quinta-feira, 12 de maio de 2022

Existencial Candy Burrito

I sleep in a warm caramel cocoon
'cause I made it freezin' out there;
I fuck myself till I feel all numb
But you know what I really wish for;
Life burns inside of me;
it's nearly 2am, and not three as typical
I listen to Lana or Elena (Maggie actually);
maybe Elliot, 
but Miley calls me, 
and someone curses me
for not being disciplined about my Poppy prayers.
I feel shattered.
Homeless,
orphaned;

small

And, overall,
Alone.
Adult, messed up, with not a clue of what to do, or where to begin with but, all alone.

For the first time in my life, I feel like
I figured it out
The plans, the tactics, the physics of the main life,
What I must do in order to stay alive, 
The research, the day by day work,
the sweat, the difficulty of it all.

But I still feel like I have no reason for it.
Why?
Why would I even bother?
Why do people battle to keep their lives?
What's the fucking point?

I drop caramel of myself
And feel disgusted at it
Why do people do that?
How do people handle themselves?
Their bodies? Their minds? 
Their significant others?
How do people mate? How do people meet?
I cover myself in cloth,
Because I have no strength left
To cover myself with water
and soap
/no amounts of soap could heal
this amount of sadness anyway/.
I feel bottom ground
bottom down
bottom dirt
I feel dirt.
If I touch water now I'll turn into mud or some.

It's no longer freezing out there,
It's not like I even bother anymore;
But I'll (try to) sleep in my cloth cocoon
Demi-cold, demi-warm
Fully empty, even stuffed with me in there.

terça-feira, 26 de abril de 2022

Smell; psycho

Você cheirava a clorofórmio:
Formol;
Desinfetante;
Água sanitária;
Veneno;
Eu quero você longe de mim.

O mais longe possível.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

The blur

Every night I feel sad.
I don't speak my language;
I don't speak my name;
I don't have a name.
I am no one;
An abstract.
The lamb
Cooked on someone's meal.
On the Tiger's tongue:
Teeth and mouth,
saliva,
blood,
but even my blood is transparent;
I am invisible.

Every night I pretend
I play games
I do a theater piece of nothing
An emptiness spectacle
I delete my brain
And my life
As if I was able to erase myself from
the existance whom I 
never belonged to
I don't remember
It's even hard to say what exactly 
I get myself so confused
My mind feels like it's loosing itself
Sometimes I think I lost it for good
And that comes with some sense of relief

Finally
I don't have to worry about getting mad anymore
Now I already am
I don't have to pretend to be sane no longer 

I skip pill days
Like rabbit holes
The more lost I am the better
I want to feel hurt
And I wait anxiously and willingly
for the moment where destruction 
Will find its way back to me

I want to go home
To my graveyard
I wish to disappear in the air
I'll never receive or possess
the privilege to be

Alter

I see you
I close my eyes and see you;

I smell you
I breathe you
Through the smoke
and my polluted lungs
I feel you;

You are here.
I am you.

I hear you
Beating in my chest
How fast
The lack of coherence
A skipping balance 
Cadence;

I taste you
Experiment you
Try out this new type of being,
New type of place,
Strange,
Which I don't recognize at all
because I am you,
now
And you are from another time–space
And around these new ideas
you know nothing about;

Neither are interested to, are you?
That's what I see at least;

Deeply, I listen to you
Not with my ears, you know
I feel you with my skin though
But that's quite relevant 
At each and every goosebump 
I fall in love for you
Another one more time


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Baby

Quando eu desato meus cílios
E descaso meus lábios
Para te ouvir me ver
Baixar maré
Solto meus remos, 
Temo
Maremoto, seca
Rio com piranhas
Jacaré, arraias
Águas-vivas
Escorpião do mar
Ou do deserto
Carneiro contrariado
Sou um cordeirinho
Perto do tubarão-tigre
O pensamento de ter o mero direito
Ou chance
De ter um lar
Não confio no Deus que o fez
Que me fez
Porque se te fez, qual dos dois?
No preto ou no branco, ou
se — ainda pior — no cinza?
Porque o mínimo dos riscos
De pisar nessa estrada
De alta velocidade
Em horário de pico
É colocar em teus braços
A cria macia que me pari
Com tanto apreço e desespero
E se ao piscar os olhos
Ela te escapa os dedos
Te soa escorregadia
Pesada demais, mesmo que por
milésimos de segundo
Me sobram cacos
E levei tudo que sou
para cultivá-la
É um projeto
literalmente
de toda a vida.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

