segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Timeless 24 hours

O cronômetro começa sua contagem
Eu te chamo aqui
Você vem
E quando chega
Existe uma distância escondida
Eu só quero pular esses segundos
E te jogar contra a parede
Mas é quase certo
Que mal tenho forças pra isso
Está tarde
Tarde, tarde da noite
A gente sai, vai comer alguma coisa
Eu estou morrendo de fome
A gente come uma pizza
A melhor pizza da minha vida
É tão exótico e divertido
Eu dispenso talheres
E me entretenho com teu degustar
Nós rimos
Em tudo que fazemos, risos
É tudo muito engraçado, eu e você
Nós damos certo
Eu sujo muito os meus dedos
Limpo com os lábios
Você também
Nós agimos parecido 
Quando estamos perto
Nós dois damos bem certo
Dá pra ver

Vamos embora, pra casa
Bebemos uma coca-cola
Fazemos um pouco de nada, conversamos
Estamos rindo de novo, 
Trocamos de quarto,
Para não acordá-los,
Não estamos sozinhos
Mas isso não é problema
E no outro quarto, tudo escuro
Você me faz confissões, eu me preocupo
O ar ali pesa um pouco 
E eu estou quase triste

Quando eventualmente começamos
A nos beijar
E aí é tudo muito estranho
E vai continuando
É como se nos pertencêssemos
E sabemos eu e você
Que somos muito iguais
No que diz respeito a amar outra pessoa
Mas nós damos certo
E nos socorremos
Nos socorremos em braços, pernas, bocas
Ambos os corpos inteiros
Pedindo socorro
E meus lábios nunca pertenceram melhor
A qualquer lugar que não a sua barriga
E tudo agora está turvo
Eu consegui te distrair da tua solidão
E você me distrai da minha
Agora estamos juntos
Muito juntos, pois nós damos certo
Sem nos embolar

Mas aí eu estou cansada
E a gente faz uma pausa para deixar
Que o peso que o ar carregava
Agora caia sobre nós
E nos cobre feito o meu edredom
Está tudo quente
Quente, quente demais
Eu ligo o ventilador
Pra esconder os nossos prantos, gargalhadas
Pra limpar o ar do nosso ambiente
E logo a gente volta a recitar
Poesias, poesias cruas
Melodias nuas
Eu e você estamos enfim no ponto certo
Porque nós dois damos certo
A gente se entende nos lugares secretos

E quando já é dia, a gente sabe
A gente dispensa os imprestáveis
Que decidiram dormir durante a noite
Dormimos durante o dia
Para não ver o sol
Para esquecer o que as manhãs decifram
A gente acorda de tarde
E a essa altura nada mais importa
Nos conhecemos, nos encontramos
Como se nunca tivéssemos ido a lugar algum
Somos eu e você, atemporais
E almoçamos, vamos dar uma volta,
A cidade é nossa, podemos vê-la inteira
E o vento alegra os meus cabelos
E as árvores que assistimos
Eu ponho meu braço sobre teus ombros
Queria te agarrar ali no meio das pessoas
Mas me contenho
E passeamos mais um pouco
Vemos os estranhos, 
E até o sol acaba não me machucando

Mas paramos num canto, conversamos
E está tudo prestes a entristecer de novo
Você é muito sincero quando tenta não ser
Eu te enxergo
E queria poder acariciar o que você esconde
Eu não posso fazer nada
Mas nós combinamos
Eu e você
E essa nossa parte de dentro

Então começamos uma caçada
A alguma bobeira nossa
Uma tentativa de ficar feliz,
Encher o estômago
Fazemos um milkshake fraco
Fica bom
E aí eu não me lembro o que eu faço
Mas te encontro no quarto deitado
Você não parece bem de novo
Então te encho de beijos
Beijo, beijo, fica bem
O que é que está acontecendo?
Você continua aqui
A gente se consome
E está tudo ótimo
Nós engolimos o tempo 
E tudo corre devagar
Não faz sentido
É como se fosse acabar mas não acaba

A gente levanta, toma banho
Precisamos comer alguma coisa
Eu tento fazer um arroz mas entro em pânico
Eu na verdade não sirvo nem pra isso
Mas você está aqui
Então fica tudo bem

