Fatio meu pulso esquerdo
Como uma cenoura descascada
Fatias finas, lâmina afiada
Legumes para a salada do almoço
Meus olhos não derramam lágrimas
Eu não sinto nada
Afinal, é apenas uma raiz colorida.
Nada dela escorre.
Seca e crocante,
Talvez eu seja um coelho,
Talvez.
Prometi que seria alguém melhor,
Mas nunca teve importância.
Eu não quero morrer,
Pular de um prédio,
Comer cenoura.
Eu só quero seguir sofrendo,
Doendo e só,
Doendo e só.
domingo, 6 de maio de 2018
Sopa
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Resilient
Em alguns dias
A vida não tem nada para oferecer
Um doce, um alento, um trauma
Algo de que se lembrar
Em alguns dias,
As pedras no chão são apenas pedras
A poeira no céu cinza
É apenas ar
Os degraus não vacilam sob os pés
Não há nenhuma conclusão brilhante
Ou dúvida cruel
Certos dias não são de amor ou de luto
Com qualquer propósito além do mínimo
Seguir respirando
Aguardando o dia acabar.
Alguns dias, em mim
São natimortos.
Não tento revivê-los
Nunca nasceram.
Nunca existiram de fato
Só são algo
Ao morrer.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Pregobol (ou mais um cemitério)
Uma fotografia esquálida
Carcaça da minha infância
Meu passado sujo,
Ferrugem
Um plástico verde sob cadáveres
Os pregos pretos gastos
Carimbando em minha memória
Meus muitos dias de vida
Se é que posso chamá-lo vida
Mergulho em frustrações ingênuas,
Esperança vã
Como tivesse sido sempre este chumbo
Deformando-me
Em direção ao magma
Paralisada diante da imortalidade
Se morro e descubro
Que esta existência se segue
Tenho medo da morte
Porque este é o fracasso que mais me assombra
Não poder desistir.
Sou uma resistência inconformada
Um eterno dilema
Entre ser ou não ser
Uma versão barata de hamlet
Uma cópia fajuta
Sou o desejo tolo
Insaciável
De descansar.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Peter's hand held out
Repito para o espelho:
Eu sou uma péssima pessoa.
Preciso aceitar que sou
esta péssima pessoa,
que me seguem dizendo.
Preciso ser a boa pessoa
que me seguem exigindo.
Fecho os olhos para as súplicas.
Mostro minhas omoplatas contorcidas.
Elas dizem eu tenho tentado ser essa pessoa.
sobre meus pés.
Se me entoco, silenciosa e distante,
É gritar o tímpano alheio,
distoar-me.
Se falo, reajo, conquisto território,
Sou exército, que cala os fracos e governa
Até a rebelião.
Governar terra alguma.
Quero é ser só.
Sou covarde.
Me olho e repito ao espelho:
Sou covarde.
Por isso deveria seguir regras,
e não a revolução.
As regras não me respeitam,
não obedecem.
Torno-me deusa, dona de mim.
Não de mais ninguém.
Apenas das minhas omoplatas
corrompidas e tornozelos gastos.
Como tenho dito,
Se sou bárbara, homicida, omissa.
Sou algema.
Um peso atado aos pés de escravos.
Qualquer coisa que não humana.
Isto apenas eles são.
para apunhalar-me,
que não muito demore,
pois morrer aqui
é todo o sentido que me restou.
Se sigo viva,
Te amo até o dia
de minha morte.
Para que eu possa ao menos
Suportar a dor.
Despedida
Cresceu para se tornar
Alguém que eu não amaria
Agora vive as próprias mentiras
E está prestes a pagar as próprias contas
Encontrou um sentido na vida:
Não ser.
Como tenho insistido que ser
É tudo que pra mim há,
Ele há de se tornar
O que desejou para si
Em seu caminho sóbrio
Regado em ódio,
Sacrifício e pedestais.
Não sinto falta
Porque aprendi a ser só.
Achei que não viveria
Mas vivi
E nesta vida que tenho agora
E vivo só
Ele não encontra mais espaço
Para me encontrar.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Errada
Sonhei contigo esta tarde.
Eram três em ponto e eu estava acordada.
Você tocava a minha mão
Me olhava nos olhos,
Como sempre o tivesse feito,
Eu estava errada.
E não tinha problema em estar errada
Mas cometer tamanho erro
Em dada circunstância...
Eu fechei meus olhos
Enquanto acompanhava
Desolada, desabrigada
E enquanto meu mundo desabava
Eu queria te amar.
Não que não amasse,
Pois amar ou não amar
Em nada diferia.
Mas a escolha que eu queria fazer
De te amar
Foi o que me fez de súbito
Bombear no peito o susto
Pra acordar.
Eu sonhei contigo esta tarde.
Meus olhos estavam abertos,
E eu não sei mais quem sou.
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Bela Adormecida
Não tem nenhuma blusa preferida
Que valha escrever um texto
Uma noite mal dormida
Uma manhã ruim, um pesadelo
São cinco da manhã
E os demônios das três
Perderam o sentido
Deve ter sido o fusorário
Jet lag satânico
Meu travesseiro
Que me põe a adormecer
Só quando tenho compromisso
Me recuso a sair de casa
Finjo que tenho sucesso
Que tenho coragem
Que sobrevivo no mundo
E me amarro na cama
Cozinhando a minha morte
E algum sacrifício breve
Que me mantenha aqui
Disse que com meus remédios
Dou mais risadas
Acho que eu estava errada
Ou era mentira?
Eu não tenho motivação
Para seguir viva
Para sair de casa
Para me alimentar.
Também não teria tido
Para escrever esse texto,
Mas ele me pediu que eu escrevesse
Não que este valha a pena
Esta sequência apodrecida de letras
Mas por que não?
Acho que nada existe.
Nem eu.
sábado, 21 de abril de 2018
quarta-feira, 18 de abril de 2018
Love is not an option
I had to touch myself to sleep
Wake up in time
Do my part
But then, again
I wasn't ready to another day
That daily solitude
Was still there
And aching
Disintegrating my whole self
And I was still
Toxicly in love
With that dirty man
I bet I couldn't bear him
Getting healthy
And everything
I couldn't bear myself either
I'd rather be
Lost in a sickning sea
Than to be alone
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Another night
I guess when I look at you
And I see everything's over
Still, I am over
That's the most solid thing
In my world
It makes me feel
A little more real
In my pain
I takes my breath away
So I can
I don't know
Keep myself alive
A little more.