quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Escape

Eu aperto meus dedos contra a palma da mão.
Eu quase não percebo.
Quando eu vejo estão doendo,
Tamanha a força que faço.
É involuntário.
Você.
O menino que só aparece de madrugada.
Alguém tá me mandando dormir mais cedo.
Sempre reclamam
'Não vai não'.
A madrugada é dos carentes,
Mas eu só quero dormir.
Eu preciso.
E você quase já não cabe
No meu querer ou precisar.
Eu tenho saudade às vezes,
Mas não é forte.
É verdade que algo em mim
Não quis finalizar a tua ida.
Estou sujeita a coisas
Que não gostaria de admitir.
Mas meus dedos,
Apertando a bolsa, confessam
O que eu me esforço tanto
Pra esconder.
E não é como se minhas palavras
Fizessem um trabalho melhor.
Nem meu coração parece aceitar
Que precisa bater mais lento, descansar.
Nada me obedece.
Tudo me entristece e cansa
Toda hora.
Não demora eu encontro outro motivo.
Hoje tem textos seus pra ler.
Eu sempre olho,
Eu sempre me entrego.
Eu esqueci de ler a tua história.
Isso está dando meio certo
Mas talvez não dê.
Eu nunca sei o que eu estou fazendo.
Você só aparece quando eu tô tentando dormir.
E eu escolho dormir.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Depression task

I'm really tired of your "it's a secret" game
I'm tired of "you're he only one who knows"
You once told me a secret
The worst secret anyone could tell
You gave me this sick gift
I thought it would make me special
But it never did
It's not like you intentionally wanted
To make me feel so bad
I told you I loved you so
But I could never predict
That it would end up like this
You get my hands dirty
I don't wanna know your secrets anymore
I don't wanna touch you
I don't wanna se you
I have to vanish my soul
Everytime I say hello
And that kills me
Because I know I will
Eventually
Really hurt you
And I don't mean to be mean
I'm just too tired
Too sad, too sick, too nauseated
I'm overwhelmed
And you never knew the consequences
On your acts
Or you never actually cared
While I forget who you are
And I often do
I keep loosing myself
On my way to home
I don't who I am
Or where am I
You make me lost and sad
I can't handle this
In fact, I can, but I don't want to
I wanna go home, be safe
I wanna be away
From you

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Indiferença, alvejante

Escrevo tudo que vejo
Tudo que sinto
O chão que desprezo
O ar que revisto
O meu reflexo deturpado no espelho
A feiúra desgostosa da gente
A euforia, a funebridade,
A celebração da castidade
Ou da vulgaridade inconformada
Escrevo quando estou chapada
Escrevo quando sou amada
Se isso sequer existe
Escrevo a desvantagem de ser triste
O desespero, a falha, a navalha
A fornalha onde não jogo teus textos
Pretextos inventados por mim
Para me permitir a tua falta
E quando morre, me mata
Mas não posso mais sentir
Teu gosto de sangue jorrado
Imaculado fruto da derrota
Quando não pudeste mais
Cumprir as promessas que me fazia
Logo não podias mais fazer promessas
E aí tudo se esfria, gela, racha
A superfíce do lago, polar ártico
Assim que lhe arranha a agonia,
Cede, afoga, afaga, líquido
Os alvéolos exaustos
Mas não há dor pra ser sentida
Dormente o gosto,
Dormente a partida
A vida que não tenho já se acaba
Para nascer de novo, chocada
Debaixo do calor de um preto e branco
Um garçom, um manto,
E na sobriedade a abertura
Antes que eu de novo seja
Antes que eu tenha tempo de me machucar
Me cura de nosso fim, me cura
Me perdoa os erros já previstos
Perdoa os meus desejos mal vistos
Te apaga em mim
Para que eu não perceba simplesmente
Que existe esta realidade
Onde não sou o deserto da antártida
Aqui, onde os amores
Nunca foram registrados no cartório
Nesse eterno velório
Sem velas, sem choro, sem compaixão
Sem medo, sem riso
E definitivamente
Sem perdão