Eu estou cansada
Eu não durmo direito há anos
Eu preciso de mais um abraço, já foram uns mil
Eu preciso de mais uns beijos
É como se eu não te deixasse em paz
E a gente está no quarto errado, rindo
Rindo, rindo, rindo tanto
A gente vai acordar alguém com certeza
As bobeiras mais bobas de todas, o meu sono
A gente vê desenho
E eu fico abraçada contigo pra sempre
A gente se conhece
Mas eu sei que tá tudo esquisito lá no fundo
E mesmo assim nós damos certo
Eu e você damos certo
A tal ponto que eu na verdade me esqueço disso tudo
Você está na minha cama
E diz que me ama
Você diz escondido
Mas é perfeito
E eu continuo fazendo charme
E em algum momento
Você está tão exausto
E eu te peço pra não dormir
Não dorme
Porque se você dormir
Vai acabar indo embora
E eu só quero que você continue aqui
Eu moro em você
É chato ficar longe de casa

Mas a gente dorme
E depois de um tempo
A gente acorda
E o cronômetro continua contando
O tempo passou, passou aos montes
E eu preciso tomar um banho,
Me arrumar,
Você precisa ir pra casa
Mas eu não quero que você vá
Eu fico te beijando
Não vai, não vai
Deita aqui comigo
Mais um pouquinho
Eu te beijo, beijo
Depois te abraço
E beijo, beijo

Deu a nossa hora
Você precisa ir embora
Minha mãe pergunta se você vai ficar
Eu queria dizer que sim
Mas não posso
E na verdade tenho medo
De não poder te salvar
Mas nós ficamos tão bem juntos
É como se tudo desse certo
Nós damos certo
Você sabe disso, eu sei que sim
E aí você vai embora
E eu não consigo me despedir o suficiente
Mas eu me distraio e sigo em frente
Você me diz que vai voltar
Meu padrasto faz questão de repetir
O que você disse
Eu anoto aquilo e tento ficar calma, feliz

Eu aproveito metade do meu dia
E a outra metade eu passo dormindo
Eu sonho contigo
No meu sonho você está feliz
Genuinamente
E eu acordo com saudades
Saudades, saudades
Eu devia ter te amarrado na minha cama
Eu devia ter te dito que te amo
Mas eu morro de medo
Eu tenho medo de tudo
Tanto que espero o dia inteiro
Pra escrever esse texto
Sobre o tempo que não se calcula
Sobre a tua estadia aqui
Sobre como esse tempo
Foi o período mais certo do meu ano
Porque nós damos certo
E eu te queria mais aqui
Queria que você fosse meu 
É como se fosse
Mas é tudo tão confuso
Eu te digo
Estou confusa e curiosa
E você ri
E a sua risada faz sentido
Mas todo o resto não faz
Eu só preciso ficar aqui rindo com você
Pra me salvar
Volta, volta, fica aqui
Não vai, não vai
Para o tempo de novo comigo
Volta e não vai

domingo, 1 de novembro de 2015

Armadilha

 Você com quitutes
Você com vasilha
 Você lá na ilha
Chapéu e a matilha

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A dualidade do dia trinta

Eu levantei,
Comecei a me arrumar,
Dividi o meu cabelo em duas partes
E de repente
Era como se eu pertencesse
A dois continentes distintos
Mas o mais importante
Eu agora sabia
Que a verdade era só uma
E saindo de casa
Em minha camisa nova
Nitidamente mais azul que o céu
Eu sabia
Que nem tudo estava perdido
E mesmo que eu ainda o amasse
E mesmo eu ainda estando doente
E mesmo sendo sexta-feira
- essa era a melhor parte -
Eu estava bem
Há dias, eu sei,
Em que eu fico bem
E esses dias,
Para ele que tinha perguntado,
São o que me motiva a viver.

Se eu sei
Que os trens vão e vêm
Em dois sentidos
Da mesma direção
Se por genuíno empirismo
Eu posso dizer
Que os trens continuarão
A ir e vir o tempo inteiro
Eu preciso aceitar
Tanto a paz quanto o caos
Que me visitam
E aguardar a partida
De cada um
No seu respectivo
Passeio.

