sexta-feira, 31 de julho de 2015

Eclipse, céu de sempre

Agora você me toca
Eu pedi tanto
Agora você me ama de volta
E já não obceco na tua pele
Agora você sorri, me arrasta os dedos
Quando eu já não percebo
Tu continua meu em carne e osso
Queria te beijar um pouco
Tu me deixa três marcas no braço direito
As melhores marcas que eu já recebi
Agora tu namora
Como se pertencesse mesmo
A um só lugar
E na verdade
É quase certo
Que estará aqui pra sempre
Ainda te amo
Pra sempre te amo
Ainda mais em pontas de dedos e punhos
Teus cigarros já  não me matam
Nada matará
A existência conjunta me acalenta
Se não foi magia
Não sei como fizeste
Mas és ainda o mundo que eu conheço
O mais estranho de todos
És o eu de que me lembro
Meu reconhecimento secreto
O reencontro de sempre

Além do previsto

Sexta-feira de julho
Dois estados
Avião no ar, cerveja na veia
Caramelos nos pulmões
Amor nos pulsos
Encosta em um, encosta em outro
Deixa o peso pendular nos dois humanos
Deixa a vida gastar
Um pouco mais do dia, da noite
Da carne e da energia
Mesmo que fique tonta, vá pra rua
Não espere o demônio camuflado
Vá pra rua
Com o amor da vida, com o amigo
Ou mesmo com a família
Vá beber uma coca-cola
Apoiar no canto

Vai-se embora
Mesmo que a boemia de acabe
Mesmo sabendo que a bolsa termina
Mesmo que o universo repita
"Tu tens que se esforçar pra ser a fada"
Tinker Bell e Melody
Seja quem for o Sol dessa vez
E mesmo que Alice, Isabel
O que faz é pouco
Precisa acordar pra vida
Se quiser ser boa

Eu sinto tanto cansaço
Eu preciso dormir um pouco
Mas gasto mais
Peço socorro pra lua
Cheia, branca que só, brilhante
Me lambe no céu
Aflita
Apaixonada
Eu busco uma redenção tardia
Antecipada
Eu fico acordada
Me busco rua adentro
Deixo o ódio pra lá

Zona norte

Meus textos em inglês não têm métrica
Não têm graça, ritmo, beleza
Meus textos em inglês só têm desgraça
É a língua da morte
E não a língua da dor

Hoje eu não posso citar teu nome
Porque vou encontrar o outro
É como uma enorme traição
(Como se não fôssemos todos traíras)
Hoje eu não posso beber
Ou fumar uns cigarros
Mas talvez eu acabe fazendo os dois
Eu nunca sei
O que eu vou sentir

Ah, Marina,
Te amo tanto
Canta o meu desespero
Eu preciso do colo de alguém

Ah, querida cidade
É bom estar de volta
Nesse calor que me faz sentir suja
Na minha cama
Na minha tormenta de sempre

Hoje não é dia de escrever texto
Vá-se embora, menina

Reizinho Sol

You're a monster
That wants to eat my guts
I'm a' call Mr. Ed
He won't save me anyway
You're a sucker
That never licks my pussy
The right way
I wish I could burn you down
But I won't, baby, I won't
You're a monster
You only wanna make me suicide
You want to break my heart
Another time
An autre fois

Oh, darling
When you think of me
You see this girl
That tries so hard to make you happy
That cares a lot about your brain
You see this girl
That says so much about
How fascinating you are

You never think
About the jokes we could share
About the laughs we could give
As kisses through the air
You never think
About how happy we could be
If we could make it us
Not you, not me

When you sing to death
When I hear your voice
When I watch through your eyes
Those eyes so dark
Everything
Goes down
Everything
Gets sad

And you won't change that
You think it's beautiful
When ungly
Wonderful, while dead

You're a monster
A ghost
A vampiric thing
You think my hope
Will make you happy
But you don't want any hope
You only want to say
The fucking last word

"I am the fucking king"

Dejavu 07

Meio de ano
Pra ser sincero
Pedras na beira da praia
O suicida de julho
Sol, água, exaustão
Espelho de espaço-tempo
Algo que quebra por dentro
Algo que machuca os pés

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A lua e os lobos da noite

Ei, moça
Me empresta um trago desse teu cigarro
Antes que eu me apaixone
Por esse teu cheiro de nicotina
Ô, moça
Me vê só um cigarrinho desse
Deixa eu acender no teu
Te faço um verso
Não sei por quanto tempo
Vou ter que esconder que sou má
Seis tragos, nada mais
Prometo que viro do avesso
Pro lado certo de novo
Ah, esse cheiro, moça
Esse mar
Essa poluição particular
Me cede um pouco de morte
Que nem tudo aqui é bom
Que a vida também doi de vez em quando
Eu juro que me esforço
Não quero o maço inteiro
Que a minha dor tem validade
Eu fumo, mas não é por vaidade
Também não por vício
Só quero um veneno de rato
Só de vez em quando
Em noite de lua cheia

Pra ser sincero - Engenheiros do Hawaii

Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos

Pra ser sincero
Não espero que você
Minta
Não se sinta capaz
De enganar
Quem não engana
A si mesmo

Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos

Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos

Pra ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma
Ao diabo

Um dia desse
Num desses
Encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação

Um dia desses
Num desses
Encontros casuais
Talvez eu diga
Minha amiga
Pra ser sincero
Prazer em vê-la
Até mais

Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Nunca deixam suspeitos

Turismo

São tantos sinais
Que eu encontro no universo
Que chega me doi a cabeça
Eu não sei onde me enfio
Com tamanha enxaqueca
Não sei onde descalço meus pés
Triturados como tijolos
De tanto seguir o carneiro
Morro acima e abaixo

Estou exausta
Só queria a minha casa
Minha gente
Meus monstros de sempre
Nada de carro, avião ou serra
Nada de terra, nada de mar

Meu velho concreto,
A calçada suja,
Aquela velha buzina na janela
Quero minha cama, meu cobertor
Mais do que ser amada
Estou me perdendo por aqui
Sufocada e tonta
Em excesso de tudo
Turista demais do mundo

Só e transbordada
Que chega doi tudo mesmo
Que chega me faz um caco
Me acaba de vez

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Alice, wake up!

Não mais te conheço
Não mais te enxergo
Não mais te leio
Se quiseres, busques minha voz
É só
Tudo que precisas saber é isto
E este diálogo se dá por encerrado
Agora sou surda, cega, louca
Alice acordada
Alice no mundo real
E não no portal mágico
Alice não mais cabe ali

Girassol

Ô, Girassol, me ajuda
Prometo não brincar de bem-me-quer
Eu só preciso de um pouco de sensatez
Eu sei que amaste outra
Eu compreendo
Mas não foge, não some
Eu me sinto tão culpada
Te esfregando esta sujeira
Lembra de como era?
Quando a gente conversava
Ô, Girassol
Fica
Vamos ouvir música juntos
Não sei lidar com essas coisas, sabe?
Desculpa
Eu não quero estragar tudo
Mas o que eu faço
O que eu faço, Girassol,
Se o meu coração não é sensato?
O que eu ponho neste maldito buraco
Que existe em mim?
Ô, Girassol, promete
Que vai me fazer companhia
Quando o sol se puser
Quando eu já não souber aonde ir
Promete que me fala de coisas bobas
De tu, do resto
Me fala das tuas flores
Eu sempre vou tentar
Ser a pessoa mais gentil contigo
Às vezes é o que me salva