To cry, to dry

Tired so tired
Seasick of you, boat
Jetlag of him, heavy cloud
I don't wanna do this anymore
I don't wanna fly
I don't wanna drown
I don't wanna swim
I don't wanna fall
This is what I get
For breathing so hard
This is all I have
Please, don't go so far
I have to go alone
This is just my life
I am not supposed
To be someone's wife
And this little poem
Does not even make sense
Makes me look so dumb
I should just give up
I should just go on
I shall not be me
I only wanted to be free
And I deserve it
But as I can see
There's no company
On my pretty path
There's no company
On my future beds
I must go alone
I must be on my own
I'm sick of you two
Of you three
Of everyone
I should say I'm gone
But I'll never be
I'll never be
I belong to dirt
I belong to me

A insuportabilidade do traidor por perto

Não faz isso.
Não fuma, não bebe, não foge.
Para de fugir. Para.
Nem o corpo dele importa mais.
Não deixa o menino te pegar, Emily.
Não deixa o bicho papão chegar aqui.
Vai dormir.
Descansa, pinta sua mandala, vai pra aula.
Prepara a fantasia e o quadro,
Sai dessa internet.
Você tá tão desesperada pra falar com os teus amigos.
Você abandonou todos eles, não foi?
Mas eu os amo.
Eu quero falar com eles.
Mas por outro lado, quero ficar em paz.

Vamos lá, um pouco mais,
Verdades frias na tábua.
Falar com esse garoto me irrita.
Me desespera, incomoda.
Ele só faz ir embora, todas as vezes.
Tudo que ele me fala é sobre ir embora.
Como se ele estivesse num interminável
Processo de morte.
Ele morre, morre, morre todos os dias.
Me incomoda. Atormenta.
Eu não quero assistir.
Ele me convida, eu vou.
Ele sugere, eu topo.
Ele pergunta, eu concordo.
Mas eu não suporto, eu não suporto.
É como se esticássemos um fim
Que já acabou há anos.
Por que eu estou fazendo essa caridade falsa e suja?
Por que eu não falo logo a verdade e acabo com isso?
Eu não quero matá-lo,
Eu não quero provocar-lhe dor.
Eu só quero ficar longe todas as vezes possíveis.
Dele e seus cigarros, dele e seus tormentos,
Dele e seus desesperos, corpos, imagens.
Eu não sei o que fazer.
Ele é um mau presságio.

Ele não sabe, mas agora sinto
Que todas as vezes que eu precisar tocá-lo
Eu terei que estar minimamente alta,
Para não querer me matar
É como se fosse tóxico
Se eu o encosto, morro
Definho, apodreço, pereço
Isso já nem faz mais sentido
Traição, será?
Quando tempo leva até você perceber
Que eventualmente você vai embora
Que isso já começou faz tempo, tua partida
Talvez já tenha notado, talvez apenas ignore
Isso me machuca
Você logo vai embora de vez
E vai doer mas eu quase não vou sentir
Porque quando você me matou
Eu virei um monstro
O bicho-papão em mim agora existe
Agora pode
E eu não posso com ele
Eu preciso que ele durma
Então vamos dormir

Crueza, crueldade

Debaixo de todas as verdades
Que nos cobrem nas noites frias
E não nos aquecem
Está essa:
eu não posso te salvar da partida dela
O perigo do amor
Foi desde o início escolha tua
E eu tendo ou não concordado
Incentivado a tua ida ou vinda
O coração condenado era o teu
O risco estava exposto,
Estendido sobre a mesa
Você sabia que podia cair
A qualquer momento
E eu não posso dizer que te avisei
Porque de fato nunca fui tua mãe
Ou tua consciência
Eu apenas sei
Que todos os amores
Carregam este perigo do fim
E eu te digo desde sempre
Que não confio na eternidade das coisas
Se você insiste em me contar
Da duração de teu sentimento
Que resiste, rocha, às porradas da água
Eu apenas aceito e digo "vá"
Se quando te machuca, você gosta,
Se quando acaricia, vale a pena, vá
Mas no teu retorno, não tenho culpa
Não posso te curar,
Não posso ser tua foda do perdão
Não posso ser o alívio que o Universo empresta
Aos apaixonados suicidas
Não posso te salvar da ida dela
Nem do teu coração partido
Não posso cicatrizar tua solidão
E se o desamor te carrega toda a alegria que sobra
Ele tem o mesmo efeito sobre mim
Quando a escolha é minha
E não é como se eu estivesse imune à tua falta
Todos sofremos
E a tua dor não é responsabilidade minha
Nem por isso vou-me embora
Nem por isso cubro minhas orelhas
Nem por isso recuso um agrado,
Um cafuné, um café, um abraço
Mas não posso te curar e é necessário
Repetir isto em voz alta
Para que todos saibam
Que além de não ser psicóloga,
Não sou curandeira ou santa,
Não sou doutora de maneira alguma,
Não sou abençoada,
E tampouco sou o amor de alguém,
Qualquer salvação ou ícone,
Tampouco sou a dor de alguém,
Não que nunca tenha antes sido,
Não tenho o dom de mergulhar
Os moribundos em esperança
Eu tenho duas coxas, colos,
Tenho dois braços, pesos confortáveis
Para os teus ombros magros,
Tenho meus lábios dispostos
A te dispersar a mente,
E uns olhos confusos
A tentar te confundir também.
É tudo que tenho,
E um copo meio cheio de água gelada,
Se quiser minha companhia, venha
Mas além dela, não tenho nada
Nada te especial a te oferecer.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Conte de fées

