terça-feira, 20 de setembro de 2016

5 seconds away

You're now lost
Probably watching a random video
While I decide
If I die or not today
It ain't nobody's fault
I'm just really sad today
And I find myself praying
For you to be fine
When you come back
So you can take me
Out of this hole
I don't know how
I fell here again
It looks like home
I try to think something nice
You know, I dreamed I was there
With you
We hugged and kissed
You were so beautiful
But I woke up like this
Half-dead
And I feel like giving up
It is beyond my powers
I don't know what happens
I promised myself
I wouldn't miss any more classes
It seems to be stronger than me
I need to cry
I feel so so so sad
Please come back
Please come back
Please come back

sábado, 17 de setembro de 2016

Corpo

Acendo um cigarro.
Voltei a fumar,
Te disse?
Eu poderia ser
Um melhor exemplo de pessoa
Pra você.
Talvez eu tenha sido,
Não me lembro.

Fumo meu cigarro,
Entre tantas outras coisas
Que me permiti.

Às vezes me falta um sexo.
Um hematoma no corpo,
Um desgosto de mim.
Não quero.
Eu juro que não quero
Me machucar.

O tempo é lento.
Tenho muitos meses
Para esperar esse avião,
Mas vai ficar tudo bem.

Respiro fundo,
Fumaça.
Estou em casa. De novo,
Saculejando
Sobre os trilhos de sempre.

O tempo salta.
Vinte minutos,
Não dias.
Eu quase
Que não consigo voltar.

Penso em acender
Outro cigarro.
Não vi o primeiro acabar.

O maço morre na minha mão,
Para ressuscitar amanhã.
Hoje não fumo mais.
Te amo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Salvation

Decidi parar de fumar
Depois de me drogar
Depois de beber
E quando decidi
Que ia parar de trepar
Já tinha desistido de todo o resto
Então decidi desistir de viver
Resolvi
Fazer o que desse vontade
Corte, sono, liberdade
Não adiantou
Fez um sol do demônio
Comigo trancada no trem
Choveu
De vento gelado
E eu de vestidinho
Não deu
Eu saí de casa
Eu fui dançar
Passei um fim de semana
No computador
Fui conversar com Rosa
Escrevi dez textos
Pedi socorro
Pra um ou dois
Quase desmaiei
Algumas vezes, tanto faz
E quando nada mais
Me sobrou pra pensar
Eu vi passar amarelo
Um guarda-chuva antigo
Que não mais tinha
E segurei um braço
Numa tarde longa
Ainda dava tempo
Tive mais cinco segundos
Pra querer sobreviver aqui
Por um dia
Um dia curto, frio
Com muitos dedos e panos
E risos insanos
Quis ficar
Mais um pouco, eu quis ficar
Quase me esqueci
De querer partir
Uma mão me segurou
E eu tive a certeza
De estar aqui
Não lembrei de estar feliz
Ali na hora
Mas estava, estava
Juro que sim

Trinta e cinco, cento e cinquenta

Um amargo na boca
Uma tristeza que nunca acaba
Eu costumava te odiar quando criança
Agora você me faz sentir em casa
Uma risada produzida
E incessante
Toda uma vida
Na expectativa de voltar

Não tem volta
Não tem pra onde ir
Lá na frente
O que espera
Não é nada que um dia tenha desejado
Então por quê?
Para apenas suportar
O que hoje já falta?
Também vai faltar amanhã
Como faltou ontem
Como tem estado ausente todos esses anos

Uma gota ou duas
Deve bastar
Só mais cinquenta
Triplica
Tem um gosto enjoado
Meio de doença
De resfriado forte
Dá um pouco de vontade de dormir

E se eu dormir
Vai ter mais alguém pra me bater?

