Eu tropeço em água
E num sobressalto
Pedro voa para o alto
Sobe na cama
Num susto
Ofegante eu tenho
Minha primeira briga contigo
Me vejo no espelho
Acostumei aos cabelos
De carboidrato
Hidrato meu rosto
Meia noite e cinquenta e quatro
Está quase no ponto
Foram seis horas e meia
Gestando essa obra de arte
Meus dedos se abrem
Como acordados de súbito
De um silêncio profundo
De um sono de décadas
Um sonífero que passasse o efeito
Depois de descansar-me
Programada
E põe-me a escrever
Eu não tenho nome
Tudo que pra mim era um dia certo
Como as rimas
E tempo médio do poema
Se desvanece e morre
Eu não tenho futuro
E não posso fazer promessas
Tudo que tenho é essa imagem no espelho
Que no susto de Pedro
Me soou perfeitamente familiar
domingo, 22 de dezembro de 2019
Gold
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
Boomer
Diz pra ela que Hiroshima reergueu-se
Mesmo que o 11 de setembro
Tenha tido danos
Irrecuperáveis
Não quero que seja ela
A contabilizar os meus fracassos
Ninguém vai celebrar os meus sucessos
E a cruz que carrego
É pesada demais
Pra ser arrastada sobre mim
Como quem fosse dividir o peso
Tombando-o
Nas mais doridas de minhas vértebras
A solidão que pratico
E o ato de calar-me,
Perante todos que me novamente
Oferecem a chance
De retirar a espada de Arthur,
É também um ato de fé
O protesto célebre da morte
É o silêncio
E a severidade com que se procriam as células
É onde arde a arte
De permanecer.
Diz que venci a guerra
Que matei meus inimigos
Mas não que ganhei a mão do Príncipe
Pois disto ainda não sou digna
É preciso um reino
E terra fértil
Para prosperar
Abacaxi
Teus lábios moram nos meus
E me cobrem
Pesando o amor sobre meus olhos
Me sinto dormente, ausente
Em outra dimensão
Medindo o comprimento dos teus dedos
Na palma de minhas mãos
No silêncio da minha face
E no desmontar de minha total entrega
Aos teus olhos profundos
Que nem sempre surgem
Escorrendo entre o rio negro
Dos teus cabelos que me afogam
E à maneira como escapam teus sorrisos
Tenho vontade de ser sua
Só sua
Cada centímetro de meu corpo
Que arde sob o teu comando
Sob a tua presença
Eu sou um fio condutor
E te conduziria para o mundo inteiro
Mas antes
Quero te convidar para entrar em mim
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Bordel
Não quero discutir contigo
Filhos e netos
Planos de futuro incertos
Nas pautas frias dos teus cadernos
Quero te recitar entre meus lábios
Feito poesia
Mas que antes você me cale
Porque se alguém nos ouve
Entre sussurros
Pode ser que eu nunca mais te encontre
E eu preferia nunca me encontrar
Não quero dizer que te amo,
Pois não tenho tempo de te fazer feliz
Enquanto procuro uma saída
No meio desse furacão
Sei que meu caminho é desvioso
E não há nada de certo em minha vida
Mas as vozes me disseram pra te procurar
E quando meus olhos te encontraram
Como meus olhos moram em você
Eu fui a mais feliz do mundo
Por alguns segundos
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
Sober Tiger
It's not about hiding my feelings,
I try to tell her,
Au contraire
I have no intention of relief
But to seek for a burning destruction;
What's there to be more alive
And consuming
Than fire itself?
Tiger, tiger
One might say
As my triangle finds it's peace
I try to keep up with the people
And realize
I'm not a person
Not a human being
I sew my throat
With nursed misfortune
Carrying myself
Through the drowning of my everydays
The moth cycle rewinds
I'm about to dry as a dying plant
I'm no plant either
Whatever happens it's about.
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
Resilience
She's insecure.
She crawls and yells
In the back of my mind
Shutting me down
Then teasing me up
She's scared.
These are extreme measures,
I know
What if it kills me?!?
She didn't seem as frightened while making plans to our suicide.
It's not entirely on hers.
It's been on and on for a long time.
I'm tired.
She does'nt want to go.
I don't want her to go.
I'm scared too.
Protestant.
If they are telling the truth,
Why can't I move on with my life?
Why do I rather stay stuck?
Life sucks.
I'm on my own.
She's all that I got.
sábado, 5 de outubro de 2019
Secret Masterpiece
Eu pinto as sombras
Nas folhas da noite
Difrato as realidades
E repolarizo um dia em recorte
Para provar que estou viva
Que estou certa
Que afogada nas minhas metáforas
Caóticas
E comentários sarcásticos
E despedidas constantes
E acima de todos eles
A minha vida
Está acima de todos eles
A minha vida
Vale mais que todos eles
A minha felicidade
Vale a minha vida
Eu fertilizo feijões e lentilhas
Com minhas lágrimas de morte e velório
Eu piso em caixas de ovos
E paro o trânsito de pessoas
E desrespeito tradições, e mães
E, em meio a uma obra prima fantástica,
Envolvo meus fertilizantes
Com dedos aflitos de um menor de idade
Misturo pimenta e leite condensado
Na minha língua em êxtase
E corro descalça até cheirar
Um pouco de pirulito e alho torrado
No escuro
Ninguém descobre minha obra prima
Eu ainda sou psicóloga nas horas vagas
Sigo antiética
Quase abro um filete, com o estilete
Na sala de artes
Ela grita comigo
Eu seguro a cabeça de um autista que preferia esquecer pela décima vez seguida enquanto espero um uber, então estamos no hospital, e eu sei que estou novamente pronta pra morrer. Pronta pra morrer.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Sing songs
I stuff food in my mouth
Like I'm a cotton candy bear
And I am stuck here
In the middle of nowhere
Trying to get some help
But I'm silent
Like if I had my mouth sewed
Like no one speaks my mind
As if I am from another species
I die here
On another word
Through another day, another loss
Lose the battle
domingo, 22 de setembro de 2019
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
101 quilos e 74 gramas
Teu peso pena
Sobre minha omoplata
Dormindo juntos em paz
Sem saber da comédia satírica de Glob
Te fazer meu tapete
Para que soltasse três penas
E te ver mancar desolado em minhas mãos
Rir de mim
De meus olhos piscantes
De meus delírios
E sonhos de previsão de pronto-socorro
Eu preciso de você
Eu sinto muito.
Eu preferia ter o teu peso
E você o meu
E estar debaixo de você.