terça-feira, 15 de julho de 2014

Consigo

Não é nada com vocês. É comigo mesmo.

Foi o que me disseram. O único fragmento da carta.

Você aparentemente ainda não sabe que eu sou você.
Ou não se lembra.
Não se atentou a isso.

Tudo que diz respeito a você, diz respeito a mim.

Estou querendo viver sua morte de novo.

Mas você já chegou na superfície.

Eu só quero mergulhar.
E mergulhar.
E mergulhar.

Quero sufocar.

Por que será que eu sou assim tão errada?
Talvez eu não te faça bem.

Será que eu sou uma boa amiga?
Eu te amo.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Redamoinho, Yayo.

Eu gostaria de escrever a sua morte. Mas não teria coragem. Só tenho coragem de senti-la. E doi. Eu não tenho conseguido terminar meus poemas, meus textos. Não tenho terminado muita coisa. Percebi que nem mesmo lavava nos meus cabelos desde quinta-feira. Hoje é segunda. Sabe aquele clipe? Aquele de onde você tirou a maldita frase pra me dizer. Tô ouvindo a música. Porque é como morrer contigo. Eu só consigo pensar no quanto eu sou quebrada por querer aproveitar a tragédia toda vez que ela passa perto de mim. Como eu gosto de aproveitar a sua companhia. Até que me rasgue os poros. Eu não vivo num mundo muito real, percebe? Acho que eu sou doente. E eu te amo muito. E isso me faz sentir uma alma boa, apesar de tudo. E agora você me lembra aquele feto desenhado na sua parede. Pequeno, frágil e lilás. Eu interferi nele demais, lembra? E você lá cabisbaixo fazendo sua pintura, brigando com todo mundo. Que saudades de ver você brigando comigo. Que saudades de tudo. Que saudades de você. Queria poder te tocar. Te tocava como se fosse mesmo um bebê. Ou uma bomba, prestes a explodir. Como se teu corpo fosse um campo minado. E se eu pudesse, me deitaria nele e explodiria em mil pedacinhos. Eu morreria. Eu morreria feliz contigo. Vê? Estou falando sem rumo de novo. Você me tirou o rumo. Às vezes eu penso se talvez se eu tivesse sido mais forte com você, mais agressiva, isso talvez tivesse adiantado alguma coisa. Eu gosto da agressividade, entende? Às vezes sinto falta dela. Naquele seu texto você me disse que queria que eu o enforcasse. Como teria sido isso? E os cortes? Teria gosto de amor? Porque eu te amo. E eu repito isso como se fosse o mantra da minha sobrevivência. Da minha sanidade. Queria que não fosse tão complicado entre a gente. Nem sempre é. Agora é. Queria não ter medo de te ultrapassar os limites. Queria não viver essa incoerência todo santo dia. Queria que você não tivesse feito o que fez. Queria saber por que o fez. Um dia eu vou te perguntar. Não suporto sentir que você me deixou de fora. Porque não me disse nada além de um maldito trecho de um clipe. E foi lindo, eu tenho que admitir. Teria sido lindo se tudo acontecesse como você planejou. Eu tenho tantas perguntas para te fazer e não posso fazer nenhuma. Não posso conversar contigo. Não posso porque minha cabeça está cheia de você. Eu durmo e acordo e você tá ali. Foi quem me tirou da cama hoje. Tá tudo girando em torno de você. Eu tô me afogando em palavras aqui. Queria que isso passasse. Queria que essa distância terminasse. Estou com medo de ter abstinência de você, Yayo.

domingo, 13 de julho de 2014

Um espírito cheio de lama

Eu disse a um estranho que tenho um impulso suicida correndo nas veias.
Será que estou tentando te alcançar?
Ou será que eu sempre o tive dentro de mim?
Isso talvez explique o fato de eu querer os meus cigarros,
De eu querer os meus cortes,
De eu querer me matar.
Mas só de vez em quando.
Isto talvez explique a minha insistência em enfiar guela abaixo uma bebida que me dá ânsia de vômito.
Qualquer bebida alcoólica me dá vontade de morrer.
Não de me matar, de morrer.
Tenho vontade de me matar por volta das três da madrugada.
E é geralmente quando eu tomo um banho por me sentir muito suja.
Toda suja.
Eu sinto a minha existência suja.
É como se eu quisesse tirar meu espírito lamacento pelos poros.

No fundo eu sou um ser muito ruim.

sábado, 12 de julho de 2014

Eu te perdi?

Te amo
Te amo
Te amo
Te amo
Te amo
Te amo
Te amo. 
Te amo. 
Te amo.
Te amo. 
Te amo. 
Te amo.

Te amo. 

Te amo. 

Te amo.