De qualquer modo,
Parece certo
Tudo isso parece certo
O limbo
A dor simbólica
A punição tão falsa e indolor
Como qualquer dor que se sinta
Na vida física

Uma apatia alterna
Com crises de pânico
E lágrimas sufocadas

Eu me afogo hoje
Amanhã acordo em chamas
Depois de amanhã me mato
Não sei
Ontem não me matei
Mas ontem também não quis viver

Se ainda há algo
Qualquer algo
Que mude o que tem sido
Durante a eternidade
Da realidade em que me encontro
Espero que me encontre
O quanto antes
Agora

Porque você sabe
Tá na hora
Não demora muito e
É aquilo
Eu tô quase desistindo
Eu tô quase quase
Eu quero ir
Embora
Daqui

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Bungee book jump

Não sou apenas um livro aberto
Eu sou um livro muito mal equilibrado
Numa superfície curta
Alta
E que desaba no mais suave toque
Bem em cima da cabeça do leitor

Não sou um livro que se lê
No conforto de uma cama
Nada tenho de confortável
Grito, choro, saculejo
Livro que se lê em pé
No trem lotado
Com os dedos enfiados entre as páginas
Numa agressividade
Quase apaixonada
Pra marcar o parágrafo da estação

Eu sou um livro
Que não se lê sem emoção
E por emoção não digo
Que seja de fato amor
Afeto, pena, empatia
Minha leitura também é agonia
Angústia, frustração e tédio
Eu não fui feita para entreter

Se antes tivesse sido
Não seria livro aberto
Pendurado
No precipício da estante
Nem por um instante
Pensaria em me atirar

Nunca suportei
O aperto de estar entre os demais
Apenas outra lombada
Salto
Me leia
Ou eu te machuco
Ou eu vou te obrigar

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

The fear, late and lost

I tried to be nice
Cuz she was strange
And seemed okay
Sometimes I forget
That I am scared
As a little fucking mouse
And I regret it
The very first moment
When I decided to talk to her
Now she won't go away
Like all the boys before
Or that little depressive whore
I was this person
But it's fine bcs I hate myself too

Anxiety
Depression, they say
Like it was normal
To feel quite empty
Or hyper full
In the same fucking hour
Like it was normal
To beg for my own sanity
Just during a college class
I am insane

I can't stand that thing
That pulse that compells me
To jump, jump
Or tear myself up
A little deeper, harder
I can't bare how exhausted it gets me
To wake up, up
Get out of bed every morning
For what?
I'm always lost
I'm always late

I'm trying trying
Not to repeat words
Or be sad again
Or freak out
Or hurt myself
Or being mean
If you know what I mean
I'm always bad anyway
Very selfish and so
I'm worthless
But I'd like to feel some joy
Why can I?
There are so many ugly people around
Being happy
With their violence, you know

I want something
Something from this world
I don't want to go away or give up
I don't want to feel like
Who I think I really am
I wanna be wrong about
All my negative words
I wanna be wrong about you
I want you to stay
With me
I don't want to be alone.

Exatamente 24

Os dias tem sido cada vez mais quentes
Eu tenho tomado mais banhos
Eu não sei dizer o quê ao certo,
Mas há algo de extraordinário em viver um dia
Inteiro sem pensar em me matar
Não é sempre que eu encontro calma
E apesar de eu insistir em comer
Como se eu nunca tivesse comido
Em toda minha vida
Ao menos isso significa
Que eu quero sentir prazer
Pelo menos eu parei de me punir
Tudo bem me masturbar e tagarelar bastante
Tudo bem pedir ajuda, jogar the sims
Tudo bem fazer uma arte
Ou jogar minhas roupas no chão do quarto
Tudo bem passar horas e horas dormindo
Tudo bem ficar pelada fazendo nada na cama
O mundo não está com tanta urgência assim
Eu não tô tão sozinha assim
Só um pouco
Mas vai ficar tudo bem eu acho
Eu vou no segundo encontro com Rosa
Na mesma semana
O fato de ela se preocupar
Me faz sentir bem, um pouco
Eu gosto quando eles me olham como se
Eu precisasse de ajuda
Eu preciso de ajuda
Mas eu não quero me cortar
Nem beber, nem fumar
Nem me jogar no trilho do trem
Nem passar uma semana sem comer
Ou doze horas
Não importa
Eu quero estar a salvo
Me divertir
E ter alguém que se importe comigo
Será que eu tenho cura?
Será que tenho tratamento?
Será que amanhã vai estar tudo bem também?
Eu só preciso comer mais um pouco
E jogar conversa fora
É só isso
Não sei
Vai ficar bem alguma hora

