domingo, 1 de setembro de 2024
Vivid Reptile
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Tesoura
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
Um escorpião nunca ficou calmo na vida
sábado, 25 de setembro de 2021
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Fly Away
Lemon, lemon,
Lemonade
Sweet soda
Wewi bubbling
Those teeth marks
On my water bottle
I carry someone else's son
Pretend I'm not a nazi abortionist
A punk dictator
Baby murderer
A dying soul
Doomed, cursed
I smile next to a yellow cage
To a yellow species
I tell him about the rising of the sun
But every day goes down
And with the fall
I drown in the dark
Try not to choke
On the absence of smoke
Keep it on three
Keep myself free
But now I have gray
domingo, 22 de dezembro de 2019
Dezessete
Eram dezoito e dezoito
O cheiro do natal chegando
A melancolia já me acenava
Pensei em você.
Nas nossas SMS em Volta Redonda
Na mesa da cozinha da minha tia
Você queria ser vlogger
Criar um canal no youtube
Eu achei tudo um lixo
Mas tentei não dizer:
Não queria arruinar seus sonhos.
Acho que você percebeu
Brigou comigo
Frustrado
Pensei
Enquanto te lembrava
Em flashes rápidos tudo
Você em festa, em texto, em call, em trauma, em relacionamento, bio no twitter, telefonema psicótico,
O meu cabelo rosa, Sasusaku, o infarto, os fundos do teatro,
O avião, e o ano inteiro decidindo se me jogava ou não nos trilhos do trem.
Pensei
Agora estou apaixonada
Por outro
Estou apaixonada
É a primeira vez em cinco anos
É a primeira vez desde março de 2015
Quando te amei
Que eu não acho que estou condenada a ti
Quis te contar
Repensei
Era como gravidez
Muito cedo dá azar
Melhor não, não
E se eu abortar?
Eu não quero ficar sozinha no mundo
Quem é que eu vou ser?
Você era o único que costumava me entender.
Acho que estou morta
Que tudo isso é uma grande peça que me estão pregando
Eu faço muita graça a algum público
Acho que já comecei a me arrepender.
Está tudo errado, tudo errado.
Eu nunca estive tão só.
E quantos mais encontro,
E quão mais perto chego,
Mais me sinto só.
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Tu, depois você
Eu procuro nossos dois livros
E seu blog, para ler novos poemas
Procuro versos teus, reclamações
Soltas pelo meu caminho
Procuro a tua voz
No meio da tarde
Você sabe que meus dias viram noites
E estou em plena madrugada
Acordo insone às três da tarde
E quando estou prestes a chorar
Penso em você
E quando estou prestes a morrer
Busco você
Pelos meus textos, pelo meu corpo
Do que ele ainda lembra,
Os cabelos negros molhados,
Pesando nos meus olhos
Aquele abraço infinitamente quente,
Gigantesco,
Como abraçar um ser sobrenatural,
Os pés qual grossas pilastras,
Me fazendo sentir pequena,
Ausente,
Teu peso exausto sobre mim.
Eu te disse que ainda te amava,
Que tu era uma outra metade, gêmeo
Uma reprodução deturpada
De tudo que conheço sobre mim
Eu te disse que preferia morrer
A ouvir teus lábios
Mas mentia, pois preferia morrer
A qualquer coisa,
Exceto a ouvir teus lábios
Dizendo que me ama também.
E tu me disse, como sempre espero
E tu riu de meus comentários bobos,
Falhos, coxos, vis,
Você riu de minha insanidade
Como eu tivesse carisma
Como realmente enxergasse algo
Por detrás de meus ossos esfarelados;
Mais uma vez eu te disse coisas
De que me arrependi.
E foi sublime ouvir os teus sorrisos
Teu suor no rosto, a tinta respingada,
E te busco cega, pra tentar resgatar
Aqueles enormes 5 minutos.
Eu não escrevo mais textos,
Sigo calada,
Tento buscar nos teus
Algo que me comunique
Que me manifeste
Que prove a minha existência fúnebre
Se te amo e te sou, em certa parte,
Não há matrimônio ou prole,
Não há futuro,
Eu só preciso sobreviver.
sexta-feira, 8 de março de 2019
Braços
Cada abraço tem vida própria
Única
Como um ser
Que fosse nascido
Pra morrer em alguns instantes
Às vezes não te toco.
Os dias nascem e morrem
No horizonte cego
E estou longe.
Não sinto seu coração,
Não sei das coisas que faz,
Do mundo que sente,
E nem se te arrancasse os olhos,
Me fizesse lente,
Eu conseguiria enxergar tal qual.