O mundo parece irreal.
O cheiro da chuva desnorteia os meus sentidos.
Há um lago se formando na minha  rua.
As saudades que eu sinto agora
Não inofensivas como as saudades
Que eu senti pela manhã.
Tudo se inverte.
De uma hora pra outra,
Eu já não estou pedindo que minha vida atarefada retorne.
Eu quero que esta paz nunca acabe.
Se eu trabalhar vez ou outra, essa não deve ser minha vida.
Eu não quero ser melhor que ninguém.
Eu não quero ser "bem sucedida".
Uma profissional admirável, invejada.
Eu não quero estudar na melhor faculdade,
Tirar as melhores notas, ganhar o melhor salário.
Eu não quero ser reconhecida pelo meu trabalho.
Eu quero ser conhecida, de verdade.
Eu quero ter amigos, ser amada, ser divertida.
Eu quero que as pessoas possam contar comigo.
Quero uma vida íntima, quero poder sair e falar sobre tudo.
Eu não quero a vida que os adultos esperam de mim.
Quero ter uma grana, pintar minhas telas,
Conseguir ser minimamente dona da minha vontade.
Quero poder ser espontânea, viver aventuras estúpidas,
Ficar em casa durante todo o fim de semana.
Eu quero ser digna de mim mesma.
Preciso de uma identidade.
Eu não vou fazer o que me pedem.
Eu não vou cobrar de mim algo que não sou.
Eu vou ser peculiarmente mediana.
Ordinária, comum, medíocre.
Eu vou tirar as notas que preciso, arrumar um emprego,
Sem compromissos eternos com carreira.
Eu vou viver os relacionamentos que forem necessários,
Sem precisar ser a pessoa perfeita todas as vezes.
Sem precisar ser maravilhosamente bonita
Para desconhecidos me admirarem na rua.
Isso não faz sentido.
Eu não quero ganhar um troféu.
Eu não quero representar uma marca.
Eu não gosto de competições.
Eu prefiro quando alguém sorri e diz que pode contar comigo.
Esse é o meu presente, a minha dádiva de Deus.
Estar ao lado de alguém, é tudo que eu quero.
Eu não devo nada a ninguém.
Eu não preciso ser a mais ética, a mais correta,
A mais doente, a mais escrota, a mais sofrida,
A mais esperta, a mais gostosa, a mais bonita,
A mais divertida, insubstituível ou incomum.
Eu só quero ter o direito de existir.
Eu não devo nada a ninguém.
Eu só preciso sobreviver, e buscar um pouco de felicidade.
É isso, tudo ou nada, me esforçar todos os dias, ser grata,
Me buscar em todos os cantos e em todas as pessoas,
Contatos, passeios, céus, é isso.
Eu preciso me construir como uma nova cidade,
Prestes a ser habitada por pessoas inacreditáveis.
O mundo parece irreal, como se fosse todo meu.

