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terça-feira, 15 de julho de 2025

terça-feira, 22 de maio de 2018

É

A poesia é para a alma
O que é a vida
Dor que alimenta
Contradiz e quebra
Faz pó de nós
A poesia, como todo o resto
Não faz sentido algum.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Fetish

Você combinou comigo.
Nos encontraríamos às três da tarde, em frente ao portão da garagem do meu prédio.
Eu moro perto da garagem, subsolo, eu te expliquei, mas minha janela dá pra rua.
Às duas e meia eu levanto da cama, lenta e um pouco desmotivada,
É difícil lidar com interações sociais,
Mas eu tenho um bom motivo.
Atrasada, eu resolvo ir tomar um banho.
Tento ser veloz, enquanto meus pensamentos se atropelam.
Será que me sentirei mal?
Será que quero me sentir mal?
Penso se vale a pena me depilar por aquela ocasião,
Se devo seguir os mandamentos feministas,
Se quero gastar o pouco de energia que tenho,
Tentando alcançar um padrão.
A sensação fica melhor quando tá tudo lisinho.
E essa é minha melhor justificativa.
Termino meu banho.
Me enxugo mal, e enquanto pingo pela cozinha, olho o relógio no fogão:
Estranho, ainda faltam dez minutos para as três.
Em exatos nove minutos me visto e me organizo,
Vou até a garagem te esperar.
Repenso e resolvo abrir o portão.
Você está sentado no degrau,
Ao que tudo indica, me esperando faz um tempo.
Me pergunto se você me mandou mensagem,
Se tentou me avisar de alguma forma,
Mas não digo nada.
Sorrio nervosa,
Você sorri de volta.
Quero dizer algo, mas não consigo.
Ainda do lado de fora, nos cumprimentamos com uma espécie de abraço torto,
E então entramos.

Você me observa,
Fecho o portão da garagem,
E você parece estar preparado para este momento,
Porque assim que escuto o clique da tranca,
E me viro na sua direção,
Sinto os seus dedos ásperos tomando meu pescoço
E me prensando contra a superfície acinzentada.
Não sei como reagir,
Tento tossir, mas não consigo,
Você não deixa.
Sinto meu rosto ficando quente e vermelho
E o sangue jorrando pelo meu corpo,
Como se eu estivesse em grande perigo.
Adrenalina.

Escuto passos ecoando no meio do prédio
Tento fugir de você,
Mas estou fraca.
Você coloca a outra mão entre as minhas pernas
E eu deixo.
Você aperta,
Como se eu fosse um objeto,
Como se tivéssemos qualquer tipo de intimidade.
Acho que temos.
Tento gemer, mas tudo que sai de mim é um sussurro.
Não consigo respirar.

O som dos passos de aproxima,
Fica mais rápido
E, antes que eu perceba,
Você me soltou e está encostado na parede distraidamente.
Eu observo tonta uma senhora de salto vir na minha direção
E meio desorientada, percebo que estou no caminho dela.
Levo um tempo para desviar e dar passagem,
Será que ela percebeu alguma coisa?
Ela não parece muito atenta.
Eu respiro como se tivesse acabado de correr uma maratona.
Clique.
Ela saiu pelo portão da garagem.
Eu começo a rir.







segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Teu eco

Como um passado distante
Que mal faz cinco minutos
O fim é sempre um tapete
Do que ainda está por vir
E mesmo quando não faz sentido
Doi a casa vazia
A cama com espaço de sobra
O silêncio de nenhuma companhia
Mesmo que sonolenta ao meu redor
Eu queria que eles ficassem aqui pra sempre
Talvez eu fosse mais feliz
Eu sei que em tudo dá-se um jeito
Quando tenho com quem conversar
Quando tenho corpos pra abraçar
Piadas pra fazer
Bobagens diversas pra comer
Quando tenho você
Quando tenho você aqui
É quase nunca que você vem
E eu mal sei o que fazer contigo
Mas é quase um amuleto de sorte
A tua presença
É quase um feitiço de paz
Você dormir comigo
Não vai embora
Não tive tempo de matar saudades
Não tive tempo de beber umas e outras
Me conta mais das tuas histórias
Reclama que tá cansado mais um pouco
Fica aqui enfeitando meu caminho
Até eu lembrar das coisas que me afligem
Para esquecer de novo da tristeza
Fica aqui, descansa
Deixa eu te ver dormindo
Só um pouco
Eu sou criança quando você chega
É quase como se eu fosse normal
E não fizesse mal a ninguém
É quase como se tudo tivesse salvação
Nem sei de onde você veio
Ou quem eu era quando te conheci
Não me lembro
Mas às vezes
É encantador pensar
Que uma pessoa pode me deixar assim
Tão tranquila
Eu acho que você é a pessoa
Que mais me acalma no mundo
Eu só queria ser boba um pouco
Agradecer tua visita
Te pedir pra ficar mais
Quando você já foi
Te chamar pra voltar sempre
E não fazer nada mesmo
Obrigada, fica, volta
Você deixou um pouco de felicidade
No meu travesseiro
Dá até vontade de dormir mais