Às vezes não nos conhecemos.
Tem dias
Em que escuto pelas frestas
Um eco distante de teus murmúrios,
O arranhar macio de tua digitais
Marcando toda a parede do corredor.
Tem dias, sei,
Em que me ouves chorar
Baixinho, baixinho
Sob as cobertas
Dizendo que perdoo o carnaval
Por despedir-se assim
Sem me encontrar.
E se me encontra tu
Ou ele,
A festa da morte ou
Um sonho breve de depravação,
Eu conheço meus dois braços gordos
De sempre
Que não os reconheço no espelho
Mas que sei usá-los
Prontos para atar em ti
A minha solidão.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
The otter and the other
Get me out of my home
But let me keep my babies
Cut my money in half
But let me keep my babies
Take over my time
But let me keep my babies
Keep my sanity low
But let me keep my babies
Please,
Let me keep my babies
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Fotograma
Me lembro dos nossos cigarros de camomila
Como se fosse ontem aquela tosse
Aquela luz azul alinhada em você
Me lembro dos cabelos dele me afogando
E dos pés de sustentação
Aqueles pés gigantes que me desconectavam
De todas as vezes em que ele me torturou
E eu ainda o amo
E eu ainda tenho vontade
De te queimar a pele com meus abraços
E os cigarros acesos
E o meu pulmão em brasas
Eu sinto falta da fumaça que me adoeceu
E hoje sou alérgica
A homens intensos e a tudo no vento
Eu sou alérgica a mim mesma na frente do espelho
Porque sei o que desejo e necessito
Sou coxa de mim
Mas entre um desatino e outro
Entre os flashes e frames da vida real
Nos quais me percebo de repente
E sumo
Eu me lembro
De quem
Ou do que
Eu costumava ser
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Fé, 5am
The sky is a shading purple
The city ain't awake yet
This is the most familiar feeling
The movement of my right hand
When it scratches my neck
The feeling that you've experienced something
No one else did
And therefore,
Will never be able to understand.
There is some sort of beauty in this pain
The loneliness of being one
And only one self
Realizing that it's gonna be it
For the rest of your life.
Everything you feel
And everything you taste
And everything you see
Will be a quick breath.
In a matter of seconds
Will no longer exist.
Anything is but a thought
Inside your confused mind.
But then I walk through the kitchen
Of this so said house
I go through the hall,
Take a peek on the living room,
Scale the stair into your bedroom,
And slowly slide into your your blanket.
It feels warm and soft
Inside your chest, so
I deep breath
And let my shoulders down
And fall asleep.
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Alone at house one
Bunny gosta da chupeta de coelhinho que brilha no escuro.
E de uvas verdes sem caroço. E do desodorante que tem cheiro de bala de morango.
E do senhor T.
Patrícia gosta da ideia de morar em sua própria casa.
Alice odeia os insetos. Tem algumas lembranças boas, mas não aparece muito porque a casa a deixa confusa. Não é mais um lugar que ela reconheça. Está estranho. Não é mais como foi antigamente.
Lola brinca com o corpo de T. aproveitando a intimidade que ele e Bunny têm. Acariciá-lo é mais confortável e seguro que deixar que Nadine desabe no sofá da sala ou nas cobertas frias.
Nadine sente calor. Um calor insuportável. Faz quarenta graus em todos os cantos e ela só se acalma em frente ao ar condicionado que no corpo provoca alergia. Nadine odeia a vida. Finge que odeia T; mas ele é sua única saída.
Encontramos uma carta nossa na gaveta do pai.
Uns querem roubar. Outros querem pôr fogo. Fingir que nunca aconteceu. Alguém recomenda que falemos sobre isso. Com quem? Quem iria entender? Nos sentimos sozinhos.
Eu me sinto sozinha.
A dor mora em mim, e eu tenho sobrevivido.
Melhor contigo, mas,
Ainda doi.
domingo, 28 de outubro de 2018
Unbroken toy
Sigo tomando mais banhos
Quando estou contigo
Escovo os dentes mais vezes
Passo fio dental
Você não me faz sentir
Menos como um brinquedo quebrado
Você me faz sentir viva
Com água e oxigênio
Uma planta bem verde
Florescendo em novembro
Uma fruta doce
Que você pega do pé
E morde sem lavar
Eu sou um evento da natureza
Um amor que nasce nos teus olhos
Cresce nos teus braços
E prospera
No teu quintal.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Rex
Eu sou uma criatura revolucionária.
Ele me puxa pelo pescoço
E me manda ajoelhar.
Cada vez que sua violência
Pesa em minha face,
Eu sinto milhões de beijos
Explodirem dentro de mim.
