terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Boa noite, diabo branco. Dedico minha cocaína a você.

Jesus Cristo

Tu surges das cinzas.
O que esperas de mim?
Duvido.
As minhas certezas abalam-se.
Penso em me aproximar.
Não há perto que exista entre mim e ti.
É mentira, de novo.
Sou eu, tentando instaurar o caos
Porque tenho medo.
Doi em mim que tu possas sofrer.
E que o possa eu.

Ele aproxima-se de ti.
Estás a salvo, acompanhado.
Posso ir.
Ir-me embora.
Talvez fosse este o plano:
Resolver estes assuntos comigo
Enquanto tens companhia para te amparar.

Me incomoda, mas vou de novo.
Ama, trepa, sê.
Certinho ou transtornado,
Que sejas tu mesmo até estar saciado.
Eu sou um monstro que devora almas,
Indiferente à existência tua.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Se eu tivesse coragem, deletava esse blog. Deletava tudo. Você, ele e todas as outras pessoas. Se eu tivesse coragem, eu deletava a minha vida. Porque nunca me sinto livre. Nunca. As pessoas estão me sufocando.

Todos os meus segredos me mordem

Sense

My heart beats. Just like that beer we used to drink. I drink it again. For the first time, I allow myself to miss it. To miss you. But I keep telling myself that I must leave you behind. You were everything. I feel sick. The sadness that swallows me up is guilty's best friend. I feel no love, I'm about to vomit. This ain't right, honey.

Picotes

Você parte o meu coração.
E eu vou pra longe,
Pegando o avião para o Rio de Janeiro
Todas as vezes.
Eu te abandono aí.
Sempre.
Duvidando do que se refere a mim
E do que realmente doi em você.
Não tem mais nada aqui.
Pra você não me morrer eu vou embora.
Eu fujo, fujo de você.
Fujo irredutivelmente todos os dias,
Mas procuro caquinhos pra guardar em mim.
Pedacinhos de vidro grudados na minha pele.
Eu cicatrizando em volta.
Eu sou uma parede de fuzilamento.
Querido, eu não gosto mais dessa vida que eu tenho.
Não quero mais.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Perecível

Às vezes eu penso que você está me matando também... Dentro de você.
Acabo de fazer contato com a espécie humana novamente. Contato real. Você se tornou humano, sabia? Eu gostava de quando você era alienígena.
Ao que parece você reconhece a nossa morte. Mas não admite. Um casal com o relacionamento desgastado... E o divórcio?
Não aguento mais você. E o resto dos homens nem importa, mas eu finjo que sim.
Fugia de todas as pessoas. Estou parando de fugir.
Tentei acreditar de novo. Tentei, mesmo. As camomilas, aquela coisa toda. "Eu preciso disso."
Você mentiu. E aí deixou bem claro o quanto te incomodava a minha presença ali. Eu só queria te amar. Todas as vezes eu só queria te amar. Todas elas.
Não quero mais. Não amo mais. Não me importa, não quero mais você por perto.
Você se tornou um monstro responsável, careta, racional.
Eu não dou a mínima agora.
Não tem mais por que eu te amar. Eu sempre amei o lado errado de você. E era isso. Eu precisava te amar daquele jeito, como acho que você precisava ser amado naquela época. Não precisa mais. Hoje não faz diferença.
Você é um qualquer que eu conheci. Um vazio perecível no meu peito.
Eu me despeço sempre que me lembro.
Desculpa,
Desculpa,
Desculpa.
A gente não existe mais.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O céu e o chão

Houve o caso de um menino que se dispôs a me doar uma fatia do céu.
Desabava sobre a cabeça dele, me disse. E fiz o pedido.
Hoje à noite um pedaço do chão me machucou.
Percebi que o mundo é feito de céus e chãos e que sinto falta de um menino com quem conversar.
Vou pedir uma pizza mais tarde, talvez.
Meu quadro de hoje cansou de mim.
Sozinha, em plena quinta-feira. E o carnaval nem começou ainda.
Erro em todos os momentos. Fujo de tudo. Fujo para o que me assusta. Fujo do que conheço porque o odeio.
Faz tempo que eu perdi a minha identidade.
Faz 15 dias que eu perdi minha companhia.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

174, o começo da perda

Acredito que quanto mais nos aproximamos da consciência, menor se torna a probabilidade de sermos felizes. Mas não estou aqui para encontrar felicidade. Não desta vez. Vim para encontrar sentido, para justificar a minha permanência em um mundo que eu sei que não vale a estadia. Talvez admitir que o mundo não merece a minha presença seja um egoísmo dos mais elaborados. O mundo precisa de mim. Como pessoa, sem pretensões de reconhecimento ou companhia. Me foram dadas ferramentas para ajudar a ajustar o convívio social. Desisto de estar aqui por mim. Desisto de acreditar que algo maior existe. Desisto de acreditar na salvação. Desisto da felicidade. Venho procurar uma utilidade na existência pré-determinada. Justifico aqui toda dor envolvida em ressuscitar a humanidade que existe em mim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não é saudade

Hoje achei por acaso a blusa que eu usava pra fumar contigo. Da outra vez. Quando a minha doença me fazia genuinamente feliz. Quanto mais sã, mais triste. A lucidez é o pior castigo que o ser humano recebe por pecar. E agora eu acordo devagar pela manhã, e me fascino com tudo aquilo que me apavora. Um universo imenso de coisas que eu vou desaprender. Nada de certo me aguarda. As tardes vão se desmanchando e todos os dias eu durmo infeliz. E quando não basta a dor pura do ar invadindo os meus pulmões, a solidão vem pra me embalar de frio. Não durmo. O nada do mundo me incomoda muito. Eu perdi o amor nos trilhos do avião e agora não sou ninguém. Espero um trem que nunca chega, uma felicidade que não me pertence.