Que me sova
Que me rasga
Que me embebe
E que me enxágua
Que me recorta e assa
Que me queima as bordas
E me despeja na lata
Que sonho foi
Que um dia tive
De ver o dia brilhar
E à noite admirar estrelas
Que felicidade
Que um dia pensei que havia
Que haveria
E quem eu calculei que seria
Aos passos do calendário
Quando foi que tudo
Virou-se ao contrário
Que avesso ao qual
Eu mereço e pertenço
E quanto tempo
Eu ainda tenho
E quais pedaços
Ainda não perecem
Sob o sol e ar seco
Sob o mofo do meu teto
Quais palavras me restam
Para compor este texto
E quanta dor
Ainda me guarda
Para descartar-me aos poucos
Qual o último pedido
Que eu nem sequer faço
Se não que seja finito
Todo o céu e o fato:
Dezembro está por perto
É um péssimo retrato
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