De Passagem

Fazer a barba
Pintar as pontas
Passar pomada
Lavar o coco
Cortar o toco
Raspar a casca
Checar os pulsos
Lavar a louça
Tirar a pasta
Pastar a prata
E o cálcio
Calçar o salto
Trocar de alça
Checar as horas
Check in list
Os ítens do saco
Dê cê dê cê 
FM – AM
Um hidratante?
Para dentro ou para fora?
Bisnaga azul de toque seco?
Checar a tela
Testar o corpo
Desligar na frente
Brisa fake
Checar a janela
Perder o time
Perder o self
Checar as luzes
Se perder 
Entre as paredes
Achar a porta 
E
Girar a chave

Ah
E vestir 
A roupa íntima
Da boca


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Dálmata +++

Não sei quando você nasce.
Você costumava ser doce;
Talvez tenha sido o momento
Em que eu te abri a cabeça,
com uma pancada a ferro
e o peso de meu corpo 
ainda bem pequeno, porém,
o seu ainda menor:
Foi um dia vermelho.

Em que mundo eu te conheci?
Quem você foi antes de eu te matar?
Antes de eles te alcançarem?
De corromperem seu espírito
em uma nuvem letífera?
Quantos anos você já era
quando decidiu que queria ser isto?

Nunca te conheço.
Nem meu sangue,
nem meus ante-nomes,
Menos ainda tua mente,
O que te move,
O que me adormece
ou me embriaga
Teus sussurros e
códigos malditos
O que dá carga aos teus punhos,
contrai tuas mandíbulas
O que te inspira o roxo que as causa,
E os versos que me expele,
E o silêncio que me aprazes,
Frio como a superfície do gelo
fazendo-se uma cola sobre a pele humana,
tentando arrancá-la,
Vazio e distante
Qual o pico do breu da madrugada
De lua nova
Onde a única coisa que se ouve
É um nada tão alto, tão imenso,
Tão sonoro,
Que é quase tateável na brisa
A frequência dos cacos do meu espírito
Se partindo
Antes que eu me parta.

...

Mas você não notaria, não é?

Você não nunca soube meu nome.
Nunca me viu nascer.
Quando você chegou, 
meu mundo já era, e continuou a ser.
Eu te convidei
inúmeras vezes;
Você quase veio,
mas nunca entrou.
Talvez você tenha tentado,
Eu nunca vou saber 
se aquilo foi uma tentativa
de uma invasão
Você não me compreendia.
Eu sentia que sim
Mas era eu que enxergava seus olhos,
E não o contrário.
Eu sempre cometi esse mesmo erro.
Muito você compreendia.
Mas nunca compreenderia
que eu compreendia igual.
Que eu era um espelho estranho da sua existência.
Ao seu ver eu era um extra– :
um extra-vila,
um extra-território,
um extra-associado,
um extra-terráqueo.
Eu nunca soube se
Algum dia você realmente
quis me descobrir
Ou se você estava 
tentando me demolir.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Tesoura

Eu
Sou um punhado de brasa
Que chamusca na sua faísca
Um fuzível que queima
E desarma o painel elétrico
Uma lâmpada que estoura
Salpica seus estilhaços
O molhado gélido do mármore no refratário 
Saído direto do forno
O secador de cabelo na banheira
A corda da cortina...
A corda.