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vozes

A minha instabilidade e falta de autoestima são as doenças que irão me matar.

É sexta-feira, amor.
E eu me sinto tão louca.
Não sei quem sou.
Antes de dormir,
Me ouvia aos berros dentro de mim.
Dizia tantas coisas que me perdia.
Com tanto medo de ser insana,
Com tanto medo de ser instável.
Me sabendo aquela pessoa que
Num segundo agradece por toda a felicidade
E no seguinte já se acha indigna de tudo.
Eu sou louca, amor.
E é sexta-feira.
E já na terça tudo recomeça,
Como combinado.
Ontem de madrugada,
Quando me via acordada,
Novamente perto das 5,
Pensava em como me sentia um lixo.
Me olhava no espelho,
Tentava me perdoar por tudo isso.
Mas o espelho nem sempre é tão gentil.
Eu sou maluca.
Eu sou autodestrutiva
E logo, bem logo,
Vou querer me matar mais uma vez.
Amor, acordei agora,
Tentando fazer
Com que a parede me engolisse
No canto da cama,
Me perguntando quem eu sou.
Quem eu sou?
E você repetiu o meu mantra
Não codificado.
Vou morrer disso.
De instabilidade e autoestima baixa,
Talvez pelas minhas próprias mãos.
Nunca se sabe.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Além do previsto

Sexta-feira de julho
Dois estados
Avião no ar, cerveja na veia
Caramelos nos pulmões
Amor nos pulsos
Encosta em um, encosta em outro
Deixa o peso pendular nos dois humanos
Deixa a vida gastar
Um pouco mais do dia, da noite
Da carne e da energia
Mesmo que fique tonta, vá pra rua
Não espere o demônio camuflado
Vá pra rua
Com o amor da vida, com o amigo
Ou mesmo com a família
Vá beber uma coca-cola
Apoiar no canto

Vai-se embora
Mesmo que a boemia de acabe
Mesmo sabendo que a bolsa termina
Mesmo que o universo repita
"Tu tens que se esforçar pra ser a fada"
Tinker Bell e Melody
Seja quem for o Sol dessa vez
E mesmo que Alice, Isabel
O que faz é pouco
Precisa acordar pra vida
Se quiser ser boa

Eu sinto tanto cansaço
Eu preciso dormir um pouco
Mas gasto mais
Peço socorro pra lua
Cheia, branca que só, brilhante
Me lambe no céu
Aflita
Apaixonada
Eu busco uma redenção tardia
Antecipada
Eu fico acordada
Me busco rua adentro
Deixo o ódio pra lá

sábado, 23 de maio de 2015

Patacolá

Qué,
Disse o Pato
Patético era o seu discurso
Tentou fazer poesia
Não entendia
Pra ele sempre rimava

Mas Patolina insistia,
Não se faz poema
Com um único fonema

E o Pato só ouvia
Qué
De volta
E rimava

Era poesia

- (Para Fred)

sábado, 4 de abril de 2015

Cinco minutos aqui

Se eu te dissesse
"Aqui",
Tu acharias longe
E começaria a morte de nossa conversa.

Eu digo aqui,
E enquanto a conversa morre,
Eu resolvo te escrever
Alguma coisa que valha
Os cinco minutos perdidos.
Cinco minutos hoje em dia é uma eternidade.

Sobre a vida,
Não é só o amor e companhia,
Não é só saber o que fazer ou ter motivo,
Não é só ocupar-se através do tempo
(que nunca sabe passar direito, no ritmo do relógio).
A vida é o existir que você consegue se doar.
Seja em melancolia ou gozo,
Vindo de qualquer canto.
A vida, que a gente nunca escolhe aceitar de fato,
É resolver criar coisas
Sem razão alguma.
É aceitar a falta de razão nos fatos
E se permitir viver os imprevistos.