A rotina da falta

Sentada na cama
Sinto meus órgãos
Já desconfortavelmente acomodados
Faz apenas duas horas que acordei
Perdi sete horas do meu dia dormindo
E quatro horas e meia
Não fazendo absolutamente nada
O tédio me dá náuseas
Eu só sinto que preciso descansar
Mas meu quarto está muito bagunçado
Eu mal consigo me mover aqui dentro
Eu só queria um pouco de disposição
Pra qualquer coisa
Mas eu estou perdendo meu tempo
Tentando salvar alguém
Eu sou péssima nisso
Eu não sei o que eu estou fazendo
Eu não sei como é que vou viver disso
Eu moro num casulo
Apertado, quente,
Que me esmaga por dentro
Eu estou tentando coisas
O tempo todo
Mas não é como se eu tivesse escapatória
Eu estou produzindo erros
Despejando pedras no caminho
Para meus futuros tropeços
Que absurdo
Eu queria ser perfeita
Mas eu sou exatamente o oposto disso
Estou cansada da luz
E do calor
E de comer
E de manter-me acordada
Eu queria desmaiar, hibernar,
Fingir de morta
Me sentir finalmente descansada
Eu quase não me lembro o que é descanso
Sono, tédio, nada
É quase a minha vida
Isso tá ficando insuportável
Mas é só a vida de todo mundo
É isso mesmo
É normal
Insuportavelmente normal

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Truth (2?)

Ok, nevermind, eu perdi minha coragem. Adiós.

Truth (1)

"A verdade", ela disse. A verdade.

Ninguém nunca gostou de meus textos pela veracidade de seus conteúdo.
As pessoas querem a fantasia, o exagero, as mentiras, a ritmia literária de costume.
Ninguém realmente se importa com a verdade do outro além do que nos serve de entretenimento.

Mas ela disse que a verdade era importante.
Ela disse que a verdade salvaria o nosso mundo.
Eu percebi que eu costumava acreditar nisso.

Eu dizia: "nunca que eu vou deixar de fazer algo por orgulho".
Eu era estúpida.
Imatura, ingênua, protegida.
Envolta pela ignorância infantil.
Quem dera ainda fosse.
Quem dera tivesse medo apenas de lugares altos.
Quem dera acreditasse ainda em papai noel.
Talvez meus natais fossem melhores.

"A verdade", ela disse.
E ecoou em mim.
Eu não suporto essas mentiras.
Elas me cansam.
Às vezes penso que se tivesse a chance de ser completamente sincera, todos os meus medos iriam embora. E todas as dúvidas.
Às vezes tudo que eu quero é poder falar o que realmente penso, o que realmente sinto.
Isso é uma prisão.

Como exercício,
Como válvula de escape,
Como também autosabotagem,
Visto o contexto atual,
Vou despejar aqui algumas verdades.
Elas precisam ser ditas.
Na medida do possível, é claro.
E enrolo tanto porque tenho medo.
Mas sei que preciso parar de enrolar,
Dizer coisas fúteis,
Preciso desabafar
Com alguém de quem não tenha medo.
Ou seja: o papel.

Mas farei isso no próximo post,
Porque sim,
Para manter o foco.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A psicossomática do desamor

Fiquei doente.
Por um momento, pensei
que minhas mãos estivessem com defeito.
Tive medo de não conseguir mais escrever.
Vi que esse não era o meu problema
quando meu coração disparou
e se manteve acelerado
por mais de uma hora direto.
Meu pulmão fazia força desesperado.
Eu estava hiperventilando e achando que
era tudo pura ansiedade.
Pronto. Logo mais eu tinha febre,
exaustão, dores no corpo,
uma garganta ferrada,
uma dor de cabeça chata e muito frio.
Não precisava ser nenhum gênio
para descobrir por que eu estava doente.
Eu disse a algumas pessoas:
"Eu me recupero logo"
e era verdade.
Talvez por eu passar muito tempo
não fazendo nada além de descansar.
Depois que eu tomei o primeiro remédio,
não tive mais febre.
Eu senti falta da febre, pois ela me fazia dormir.
E, dormindo, eu esquecia.
Eu esquecia de tudo.
Ficar fraca e com frio, presa debaixo de uma coberta,
consciente da temperatura subindo cada vez mais,
me libertava.
Fazia muitos anos que eu não me sentia bem
por adoecer.
Era quase como se eu simplesmente
não quisesse melhorar.
Eu queria ficar ali, doente, na minha cama.
Morrer, talvez.
Eu não queria saber das coisas.
Eu não queria ficar triste.
Eu não queria pensar na solidão ou na saudade.
Mas a minha mãe já estava marcando médico -
ela queria que eu melhorasse logo,
porque ela logo não teria mais tempo
de ficar aqui e cuidar de mim.
Eu me senti amada.
O amor em tempos capitalistas
acaba sendo meio triste,
mas ainda pode ser notado.
Se eu pudesse, diria a ela:
"Não quero ficar boa",
mas eu não podia.
Eu precisava amá-la de volta.
E não era como se ela estivesse muito melhor que eu.
Então, foi isso.
Eu fiquei doente.
Eu tinha uma mãe para cuidar de mim,
mas não muita vontade de viver.
E provavelmente ia ficar bem,
durar mais algumas dezenas de anos,
fazer bens e males à humanidade.
Mas pelo menos eu podia escrever.
Meus dedos estavam funcionando
maravilhosamente bem.
E vendo por este ponto,
eu estava em perfeita saúde,
e portanto, a salvo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Porcelana e mercúrio