Seus enormes dedos
Me violam os fios de cabelo,
E tentando arrancá-los
Me carregam para onde eu devo ir.
É a minha revolução
Que se deita sobre o carinho
Destes dois olhos.
Porque nasci e pari
Este único propósito:
Desobedecer.
E quanto mais forte a mão
Que me alicerça,
Maior a minha segurança
Ao perfurar os mesmos dois olhos
E resistir.
Ele me leva feito cadela,
Pela coleira, de quatro,
Nua, pelo chão.
Me beija e me fode os lábios
De criatura revolucionária
E dentro deles
Sustenta
E honra
A minha revolução.
Morro da fé
Eu pisco os olhos
E três dias se passaram.
Eu não me lembro quem sou
Ou o que faço,
Além de muito chorar
Entre seus braços,
E tentar sempre comer
Sem derramar.
Eu nunca quis parir
Um filho homem.
Tinha medo
De que criasse um monstro
Pra me devorar.
Mas, aqui pensando
Nos teus olhos
Entrefechados,
Eu criaria um filho
Para ser assim, como você.
Eu criaria um filho com você.
Sinto que estou prestes
A desmaiar e morrer.
Me deito, esperando meus pesadelos.
Nutrindo em meu útero teu nome
Para amar, como fosse parte de mim.
A vida tenta abrir a porta,
Eu passo a chave.
Ligo o ventilador
E fecho os olhos.
Você está aqui comigo
O tempo todo.
Mora dentro de mim.
domingo, 14 de outubro de 2018
But it does get easier
You are like soap to me.
I take three showers in a day
And never felt so clean
My skin's about to peal itself out
Of my broken body
And chest.
I give my heart to you
It feels cliché
And I don't let myself fight it.
Haven't been finishing texts, but
The fear gets smaller
And life goes on.
I go to you
To fall asleep in your arms.
sábado, 13 de outubro de 2018
Bunny
Senti teu cheiro.
Penso em você
E você me visita
Como não tivesse estado aqui
Há quatro dias.
Meus olhos pesam
Prontos a desistir de tudo,
Mas eu me sinto sua.
E me desmaio sua,
Nas tuas mãos que se fecham
Ao redor do meu pescoço,
E dos teus lábios
Que me mandam ajoelhar-me
Igual ao Rex.
A vida tem sido escura
E promete diariamente piorar.
Sinto que você e outros têm mentido
Fingido que o mundo não desaba
Mas o meu sim,
E tem que desabar.
Se desci aqui
Para existir
E doer,
Ora luto,
Ora prego os olhos,
Ora sou tua.
Segue-se o acordo.
Escolho teus dedos de nuvem
E me sinto injusta
Entre as injustiças da vida
Você é a mais bonita.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Gaturamo
Meu dedo finge de morto
Um colibri no fio
Observa a manhã nascer
E eu não quero falar
Sobre o que muda no mundo
Não quero me mover demais
Pra não assustar os pássaros
Mas me sinto calma
E pronta pra seguir a minha vida
Com medo e tudo.
O silêncio que o dia traz
Com tosse, assobios
E nuvens mornas
Não me sufoca
Não arranha minha garganta por dentro
Não me manda fazer nada ruim.
Tenho cometido muitos erros
Desde que me entendo por mim
E mesmo que eu cometa mais um
Quer dizer, você sabe né
Não vai ser o fim do mundo
Além do mais,
Você vale o risco.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Red Dust
Once my heart was shattered
Into very little pieces
And since back then
I'm used to smash it
As I swore
To never feel that pain
Again.
But here you are,
Stealing my ashes
Turning your dew
Into our beautiful mud.
And as I wait for you
To stab me in the front
You grab my wet neck
And trick me into having fun.
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Condomínio
Esmago um doce
Em minha língua
E penso comigo
Se vai sentir o gosto daí
Passo meu dia
Carregando em meus lábios
Os teus
Como colados
Como um batom invisível
Algo inteiriço e sensível
Algo seu.
Me invadem
Aos berros
Violências
A vida me rasga
Sem piedade
E eu não esperava menos
Pois teus dois lábios
Seguem colados nos meus
Calando-me
Pois se tenho isto,
Devo suportar.
As vozes dentro de mim
Me guiam aos precipícios
Eu tento me manter sã
Moer um doce
E na minha língua
Que te lambe ainda
Eu ponho um pedaço de algo
Tentando fazer parar
Meus pés retorcidos.
Acordo meu dia
Para o apocalipse
E as nuvens
Não chovem nada de novo.
Em meus lábios
E língua
Você se instala
Eu sou um conjunto habitacional.