quarta-feira, 11 de abril de 2018

Another night

I guess when I look at you
And I see everything's over
Still, I am over
That's the most solid thing
In my world
It makes me feel
A little more real
In my pain
I takes my breath away
So I can
I don't know
Keep myself alive
A little more.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Para mim

Por isso te escrevo agora
Um texto que já demora
Para terminar
Porque se um dia te amei
E quis ser tua
A qualquer preço ou esforço
Apenas tua,
Do não me pertencer
Que te acolhia
Um dia abri mão
E fui minha
Doloridamente
Apenas minha.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Messenger

Ainda te amo.
Ainda também o amo.
Talvez sempre tenha amado aos dois.
Por amá-los
Porque quando amo morro
Sem morrer,
Só vou me machucando,
Perdendo peças
Virando cacos;
Pelo tanto que me feriram,
Não posso tocá-los
Fingir que existiram um dia
Humanizar-nos.
Preciso seguir perdendo
A voz, os laços
E a vontade de existir.
Eu vivo apenas por instinto
Sobreviver, fazer arte,
Enxergar o mundo.
Se eu tivesse escolha
Teria escolhido te amar.
Ou a ele, se você não estivesse.
Mas ninguém escolheu amar-me.
Então sigo só.

domingo, 11 de março de 2018

Dos

O negócio é que eu sou duas
Distintas
Uma quando amo
Absoluta, infinita
Pura magia
Outra quando desaba
O mundo inteiro
Catástrofe
Desilusão

quinta-feira, 8 de março de 2018

Cannabis cura câncer

Não tiro mais fotos pelo chão
Tenho que arrumar minhas tralhas
Empilhadas sobre a mesa branca
A raiva e o desespero
Me tiram de mim
E num dia chuvoso,
Como de costume
Eu desejo morrer.
Não achei que fosse curtir rap
E odiar as drogas
Mas cá estou
Moralista escancarada
Fóbica forçada
Ainda indigna
De qualquer vivência
Nessa "água"
A liberdade
É ensurdecedora
Existo em agonia
Eletrificada pelo ar

terça-feira, 6 de março de 2018

Night

Pensam que não me importo
Talvez nem pensem
Perdidos na batida
E na noite
Que nunca mais termina
Pensam que não noto
Mas meus olhos são secos, sóbrios
Eles me controlam,
Não o contrário
Eu percebo tudo.
Não me desentenda,
Não falo de nomes ou cores
Dados práticos, vida cotidiana,
Sei do ar que respira
Se respira
Da água que não bebeu
Se doi no estômago
E sei porque quero saber
Porque meus olhos procuram
Sei, porque engulo isto
E a dor me contamina
Um vírus, alienígena,
Vitamina
Me importo e noto
E quero
Te fazer o bem

sexta-feira, 2 de março de 2018

Pinduca

Ontem meu filho fincou a unha em mim
Hoje eu me queimei
No azeite quente do hamburguer
Eu acho tudo isso tão interessante
Que a vida facilmente perde o sentido
Eu acabo de nascer, assim que abro os olhos
Tudo é novo e assusta,
Tudo é novo e encanta
Tenho apenas um par de olhos
Para descobrir o universo
E apenas duas mãos
Para tocar o que me alcança
Tenho buscado seres em mim,
E isso não me desconforta
Porque chamo de amor
O que tenho feito nessa última semana
Todos os dias tenho descoberto
Novas maneiras de ser eu e existir
E tenho sido só
Na exaustiva conexão com o mundo
A tríplice do canal aberto
Eu vivo

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Dia 1

Abrir os olhos
Praguejar
Uma noite sem sono
Figurino fajuto
Fechar os olhos
Molhar
Correndo só
Desabando nos degraus
Encolher
Dentro de si
Uma dor aflita
No âmago
Na origem do ser
Não mais querer
Pedir que pare de doer
Esmagar pulmões
O par
De apenas ar
Sem pó preto
Dentro
Só no chão
Rasgando as pernas
O espírito
Querendo ir embora
Embora
Pra fora dali
De si
Longe do copo
E o maço
Longe do cansaço
Estendida
Sobre a cama
Coberta
Ceder
Ao sol
Fugir
Morrer
Enfim
O vento
Para expor
Aviso tardio
Torpor
Vazio
Nos dedos
Nos olhos
No eco
Que deveria escorrer
Pela guela
Não sai
Silêncio
Esconder-se
No âmago
Estômago
Encolher-se
E nunca desaparecer
De si

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Carnaval

Eu não gosto da noite
Não gosto do álcool e do cigarro
Não gosto das drogas, do sexo
Das lamas de urina na rua
Do lixo amontoado nas calçadas
Não gosto de pessoas bêbadas,
Exaustas, caindo no meio da rua,
Passando pneus por cima
De outras pessoas bêbadas,
Drogadas, morrendo por dentro.
Matando o corpo.
Não gosto do escuro que doi,
Da música que força meu peito
A bater mais depressa,
Desesperar-se,
Bombeando socorro
Ao resto de mim.
Não gosto dos carros,
Guimbas de cigarros,
Não gosto do cheiro cinza
E odeio a poluição.
Não gosto de gente.
De suas toxinas predominantes,
De como me toma a onda,
Como a todos os outros,
De como sou como eles.
Não gosto da perdição.
Carpe Diem, fuga,
Autodepredação.
Não gosto do âmago alheio,
Afogado e escasso,
Não gosto da dor que sinto
Em outros olhos.
Não gosto das confissões,
Dos beijos forçados,
Dos abraços não solicitados
E a insistência fóbica dos seres.
Não gosto de ser a mãe.
De doer a dor,
De tossir doente,
De despedaçar os ossos dos pés.
Não gosto de levantar e ver o dia,
Não gosto de ser sozinha,
E não gosto de passar a noite
Ainda enxergando o mundo como é.

Sou a única no mundo que vê
O que eu vejo.
Achei que ele um dia tivesse visto,
Mas a solidão mói minha plantar
E não há nada que eu possa fazer
Eu continuo só
Mas se eu puder mudar
E nunca mais visitar esse ambiente
Eu vou tentar
Ou vou morrer
Tentando.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Matrimônio

Me casei com a depressão
E aceitei o compromisso
Agora abro a porta
Pressiono os dedos demolidos
E não grito.
O mundo é outro
Eu mando nele
Eu sou só minha
E não doi mais tanto
Ser sozinha assim.

Quando encosto meu cigarro na boca
Sou completamente louca
Mas ninguém vai me dizer
Mais quem eu sou

Sempre tentamos
Mudar quem nós amamos
Escolhi amar minha morte
E com a minha esposa
E meu amante
Eu sigo livre
Completamente eu.