Fast As You Can - Fiona Apple

I let the beast in too soon
I don't know how to live without my hand on his throat
I fight him always and still
O' darling, it's so sweet
You think you know how crazy, how crazy I am
You say you don't spook easy
You won't go, but I know
And I pray that you will

Fast as you can, baby
Run, free yourself of me
Fast as you can

I may be soft in your palm
But I'll soon grow hungry for a fight
And I will not let you win
My pretty mouth will frame the phrases
That will disprove your faith in man
So if you catch me trying to find my way into your heart
From under your skin

Fast as you can, baby
Scratch me out, free yourself
Fast as you can
Fast as you can, baby
Scratch me out, free yourself
Fast as you can

Sometimes my mind don't shake and shift
But most of the time, it does
And I get to the place where I'm begging for a lift
Or I'll drown in the wonders and the was
And I'll be your girl, if you say it's a gift
And you give me some more of your drugs
Yeah, I'll be your pet, if you just tell me it's a gift
'Cause I'm tired of whys, choking on whys
Just need a little because, because

I let the beast in and then
I even tried forgiving him, but it's too soon
So I'll fight again, again, again, again, again
And for a little while more
I'll soar the uneven wind
Complain and blame the sterile land
But if you're getting any bright ideas
Quiet, dear - I'm blooming within

Fast as you can, baby
Wait, watch me, I'll be out
Fast as I can
Maybe late, but at least about
Fast as you can
Leave me, let this thing run its route
Fast as you can

Fast as you can
Fast as you can
Fast as you can
Fast as you can

Timeless 24 hours

O cronômetro começa sua contagem
Eu te chamo aqui
Você vem
E quando chega
Existe uma distância escondida
Eu só quero pular esses segundos
E te jogar contra a parede
Mas é quase certo
Que mal tenho forças pra isso
Está tarde
Tarde, tarde da noite
A gente sai, vai comer alguma coisa
Eu estou morrendo de fome
A gente come uma pizza
A melhor pizza da minha vida
É tão exótico e divertido
Eu dispenso talheres
E me entretenho com teu degustar
Nós rimos
Em tudo que fazemos, risos
É tudo muito engraçado, eu e você
Nós damos certo
Eu sujo muito os meus dedos
Limpo com os lábios
Você também
Nós agimos parecido 
Quando estamos perto
Nós dois damos bem certo
Dá pra ver

Vamos embora, pra casa
Bebemos uma coca-cola
Fazemos um pouco de nada, conversamos
Estamos rindo de novo, 
Trocamos de quarto,
Para não acordá-los,
Não estamos sozinhos
Mas isso não é problema
E no outro quarto, tudo escuro
Você me faz confissões, eu me preocupo
O ar ali pesa um pouco 
E eu estou quase triste

Quando eventualmente começamos
A nos beijar
E aí é tudo muito estranho
E vai continuando
É como se nos pertencêssemos
E sabemos eu e você
Que somos muito iguais
No que diz respeito a amar outra pessoa
Mas nós damos certo
E nos socorremos
Nos socorremos em braços, pernas, bocas
Ambos os corpos inteiros
Pedindo socorro
E meus lábios nunca pertenceram melhor
A qualquer lugar que não a sua barriga
E tudo agora está turvo
Eu consegui te distrair da tua solidão
E você me distrai da minha
Agora estamos juntos
Muito juntos, pois nós damos certo
Sem nos embolar

Mas aí eu estou cansada
E a gente faz uma pausa para deixar
Que o peso que o ar carregava
Agora caia sobre nós
E nos cobre feito o meu edredom
Está tudo quente
Quente, quente demais
Eu ligo o ventilador
Pra esconder os nossos prantos, gargalhadas
Pra limpar o ar do nosso ambiente
E logo a gente volta a recitar
Poesias, poesias cruas
Melodias nuas
Eu e você estamos enfim no ponto certo
Porque nós dois damos certo
A gente se entende nos lugares secretos

E quando já é dia, a gente sabe
A gente dispensa os imprestáveis
Que decidiram dormir durante a noite
Dormimos durante o dia
Para não ver o sol
Para esquecer o que as manhãs decifram
A gente acorda de tarde
E a essa altura nada mais importa
Nos conhecemos, nos encontramos
Como se nunca tivéssemos ido a lugar algum
Somos eu e você, atemporais
E almoçamos, vamos dar uma volta,
A cidade é nossa, podemos vê-la inteira
E o vento alegra os meus cabelos
E as árvores que assistimos
Eu ponho meu braço sobre teus ombros
Queria te agarrar ali no meio das pessoas
Mas me contenho
E passeamos mais um pouco
Vemos os estranhos, 
E até o sol acaba não me machucando

