quarta-feira, 29 de junho de 2016

Safe place

Queria uma casa para a qual voltar.
Esticar as pernas para o alto,
Ganhar um beijo,
Ser amada.
Queria uma cama quente
E dormir dez horas por dia.
Queria não me sentir terrivelmente só.
Queria não precisar me calar,
Não ouvir vozes na minha cabeça,
Não me preocupar tanto
E não ser obrigada a me machucar
Over and over and over again.
Queria parar de fumar.
E de cortar minhas coxas.
E de entrar em pânico com tudo.
Queria ter paz.
Queria descansar.
Nunca ter pesadelos à noite,
Nunca ter taquicardia,
Aceitar uma nota boa como se
Eu merecesse ela de fato,
Como se eu não fosse um lixo em forma de gente
Como se eu não merecesse morrer.
Queria que alguém levasse a sério
Que eu estou realmente triste,
Mesmo quando eu faço parecer que não.
Queria que me dessem um pouco de amor
Atenção, afeto,
Quando eu estou desesperada demais
Para pedir.
Queria ter esperança.
Não insistir que eu devia me matar e me matar
Que eu não devia estar aqui
E que tudo que eu faço na vida
Eu faço por obrigação.
Queria de fato querer viver
E não apenas sobreviver.
Sobreviver é difícil,
Dá trabalho.
Queria que algo valesse isso.
Queria poder pensar que quero algo do futuro
Que anseio, que acredito.
Não acredito.
Eu queria
Que a vida fosse mais que isso
Mas não espero dela que seja
Apenas continuo tentando todos os dias.
Não acredito em cuidar do próximo
Em cuidar de mim
Ou em felicidade.
Tudo que busco,
Busco porque devo,
Porque é necessário,
Porque a única outra maneira é desistir.
E desistir é morrer.
Não estou pronta para isso.
De fato, não sei
Por que estou aqui,
Por que faço,
Por que falo,
Por que insisto.
De fato não sei
Onde encontro motivos,
Onde encontro vontade,
Onde encontro alguma força.
De fato não sei
Como me protejo
De mim mesma,
Como me mantenho aqui
Sã,
Salva.
Será
Que sou
Sã, de fato?
Às vezes
Acho que encontrei,
Às vezes perco de novo.
Estou quase lá,
Quase lá,
Quase chegando em casa
Para poder ter uma noite de sono tranquila.
Estou quase chegando no ponto
Em que não vou precisar mais ter crises
Em que não vou mais querer me matar.
Mas está tudo
Dis



Tan






Te.




E só.
Ilha, ilha.
Tem dias
Que ninguém vem me visitar.
Eu nunca vou ter cura,
Nunca vou ser feliz
E às vezes
Morro de medo de piorar.
Eu tento, tento.
Tudo que me dizem
É pra parar de tentar
E lógico, pra fazer tudo certo.
Tudo certo, tudo certo,
Vai dar tudo certo, 
É só você fazer o que a gente diz. 
Nunca dá.
Eu não sei fazer nada direito!
Para de besteira
Cresce!
Só porque tá todo mundo precisando
De amor e proteção
Não significa que
Eu, como todos os outros,
Deva aceitar essa merda
Desse sofrimento.
Eu tô cansada.
Eu sou o esgotamento em pessoa.
Depressão,
Ansiedade,
Depressão,
Ansiedade,
Automutilação,
Bipolaridade,
Euforia,
Borderline,
Depressão.
Suicídio,
Suicídio,
Suicídio,
Solidão.
Au
to-
des
truição.

Finge,
Finge,
A mamãe chegou.
Melhora a cara,
Limpa o rosto,
Põe um sorriso na cara,
Faz um comentário positivo
Dá um presente.

Silêncio em 16 linhas

Cala-te.
Não reclama da moça
Sentada na barra do teu vestido.
Não levanta,
Não tenta,
Não sai.
Permanece
E cala-te.
Não fala da tua
Solidão.
Não fala das tuas dores
Nas costas,
Nos seios,
Na alma.
Cala-te.
Não escreve.

sábado, 25 de junho de 2016

Despedida para um ou para outro

Eu nunca aprendi a me despedir.
Eu nunca soube ser amável e ir.
Eu nunca soube ser menos fria
Ou desesperada
Ao ir embora.
Uma poetiza uma vez
Escreveu um poema
Que expressa toda a dor que eu carrego
Com o fim de qualquer coisa.
Ela dizia:
a arte da perda não é difícil de dominar
Como se fosse fácil
Simplesmente aceitar a perda
Em um limiar suave
Entre covardia e humildade.

