lugar.
Ah, querido.
Por que é que eu quero te amar?
Minha mãe não aprova,
Meu pai nem imagina,
A Rosa disse que não,
A Lara mais ainda,
E todos os meus amigos,
E tudo que podia ser dito já foi dito.
Eu tentei sumir por um tempo,
Mas eu não quero ir embora.
Eu não quero ir embora.
Quero te ter pra sempre
E nunca ficar sozinha.
Eu não acredito na eternidade de nada,
Mas às vezes o poder do agora é grande.
Você é o agora mais forte que eu já tive.
Em manhã chuvosa,
Em noite que eu não viro,
Eu sinto tua presença virtual
E não poderia sentir nada mais belo.
Te encosto no ar,
Mergulho em canções que nunca fazem sentido.
Eu poderia nunca ter te conhecido.
Mas seria triste, sempre triste
Não ter a sua existência por perto.