Me desculpe
Pelo peso que te dei
Pelas noites acordado
Pelas camisetas usadas
Pela comida da tua casa
Pelas lágrimas de sexta
Pelo ar condicionado
Sempre frio demais
Pelos roxos na tua pele
Pelo teu braço e teu pulso
Por não parar de me contorcer na cama
Por te prender de barriga pra cima
E pela tua coluna ferrada
De montar em mim
Me desculpe
Por ter te machucado aquela hora
Unha e menta
E por quase te derrubar da cama
E pelos sustos no meio da noite
Pelos meus pesadelos
Pelo poder que te dou
Com responsabilidades
Por todos os erros que cometo
Pela minha negligência
Por ter te deixado pensar
Que preferia outra boca
Por não gozar o suficiente
Por te amar o suficiente
Pra não querer te deixar ir
Por ser isto
Que sou
Uma bagunça de dores
E de amor
Incompreensível
Interminável
Indeterminado.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Bcs of my guilty thoughts
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Comida Enlatada
O mundo desmorona lá fora,
Você,
Mora dentro de mim.
Me povoa,
Gente falando alto e cores,
E cheiros e música agitada,
Pimenta nos petiscos,
Calor espetando a pele
Você me faz um pedaço da Índia
Pareço viva
Como não fosse um pedaço
De depressão
Carne de soja,
Molho de tomate
Durmo enrolada
Em sua camiseta preta
Temperada
Com cheiro de moradia
De você habitando meu estômago
De todo o mundo
Que você acorda
Dentro de mim.
Shared Trauma
Respiro a dor dele
Veneno vaporizado
Queria que me partisse
Em duas,
Com seu pedaço de carne
Fizesse em mim
O que tem feito nas outras
Não há nada mais sagrado
E mais conectivo
Do que a dor
Mesmo sangue ácido
Nas veias
Mesmo passado instável
Inconsolável
Mesma vontade pulsante
De violência
Herdeiros
Da mesma maldição.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
The otter and the other
Get me out of my home
But let me keep my babies
Cut my money in half
But let me keep my babies
Take over my time
But let me keep my babies
Keep my sanity low
But let me keep my babies
Please,
Let me keep my babies
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
sábado, 2 de fevereiro de 2019
sábado, 26 de janeiro de 2019
Abandono
Eu já não aguentava
Meus pés estavam exaustos
Eu nunca quis te ferir os joelhos
Mas você me cedeu as mãos
Como pedindo por algo
E tudo que eu tinha era este peso
Este chumbo deformado
Para partilhar
Eu estive cansada
Por tantos anos
Bordando e pendurando
E ensacando minhas mentiras nas costas
Minha tentativa desesperada de
Ser amada
Receber afeto
Existir
E falseando gestos gentis
Pelos fios de cabelos
E pelos corporais
De diversos
Variados seres
Borrados, cintilantes
Você me deu um colo para descansar
Mas eu ainda carrego meu peso
Acorrentado no lombo
Passos lentos
E pés mutilados
E peço que me devolva
Meu chumbo entortado
Mas já é tarde
Seus braços nunca serão os mesmos
Depois da dor
Que te presenteei
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Fim
Como interromper essa goteira
Como socorrer-me de mim
Me põe nos braços
Não como filha,
E sim vítima
Uma deslumbrante figura
De personalidade intragável
Me diz como voltar para a tua casa
Sem perder-me de mim
Me diz como que eu faço
Para te amar
E continuar amando
Como é sempre esperado
De mim
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
Estatística
De todas as vãs tentativas
Burras, suicidas
De todas as fantasias
De tornar-se número,
Memória,
Resquício de si,
De algo,
Não conseguia deixar
Não consegue
De ser quem é
Uma exceção a toda regra
Uma conjunção de seres
Algo vivo que se surpreende
Surge e destaca-se
Contra a vontade,
Porque implora
E abomina
O palco
Porque sustenta-se
Nessa inconsistente busca
Pela vida
Covarde
Mas os covardes vivem mais
E ela não sabe pelo que viver
Exceto
Pela coisa em si
Por si mesma.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Madeira, Carne, Aço
Não te conheço.
Não sei teu nome, de onde veio
Não sei teu cheiro,
Gosto amargo de vida,
Onde ficam tuas feridas
As que estão abertas, cerzidas
Nunca te vi.
Não ouvi tua voz cortante,
Teus dedos ásperos
Arranhando meus medos
Não te conheço.
Te encontrar não é como
Voltar pra casa.
Me cobrir de poeira
Enquanto o sol nasce,
Não é como nascer
Pela primeira vez.
Não te conheço.
Não sei teu nome
Não sei o que te esmaga por dentro
Os nós que te travam os pulmões
Tuas febres às três da manhã.
Não sei dos pontos de veludo
Camuflados nos espinhos
Não sei do vinho branco
Ou como alcoolizam teus lábios
Não sei sobre como se movem
Suas mãos
Sobre instrumentos vivos.
Não te conheço.
Mas se me der um nome
E uma chance,
Se me der um segundo pra pensar,
Se me puxar pra perto,
Respirar bem fundo,
E fizer bastante silêncio
Por alguns instantes
Vai ouvir meu peito dizendo
Sobre como eu quero te conhecer.