Estou dizendo isso porque não sei,
Como nunca soube me despedir de mais nada,
Me despedir de você.
Eu não posso endereçar esta mensagem
Porque você não é uma pessoa,
Mas também não posso deixar essa tristeza
Como tantas outras
Apodrecer dentro de mim.

Eu costumava acordar e ir te ver.
Eu costumava me desesperar na tua frente.
Com tuas cores e fases
Céu ou lua,
Eu me perdia às vezes nas tuas marés.
Quando me sentia só,
Obrigada a engolir tudo que eu era,
Eu buscava consolo em ti.
Quando tudo me doía
Por dentro e por fora
A minha dor era mais confortável contigo.
Aquele silêncio cheio
Que a gente compartilhava
Em meio a tantas vozes gritantes
Era bom.
Eu sinto falta.
Eu vou sentir saudades de você.
A maneira como me acalmava num dia frio.
A quantidade de vezes que eu cheguei
E você não tinha nada de novo para me contar.
Mas estava ali.
Seguro como um porto.
E eu sempre um navio a naufragar.
Eu vou sentir saudades da dor
Que você me mostrava,
Do sangue escorrendo pelos cantos,
Das ampolas cheias de veneno.
Vou sentir saudades
Da melodia de fundo,
Do sol que às vezes brilhava
Depois da chuva
E dos abraços
Que só palavras solitárias
Podem dar.

Eu devo parecer uma louca nostálgica,
Eu sei,
Uma mentirosa.

Mas quem é que gosta
Quando a lanchonete
Em que a gente toma café toda manhã
Resolve fechar?
Quem é que gosta
Quando o chocolate preferido
Sai de linha?
Quem é que sabe de fato se despedir?

Existem mil outras coisas
Que eu terei a chance de experimentar.
Sentir, ver, cheirar,
Comer.
Existem mil outros lugares
Para eu encontrar conforto
Nos meus momentos sutis de solidão.

Mas,
Por um instante,
Dizer tchau pra você
Me pareceu triste.
Então, é isso que eu vim dizer:
Tchau.

De acordo com aquela poetiza
Não é tão difícil assim.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Bad look

Didn't smoke a cigarette
I ate instead
A lot, a lot
I'm getting fat
Not that I don't like
My big boobs or ass
Not that I like my skin or my face
I don't eat because I have to
I don't have the genetics
This is a disease
Emocional one
I don't smoke
And I don't cut myself but
I miss a good night sleep
And I eat till I wanna puke
It is psychological
I have no place left
To be safe into
I can't help myself
I just want a little happiness,
You know?
I try to be a kid again
Eating my mother's cooking
Laughing everytime
But I feel hopeless
And sick
Intoxicated
With everything I put
Inside my mouth
I don't drink
I don't scream
I don't freak out
I'm imploding
Trying to be the good girl
I've never been, actually
Pretending I'm someone
I'll never be

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Pensamento

If you see me smiling
On the train station
I'm thinking 'bout you

If you see me scratching
My tights, in the middle of the night
I'm thinking 'bout you

If you see me crying
On a random poem about love
I'm thinking 'bout you

If you find me staring
At very tiny daisies
Far away from home
I'm thinking 'bout you

And whenever I try
To warm myself
And whenever I laugh
Instead of just falling apart

And through the pair of eyes
Of whoever crosses my way
I'm seeing you

'Cause you're the only one
That makes me see
You are the window to my soul
And you're the one that gets me free

I give you a single rhyme
Lost in words
That always come from my heart

I am not soft
But I am
Sincere

And what you were supposed to know
About me
About my everyday
Is this
I think about you

You are my favorite thought

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Rebirth of fingers

I woke up missing
Missing you
Missing myself
Missing some stupid little moments
That we do often share
Are you okay?
I have a feeling that you're not

And on the top
I missed writing
Found a lost text
Incomplete
Lying on my app
Waiting for being finished
But I didn't even remember
It's existance
Had to write a new one

Where were you?
Were you asleep?
I was sort of hoping
That you'd be there with me
Not to see the ugliness
Of my day by day
But for hearing me sing
Daydreamer
On replay
I knew my voice sounded nice
I wanted you to listen
That I love you
When you're not around

Let me just do it
One more time
Talk about how
I missed my morning shower
Because I didn't have time to
Was late again
Lost in the circumstances
I had told you
Bureaucracy kills my art
Never my soul, baby
Never my soul