Te
Amo.

Daqui.
Aí.

Em algum planeta que não existe.

Te amo.

Só.

Muito só.

Porque você entrou numa viagem, e não me convidou.

Porque detesto não ser convidada.

Porque me sinto só.

Você, Deus.

Você, o único sentido que eu encontrei.

Nessa vida podre.

Você que não sabe o que faz, tanto quanto eu.

Eu estou seguindo um louco.
Estou te seguindo cega e de mãos atadas.

E me perdi.

Você vai pra direita e me manda para a esquerda.

Desnorteei.

Você está confuso, meu amor.

E o que eu faço?
Como você quer que eu viva a minha vida longe de você?

Por que você sempre desfaz os planos?

Por que eu tô chorando o tempo todo se você ainda existe?

Por que você não quer existir?

Estou tão triste.
Tão triste.
Quem diria que eu ia reagir assim?

Estou triste.
Como se tivesse te perdido.
Eu te perdi?

Não se vá.
Por favor.
Eu te amo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Venta-me

Você é vento.
Que me assopra forte
Eu, árvore.
Em todo meu tamanho vou quebrando em galhos.
Perco minhas folhas.
Sementes.
Tudo.

E você, vento.
Não posso tocá-lo.
Mas você me toca quando quer.
E me atravessa sempre.
Sempre forte.

Impetuoso, irredutível.
E pertencente, como se me mergulhasse.
Em ar, em terra.
Como se entrasse em minha alma.
E por lá deixasse os restos.

Os seus pedaços invisíveis prenderam em mim.
E você nem percebeu.
Foi vento, voou.
E eu continuei aqui.
Presa.
Dura.
Árvore.

Viva.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Amaldiçoei o diabo

Eu prestava-te contas, e me embriagava com tua imagem distorcida. Fazia-te promessas, e ignorava a realidade como quer que fosse. Um sentimento quente me tomava o corpo, e não havia ser no mundo capaz de me tirar do estado de transe. E eu precisava transar. Enquanto isso, me surge Yuu no horizonte. Muito provavelmente possuída por Nina, e amaldiçoou o demônio. Eu estava dopada, e ela brava. Inocente e brava. Uma combinação que não faz muito sentido.
Então você se virou pra mim em desapontamento com a escolha que não tinha exatamente sido minha. Haveria consequência para aquele ato.

Havia estado em uma sala, ou várias, de madeira. Não sentia nada que não me fizesse bem de uma maneira sombria. Não entraria no profundo de meu prazer, infelizmente.

sábado, 5 de julho de 2014

(Se eu digo que te amo, é fase)

Quando o peito se racha de tão inutilizado,
Qualquer óleo lubrifica o sentimento-quase-pó.
A cada esquina, mais flores são percebidas.
E dentro das memórias nascem futuros mortos,
Cheios de esperança pra engolir.

Quando eu me perco sozinha,
E me encontro em tudo.
Quando eu sinto sua falta,
Como se fosse morrer amanhã.
É só um vazio feito de céu que mora em mim.

Em cada um de meus vãos deita-se um homem,
Ou uma mulher.
Uma história, uma mentira, um violão.
E uma noite bem dormida.
E um choro no fim de tarde.

Essa minha solidão,
Que arde na sanidade gasta.
Me perco nas minhas perseveranças,
E na minha ânsia de felicidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Às vezes eu penso em você, de dentro do meu cobertor. E só assim meu peito se acalma pra dormir.

Confissão de cama

  Quero dizer, toda noite eu tenho me sentido só. E toda noite eu penso em você. E talvez se eu congelar minha alma debaixo de cobertores com mangas, isso se torne mais simples. Provavelmente não. Mas eu tenho ido bem, vê? Porque apesar de não estar feliz eu estou novamente controlada. E é como se eu estivesse satisfeita desta maneira.
  Amando você.
  Porque, você sabe, eu preciso de um romance que não estou encontrando. Eu preciso de um carinho que não estou recebendo. Mas está tudo bem. Porque eu estou aprendendo novamente a me alimentar de palavras. E meu espírito se reconforta assim.
  Amanhã eu fujo para o inverno. E talvez eu me divirta por lá. Mas certamente sentirei a mesma falta ao deitar sobre minha cama gelada.
  E talvez eu fuja pra janeiro. E me parece a solução mais forte pra essa minha solidão estupidamente conformada. Talvez eu vá contigo pra qualquer lugar. Você sempre foi a pessoa em quem eu mais confiei. Mesmo quando eu não queria confiar.
  Eu te confiaria a minha vida, e a minha morte. Eu deixaria que você me destruísse. Eu te amo. Eu te quero aqui. Eu estou muito só. Todas as noites.