Mas paramos num canto, conversamos
E está tudo prestes a entristecer de novo
Você é muito sincero quando tenta não ser
Eu te enxergo
E queria poder acariciar o que você esconde
Eu não posso fazer nada
Mas nós combinamos
Eu e você
E essa nossa parte de dentro

Então começamos uma caçada
A alguma bobeira nossa
Uma tentativa de ficar feliz,
Encher o estômago
Fazemos um milkshake fraco
Fica bom
E aí eu não me lembro o que eu faço
Mas te encontro no quarto deitado
Você não parece bem de novo
Então te encho de beijos
Beijo, beijo, fica bem
O que é que está acontecendo?
Você continua aqui
A gente se consome
E está tudo ótimo
Nós engolimos o tempo 
E tudo corre devagar
Não faz sentido
É como se fosse acabar mas não acaba

A gente levanta, toma banho
Precisamos comer alguma coisa
Eu tento fazer um arroz mas entro em pânico
Eu na verdade não sirvo nem pra isso
Mas você está aqui
Então fica tudo bem

Eu estou cansada
Eu não durmo direito há anos
Eu preciso de mais um abraço, já foram uns mil
Eu preciso de mais uns beijos
É como se eu não te deixasse em paz
E a gente está no quarto errado, rindo
Rindo, rindo, rindo tanto
A gente vai acordar alguém com certeza
As bobeiras mais bobas de todas, o meu sono
A gente vê desenho
E eu fico abraçada contigo pra sempre
A gente se conhece
Mas eu sei que tá tudo esquisito lá no fundo
E mesmo assim nós damos certo
Eu e você damos certo
A tal ponto que eu na verdade me esqueço disso tudo
Você está na minha cama
E diz que me ama
Você diz escondido
Mas é perfeito
E eu continuo fazendo charme
E em algum momento
Você está tão exausto
E eu te peço pra não dormir
Não dorme
Porque se você dormir
Vai acabar indo embora
E eu só quero que você continue aqui
Eu moro em você
É chato ficar longe de casa

Mas a gente dorme
E depois de um tempo
A gente acorda
E o cronômetro continua contando
O tempo passou, passou aos montes
E eu preciso tomar um banho,
Me arrumar,
Você precisa ir pra casa
Mas eu não quero que você vá
Eu fico te beijando
Não vai, não vai
Deita aqui comigo
Mais um pouquinho
Eu te beijo, beijo
Depois te abraço
E beijo, beijo

Deu a nossa hora
Você precisa ir embora
Minha mãe pergunta se você vai ficar
Eu queria dizer que sim
Mas não posso
E na verdade tenho medo
De não poder te salvar
Mas nós ficamos tão bem juntos
É como se tudo desse certo
Nós damos certo
Você sabe disso, eu sei que sim
E aí você vai embora
E eu não consigo me despedir o suficiente
Mas eu me distraio e sigo em frente
Você me diz que vai voltar
Meu padrasto faz questão de repetir
O que você disse
Eu anoto aquilo e tento ficar calma, feliz

Eu aproveito metade do meu dia
E a outra metade eu passo dormindo
Eu sonho contigo
No meu sonho você está feliz
Genuinamente
E eu acordo com saudades
Saudades, saudades
Eu devia ter te amarrado na minha cama
Eu devia ter te dito que te amo
Mas eu morro de medo
Eu tenho medo de tudo
Tanto que espero o dia inteiro
Pra escrever esse texto
Sobre o tempo que não se calcula
Sobre a tua estadia aqui
Sobre como esse tempo
Foi o período mais certo do meu ano
Porque nós damos certo
E eu te queria mais aqui
Queria que você fosse meu 
É como se fosse
Mas é tudo tão confuso
Eu te digo
Estou confusa e curiosa
E você ri
E a sua risada faz sentido
Mas todo o resto não faz
Eu só preciso ficar aqui rindo com você
Pra me salvar
Volta, volta, fica aqui
Não vai, não vai
Para o tempo de novo comigo
Volta e não vai

domingo, 1 de novembro de 2015

Armadilha

 Você com quitutes
Você com vasilha
 Você lá na ilha
Chapéu e a matilha