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Os dias e os diários

Não é um bom dia
Quando eu não tenho tempo
De pentear o meu cabelo pela manhã
Não é um bom dia
Quando eu passo a noite em claro
Tentando apenas suportar
Não é um bom dia
Quando sou tomada pela culpa
De não estar, de não fazer, de não dizer
Alguma coisa que sirva de sustento
Não é um bom dia quando eu tento
Para não conseguir cumprir
Nem a mais simples das tarefas
Não é um bom dia
Quando eu decido não sair
Para ficar sozinha em casa
Não é um bom dia
Quando eu me chuto pra rua
E só sinto raiva
Não é um bom dia quando eu durmo
Quando acordo de tarde
Quando perco compromissos
Quando vou para ser esquecida
Feito prova ou livro didático
Do ano passado
Não é um bom dia
Quando sou amada
E só penso em me esconder no quarto
Até morrer
Não é um bom dia quando eu acordo
Falando de morte
Não é um bom dia
Quando eu não falo com você

Nem todos os dias são bons
Nem todos os dias são dignos
De serem vividos
Nem todos os dias valem a pena

Quando não é um bom dia
Eu não quero dizer nada de bom

sábado, 3 de setembro de 2016

Desempenho

Não tenho tomado banhos o suficiente
Não tenho dormido no horário que prometi
Não tenho te dado a atenção que você merece
Acho que nunca dei, isso acontece
Mas ontem eu adormeci pensando em você

Eu não tenho sido uma boa filha, uma boa amiga
Não tenho sido presente
Também não descanso
E tenho comido tanto
Para continuar com fome todas as vezes

Eu bebi o que não deveria ter bebido
Chorei bastante
Me cortei e é óbvio que não queria ter feito isso
Voltei a fumar, é o que tá parecendo
E agora estou falando
Com quem nunca pretendia ter falado

Está tudo sempre errado, não é mesmo?
Por que você me suporta?

Eu costumava pedir ajuda
Mais desesperadamente
E rimar no meio dos textos
De um jeito bem meu, como quem fode

Percebi depois de um tempo
Nem foder queria, é verdade
Eu só queria ser sua
Mas eu nem sequer te conhecia
Então eu precisei te conhecer

Achei que viria um dia a ser alguém
Me olhar no espelho, satisfeita, certa,
Sou alguém
E nem sequer consigo
Escolher uma boa cor pro meu cabelo
Rosa choque? É sério mesmo?
Não que verde ou preto fosse melhor
Deixa castanho mesmo

Eu não tenho pintado minhas unhas
Isso é o de menos
Eu não tenho respirado como costumava
E meu coração bate, bate
Como se estivesse prestes a ser roubado
Como se ele ainda fosse meu

Eu não tenho feito metade
Do que deveria ter feito
Eu não tenho sobrevivido de maneira digna
Eu não tenho te abraçado

Mas continuo acreditando
Que o tanto de amor que tenho
Vai dar pra continuar acordando
Todos os dias

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem

Eu escrevi teu nome.
Pela primeira vez,
Desde que fui chamada pela minha mãe
Para entrar em casa
e comer uma fatia de bolo quente,
Um nome era bonito.
O seu.
Não fazia sentido.
Não precisava.
Eu insistia em coisas
Tão absurdamente abstratas
E pensava
Que você nunca seria
Capaz de me entender.
Eu falei teu nome
Um dia, triste, para o mar.
Sussurrei no vento
E você voltou pra mim.
Me amou de volta.
E havia tantas coisas
Que eu não precisava pedir,
Que eu não precisava dizer,
Que eu mal precisava pensar.
Você veio
E ficou.
Eu agradeci.
A você, aos céus, a deus
E a mim também.
Às vezes, quando menos fazia sentido
Mais certeza eu tinha
De que tinha chegado em casa
Quando li teu nome
E me ouvi pronunciando-o pela primeira vez.
Um dia você disse que me amava.
E meu nome também ficou mais bonito
Do que era quando minha mãe me chamava
Depois de uma tarde de brincadeiras
Que eu queria que nunca terminasse.
Havia um milhão de outros dias
Para ser feliz.
Mesmo sendo eu,
Com esse meu mesmo nome.
Agora você tinha nome também.
Eu não estava só.