I remained
Behind all this
Strong as a rock
I wouldn't admit it, but
Somehow I felt
I didn't need anyone
But I wanted you
Oh, I wanted you
Like a painter wants his colors
Like a writer wants his words
I wanted you
Like a cooker wants his sauces
Like I actually want to go out
And see what world has to show me
I may be better
Than what I usually say
I am

And I had nothing left to say
I was no writer
'Cuz I couldn't find my words
And not a painter
'Cuz I'd never find the colors
I was no artist
And not a psychologist
And not a good friend, either
Wasn't even sure if I existed
I missed it too
Existing
But I was there, wasn't I?
And I could handle anything

So
I could write again,
I guess
And wait for you
And wait for you
And do everything
I had to do
And maybe
I don't know
Fix myself
Survive,
I think

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sky

I found a bunch of stars
Forgotten in my pocket
Wish I could clean
All this glass
And protect you
Believe me,
I hate broken glass too
There was some peace
Inside of me
I needed that
And I felt like
I was leaving you alone
On the moon, perhaps
On pluto,
Away from me
But you said
We would always come back
So I decided
To put the best of me
On the table
I had to be kind an responsable
I had to be calm and lovely
I learned that
Being messy doesn't help at all
So, here's that
I'm fixing my life
To be all yours
And I just wanna say that
You can fight to me
If you wish to
And you can be deeply sad
If you must
And even be mean sometimes
Or freak out
I don't know
I'll do my best
To understand it all
And I won't leave
I won't leave
Won't leave you alone

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Escritora

Eu não poderia nunca
Viver sem escrever.
É isto que sou,
É isto que faço:
Escrevo.

Tampouco poderia
Viver de escrever.
Não posso depender
Disto que faço
Ou de quem sou,
De fato.
Sou incompleta,
Instável.
Eu morreria de fome.

Claro, escreveria
Todos os dias da minha vida.
Com ele, o dobro até.
Não muito levaria
Até que me tornasse tinta no papel.

Mas isto que sou,
Dentro,
Esta solidão
Ou este corpo
Que aguento
Não pode ser jamais
Produto.

Eu doeria
Tanto lá
Quanto cá
Em profunda agonia.

Todavia,
Esta mentira que carrego
Por vezes doi os ossos,
Como tivesse me abandonado
Em uma esquina gélida qualquer.

Mas a companhia que sinto
Sentando-me na janela,
Pincelando a minha aquarela
De sensações,
Vale todo o silêncio
Que ofertei ao mundo.
Suporta o vazio de tudo.
Me salva
De ter que viver.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Stronger than me

Não conte nada a ninguém.
Eu disse ao pequeno objeto verde.
Vai ser o nosso segredinho.
Eu vou desmembrar você.
Sorri em profunda tristeza.
E nós vamos nos divertir.

Tentei me perguntar:
Por quê?
Mas não sabia dizer.
Eu precisava, eu...
Eu preciso.
E vou.

Deveria antes conversar com ele.
Deveria fazer outras coisas.
Tentar.
Mas,
Não é assim que funciona.
Eu apenas vou.

Eu e você.
Sozinhos no quarto.
Ninguém pra interferir.
Um pouco de desespero
E, se tudo der certo, paz.
Eu te odeio.
Eu te odeio.
But you are stronger than me.

Machine

Levantei-me da cama.
Não queria enfrentar o dia,
Não queria enfrentar minha semana.
Estava frio demais
E minhas mãos tinham virado
Pedras de gelo.
Eu resolvi te escrever este apelo
Porque queria, pelo menos, conversar.
Uma blusa de manga comprida,
Cachecol, camisa colorida
Calça e sobretudo.
Eu quase não sentia o meu nariz
E o absurdo
Era que eu devia amar o frio.
E eu amava.
Mas onde estava você?
E estava eu incomodada
Mais uma vez
Não com a solidão dos dias
Ou com a tua ausência cortês.
Eu era desânimo
Porque não podia
Sentar ao teu lado
E trocar umas palavras.
A agonia
De quem quer sentir um pouco de calor.
Queria o meu cobertor de volta.
Eu não sabia
Por que escrevia esse texto.
Como tantos outros,
Uma narração vazia
Sobre como é difícil acordar toda manhã.
Não era excepcional
A minha desmotivação.
Talvez fosse um pouco extraordinário
Amar você.
Mas acho que eu ainda era eu,
Apesar de tudo.
Me levantando da cama,
Escrevendo sobre isso
Insatisfeita
E concluindo o texto
Exatamente como comecei:
Despropositadamente.