sábado, 29 de março de 2014
Sábado só
Aquela velha história de querer o que não pode ser da gente.
Querer um pouco mais do pôr-do-sol.
Da vida, da prata. Da mata.
Querer viver um pouco mais que as borboletas.
Pousar na sombra verde da companhia solitária.
Perder-se dentro de si.
Um dia de não saber o que fazer depois da felicidade torta.
Amortecer. Alienar.
Uma pausa no mundo para procurar a verdade que não existe.
Se somos felizes, ou tristes.
Se existir é mesmo essencial.
Dançar no sol e rir da cara do passado.
Debochar do futuro.
Fingir, mentir, sorrir.
Um otimismo tolo em meio ao caos inerte.
A própria tristeza se diverte.
A morte se derrete. Por alguns instantes.
Enquanto só. Só por enquanto.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Ela queria a lua
Ela sempre dava respostas incompletas, e usava seus termos vagos como se a vida fosse uma grande poesia. Ela sempre nos fazia buscar mais, refletir, peguntar. E aguçava nossa curiosidade. Ela transava com todos os homens, e todas as mulheres que tocavam sua alma. E quando amava - ah, o seu amor! -, amava de todas as possíveis formas. Ela nunca teve uma noção muito boa dos limites. Ela era até onde podia ser, e quando não podia ser o infinito, ela morria. Ela morria ao menos uma vez por semana. E só não poderia compará-la a uma borboleta luxuriosa porque ela estava em constante metamorfose. E nem sempre precisava de um casulo. De qualquer forma as suas asas eram negras, e se perdiam na noite. Ela se afogava em solidão. Dizia ela, que sem eles ela não existiria. Que a vida era sempre muito pouco, e que um dia ela ainda amaria a lua. Se ela pudesse, treparia até com a mãe natureza. Com os rios, com os matos, com a chuva. E se o vento a quisesse engravidar, ela permitiria. Ela não ligava pra nenhum aprendizado. Ela não queria uma casa que não fosse gente, que não fosse viva. Ela vivia por aí perdida. E poucos a viam chorar. Suas lágrimas eram raras como as de um unicórnio, mas não se tem notícias de nenhum poder sagrado vindo delas. Gostava de todas as cores, de todos os sabores e de todas as histórias. Ela era só um pedaço bonito do mundo, e sumia tanto que temia desaparecer. Ela queria ser lembrada, queria nunca ser esquecida por ninguém. Queria saber que existia, que sentia de verdade. Queria saber o sentido escondido da vida. E decidiu que o sentido era ser. De todas as maneiras que pudesse. E foi. E foi tanto que um dia ela se cansou tanto de ser que resolveu evaporar. Sumiu do mapa. Ninguém mais soube dela. Às vezes eu sinto saudade e fico olhando pra lua. A lua me disse que também a ama.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Circular
O que eu vejo aqui é um ciclo
Quanto mais te amo, mais te busco
Quanto mais te busco, mais te encontro
Quanto mais te encontro, mais te amo
Nós somos o infinito
Sol e lua
Dia e noite
Vida e morte
Nós somos o limite do universo
Antítese do clímax
Achei um oponente à minha altura. E é por isso que eu quero que você me foda. A dor que você me provoca é tão magnífica quanto o meu orgasmo sádico em seu grito. Minha antítese suprema. Meus quadris assassinos. Eu preciso te matar três vezes, e assim morrer. Para que enfim sejamos tudo o que podemos ser.
Sou fiel ao meu sadismo como sou fiel às suas mãos. Me devore, me devore ainda mais. Em retorno te darei a dádiva do desprazer.
Meu amor inacabado.
Pare tudo ainda antes do orgasmo
Mas depois de gostar
Se for capaz.
Missing piece
Omg
I love you
I miss you
I miss your eyes, your skin, your lips.
I miss your heartbeats
And your smile
I wish I could never ever leave you
I wanna live inside you
I wanna be your shadow
You don't have to see me there. But I need to be by your side
My soul doesn't exist (far) away from yours