Eu fumo um pouco,
Eu bebo um tanto,
Eu deixo pra trepar
Semana que vem.
E vem ano novo,
E vem natal,
E vêm férias de janeiro.
Eu vou sair no próximo
Final de semana
E no outro
E no seguinte.
Halloween, aniversário,
reencontro com alguém do meu passado.
Eu sei que tudo isso está errado.
Eu sei que quem espero nunca vem.
Eu sou é louca. Completamente louca.
Mas quem se importa nunca me sacia.
Eu preciso de sexo, mas também de agonia.
Então procuro
Mais uma festa,
Mais uma farra,
Mais uma noite pra não dormir direito,
Mais uma febre - resmungo do meu corpo.
Procuro mais um canto pra encantar os sentidos
E esquecer da dor que tanto me lembro,
Que nem sempre tem nome ou endereço,
Que nem sempre existe de fato
E se esconde debaixo de quem nem conheço.
Me poupe
De mim mesma.
Já não me aguento mais,
Por isso fujo.
Bebo e fumo mais um pouco.
Agora vou trepar - mato a saudade - porque estou mesmo na idade.
Nunca é tempo para ser amada.
Nunca é tempo de quase nada.
Nunca é tempo de ser feliz
Como eu tanto quero,
Como eu sempre quis.
Volta, Isabel, que a gente te precisa
Pra sei lá quem nunca dar o tiro da partida
Pra gente ficar aqui e não sofrer demais.
Sai, faz bagunça, vende sonhos, compra com ouro de tolo.
Tudo isso, você sabe, está errado.
Mas enquanto o futuro não vem,
E não vem, nunca vem,
Dança, desce, gargalha,
Metralha os realistas, os moralistas e os religiosos,
Cospe no lombo de todos,
Rasga a própria cobertura,
Carência explícita,
Sai de casa, faz alguma coisa.
Mente, mente, mente, mente, mente.
Mente por todos nós, Isabel.
Nós te amamos.

Covardia

Estou com medo.
Por todas as pessoas da humanidade,
Eu estou com medo.
Por todas as pessoas que eu deveria salvar,
Eu estou com medo.
Pelas pessoas que já disseram me amar,
Eu estou com medo.
Pelo pobre infeliz que vai acabar encontrando meu corpo,
Eu estou com medo.
Pelas pessoas que não estão preparadas para os meus surtos,
Eu estou com medo.
Pelos objetos espalhados no meu quarto,
Esperando serem atirados, quebrados, queimados, esfaqueados,
Eu estou com medo.
E pelas pessoas que não sabem, mas correm os mesmos riscos,
Eu estou com medo.
Estou com medo da culpa que eventualmente vou sentir
Por coisas que eu sei que vou fazer.
Pelo meu estômago levado ao seu limite,
Pela minha pele sobrecarregada de trabalho,
Pelos ossos dos meus joelhos e pés,
Pelo meu cabelo desfiado,
Eu estou com medo.
E pelo meu talvez anjo da guarda,
Eu estou com medo.
Pelos meus futuros pacientes e pelos meus colegas de classe,
Eu estou com medo.
E pelo menino que não existe,
Eu estou com medo.
E pelo menino que existe,
Eu estou com medo.
Pelos meus dias contados,
Eu estou com medo.
Por não conseguir contá-los,
Eu estou com medo.
Eu tenho medo todos os dias
De querer saber exatamente
Quantos dias são.
Eu tenho medo
De ser obrigada a dizer
O que tanto me assusta.
E tenho medo, sobretudo
Daquilo que não pode ser modificado ou prevenido.
Pelas manhãs de sol
E noites de chuva,
Eu estou com medo.