Você é o estampido da bala de festim.
É o que o fogo de artifício é para os cães.
O que são as palmas para os pássaros domesticados
E o que o som do carro é para os pombos domésticos.
É a energia que causa o olhar que eu vejo
nos cachorros que eu conheço, 
ao ver um celular
E bichos silvestres ao se depararem com câmeras
É o motivo pelo qual não se deve fazer movimentos bruscos,
ou correr, perto de animais
É o que era pra ele
Algo caindo no chão,
Um grito,
Qualquer objeto estranho,
Seringas,
Remédios,
Frutas,
Vegetais,
Em geral o escuro,
Lugares desconhecidos,
Ficar só,
Insetos,
Gatos,
Cães,
O que eu era para ele,
O que você me fez ser,
O que você era para mim,
Tudo que,
Eu via, quando olhava pra você.

Você é a brasa
Que causa o meu incêndio
E eu coloco gasolina
Até que a casa venha abaixo
Você é a usina
Que fornece energia
para que eu acenda
Todas as luzes da casa ao mesmo tempo
E os aparelhos na mesma tomada
Até que um pane na fiação dê um apagão geral
Você é o escuro
No qual eu me coloco
ao tatear a parede tentando encaixar a tomada
Sabendo o que me espera, 
com os dedinhos entre o metal e o plástico
A gota no quente do vidro fino.

Você é água.

A água que racha, que explode, 
que conduz à — ✃ ~

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Tempo de Vida Útil

Todos os dias eu acordo
Às sete e meia da manhã
Às sete e quinze
Às sete e quarenta e cinco
Às sete e vinte e sete
Eu tenho sonhos estranhos
Sonhos comigo mesma
Com amigos que nunca tive
Com pessoas que nunca vi
Lugares em que nunca estive
Ou pessoas conhecidas
Com as quais nunca fiz questão de sonhar
Sinto que avancei no tempo
Temo envelhecer
Pois minha vida está passando
E perdi 4 anos em segundos sem sentir
Eu estava deslocada no tempo
Ainda não havia passado para mim
E de repente, 
Assim,
Passou
Tudo de uma vez.
E percebi que agora eu já sou outra
Com outras desvontades
Com outros desgostos
Com outras decepções
Com outras concepções
E outros ideais

Não quero dormir à noite
Temo que não haja tempo
Que eu envelheça antes de achar o caminho
De volta pro meu caminho
Ontem dormi de exausta
Tenho sentido muita fome
Pois passo tempo demais acordada
Acho que é por isso,
Não sei dizer
Pode ser o medo
Às vezes também fujo de comer
Não sei explicar essa parte
;
Temo que ao acordar amanhã,
Às sete e meia da manhã
Já tenha passado muitos anos,
Anos demais,
E que eu não possa mais fazer nada
Para me ajudar
;
Ou quando chega a manhã,
Temo que acorde muy tarde
Tarde da tarde
No fim do dia
Com o sol se pondo
E minha vida findando
Sem ter vivido nada,
Sem ter tido um pingo de alegria.

Acordo em sobressalto
Olhos pesados
Hipervigilante
Estômago aflito
Como passasse semanas vazio
Vá fazer algo
Sobreviva
Tento provar pra mim que está tudo bem
Que tudo bem descansar mais um pouco
Que eu preciso desses minutos de sono
Mas de nada adianta
Às oito e vinte 
Inevitavelmente
Estou acordada,
Gastando minha bateria

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Territorial

I'm like an animal
spraying my urea scent 
over the nest
to mark my space
to recognize
They say I'm supposed to
search for a
grounding stimulation
But any sort of perfume
takes me to fantasy land
And Wonder is a mazespace I can't afford

So I smell my skin;
my sweat drops,
the critical vinegar 
seasoning my armpits;
I smell my hair,
a wild mess, forgotten for days
wishout a wash or brush,
beggin for care, but still 
quite happy to just be 
(and just be alive);
and yet,

All of this,
what,
You may imagine
as a terrible experience;
My misery of being,
The crudity of humanity, that
ends up being animality;

Proves me:
, like no other thing,
no one,
and no other movement
neither activity could,
That I am alive

I Live
And I can only feel
Because I feel myself
The reality is only real
Because I am real
Because I feel myself
Today is only today
Because I am real
And then I feel today
And then 
I am alive again
And I can live again