Sobre amor,
Nem sempre é tudo que a gente espera.
Há amor na padaria.
Há amor numa conversa tosca.
Amor não precisa ser aquela bendita falta de futuro.
Solidão não precisa ser o nosso nome.
Também há amor na falta de tato,
E em qualquer gesto que venha de um outro.
Não é preciso fugir de tudo que toca.
Não é preciso doer tudo que dá vontade.

Sobre morrer,
Mesmo que faça sentido sempre,
Não é útil à sobrevivência
Deixar que tal pensamento seja dono de todos os dias.
Há uma lógica por trás dessa aceitação,
Mas ela não te salva do incômodo rotineiro.
Busca guardar num vaso
E jogar terra por cima.
Planta alguma coisa que te distraia desse lado de ti.
Você sempre pode quebrar o vaso.

Não desiste.
Se o pranto não termina,
Ainda dá tempo
De querer a tua paz.
Se a conversa ainda não acaba,
Só mais cinco minutos
- outra eternidade -
Pra eu tentar mais uma vez.
Fica.
Eu te entendo em desgosto e falta.
Eu fico em silêncio se for necessário.

domingo, 23 de junho de 2013

Paixões Sonoras

     Por alguma razão que eu desconheço, resolvi listar aqui minhas paixões/fantasias mais importantes, acompanhadas cada uma com sua música tema.

  1. Suh, ou Susi, a yaoista. ~ Tik Tok - Ke$ha
  2. Kon, o "hétero". ~ Yayo - Lana Del Rey
  3. Débora, a roqueira. ~ Lapada na Rachada - Saia Rodada    (Oh, lord, why?)
  4. Lei, a capricorniana comprometida. ~ Fuckin' Perfect - P!nk
  5. Douglas, o namorado. ~ ? (Interrogação ou Comofas) - Ana Cañas
  6. Lúcifer, o filho da noite. ~ Ave Lúcifer - Mutantes
  7. Miguel, o par perfeito. ~ Tchubaruba - Mallu Magalhães
  8. O assassino. Sim, só isso. ~ Forevermore - Broken Iris

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Pausa

      Ali estávamos os dois. Tempo parado, coração acelerado. O momento se entranhava na minha memória. Perpetuando-se. Eu não sabia ao certo o que desejar. A ânsia de tocar, abraçar e algemar era absurda, mas um pouco menor que minha coragem, que o meu orgulho. Ele mesmo não era capaz de definir o que devia ser feito, o que devia ser dito. O instante pairava na companhia da pergunta abstrata. Esse segundo nos definiu. Ele o fez. Foi curto o momento. Talvez ele nem tenha notado a pausa. Porque logo em seguida tudo correu. O tempo corria aflito novamente. Mas eu notei, e desde então ele ocupou o espaço vazio que eu não tinha notado. E eu passei a recontar esse novo elo como se fosse esse momento uma história de amor que eu tinha esperado minha vida inteira para viver. E eu acreditava nisso, acho. Acredito. Mas hoje de uma forma muito diferente. Ele sim, é o amor da minha vida. E até quando eu direi isso? Porque esse instante se perpetuou, eu sei. Mas nada vou fazer a respeito. É por ser assim, que eu acredito na perfeição. Porque os toques são suaves, as conversas longas e as pernas resistentes. Porque os olhares são cheios, os pensamentos perdidos e as risadas sinceras. Talvez ninguém o saiba, mas as risadas são menos de graça que de felicidade. Mesmo quando as lágrimas só esperam espaço. Mesmo quando o peito aperta, e o silêncio ocupa os vagarosos intervalos. Quem quer se despedir? Porque me faz querer chorar sempre que chego em casa. Sempre que reflito lenta sobre os meros detalhes. Sobre o que não se vê. E talvez seja mais sobre o que eu não sei dizer, sobre o que eu não escrevo. Talvez mais sobre os abstratos. Mas certas frases permanecem, como sua presença aqui. Tais como, eu diria "você é o amor da minha vida". E tais como "você fez do meu dia feliz". São do tipo das que não precisam ser ditas, mas eu sou do tipo que diz. E dizer isso agora não me ajuda nem um pouco a entender a razão de nada, mas me faz sorrir. E no final, é apenas disso que se trata. Dos nossos sorrisos. Desde o falso que eu dei, no dia em que previ nosso futuro. Até o interno que eu reprimi, mas que nasceu sozinho. O resto é lucro. O resto é nós.