Minha temperatura estabiliza
Minhas vias respiratórias melhoram
Tem sido intenso e incrível
Não estar mais morta
E mesmo com minhas dores de garganta
Rouquidão e calafrios
Mesmo com meu suor e noite em claro
Minhas náuseas súbitas,
Cansaço e nojo
De estar na mesma pele
Por três dias seguidos
Com cheiro de ovo podre
E Pedro sujo
Tem sido fantástico
Estar viva
Sem pânico
Apenas sobrevivendo aos meus dias
Um de cada vez
No momento
Assistindo aos meus desenhos
E fazendo outras coisas
E o Pedro aqui, Pri
quinta-feira, 20 de junho de 2019
A beterraba estava morta
quarta-feira, 12 de junho de 2019
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Mom, Kid and Lucy at the border.
Lucy says I should be
In a violent relationship
Hit hit hit me harder
Let me let me be
Mommy grabs a firegun
To send her back in the dungeon
No no not again
I hate to live chained and gagged
Left in the sewer gutter
Kid mourns in the basement
Alone and silent
Tied in a cage of fear
Sick of the fights and cries
And endless crisis
I, a nameless one
A loud but tiny construction
Beg for some help
Love or quick death
Desperate
For I no longer have
Any strength left
To sustain this kind of existance
domingo, 9 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Naufrágio
Abri a barragem
Para que você passasse
Com seus longos fios de cabelo
E lágrimas ácidas
Com suas grandes expectativas
Revoltante otimismo,
Esperança no nosso chão.
Me afoguei
Em minhas próprias dores
Tão minhas,
Tão tudo que sei e sou,
Tão bonitas demais
Pra me deixar viver.
Me abri das piores formas
Para te dar a chance,
Para que você me encontrasse,
Mas neste mar caótico
Você se perdeu.
E eu continuei morando no fundo do rio.
sábado, 25 de maio de 2019
25 de maio
Abro as minhas pernas
Para quem quiser primeiro
Os goles gelados descem
Tornando meus órgãos
Um lindo casaco aveludado
Coberta de infância
Onde se goza rindo a violência
Os gritos e os pneus derrapados
As unhas fincadas nos fios
As entranhas de cimento
Carimbadas rosa na testa
Bebo de seus lábios
Meu pseudo cônjuge
Meu hóspede distante
A voz de alguém que conheço
Escorrendo de minha menina
Um clone delicioso
Uma cama dizendo meu nome
E me acolhendo nos braços
Tomando-me os joelhos quentes
E os olhos pesados
Me desmancho no enrolar da sua língua
Quero estar contigo
Uma única companhia
À deriva comigo
No olho do furacão
segunda-feira, 20 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Tu, depois você
Eu procuro nossos dois livros
E seu blog, para ler novos poemas
Procuro versos teus, reclamações
Soltas pelo meu caminho
Procuro a tua voz
No meio da tarde
Você sabe que meus dias viram noites
E estou em plena madrugada
Acordo insone às três da tarde
E quando estou prestes a chorar
Penso em você
E quando estou prestes a morrer
Busco você
Pelos meus textos, pelo meu corpo
Do que ele ainda lembra,
Os cabelos negros molhados,
Pesando nos meus olhos
Aquele abraço infinitamente quente,
Gigantesco,
Como abraçar um ser sobrenatural,
Os pés qual grossas pilastras,
Me fazendo sentir pequena,
Ausente,
Teu peso exausto sobre mim.
Eu te disse que ainda te amava,
Que tu era uma outra metade, gêmeo
Uma reprodução deturpada
De tudo que conheço sobre mim
Eu te disse que preferia morrer
A ouvir teus lábios
Mas mentia, pois preferia morrer
A qualquer coisa,
Exceto a ouvir teus lábios
Dizendo que me ama também.
E tu me disse, como sempre espero
E tu riu de meus comentários bobos,
Falhos, coxos, vis,
Você riu de minha insanidade
Como eu tivesse carisma
Como realmente enxergasse algo
Por detrás de meus ossos esfarelados;
Mais uma vez eu te disse coisas
De que me arrependi.
E foi sublime ouvir os teus sorrisos
Teu suor no rosto, a tinta respingada,
E te busco cega, pra tentar resgatar
Aqueles enormes 5 minutos.
Eu não escrevo mais textos,
Sigo calada,
Tento buscar nos teus
Algo que me comunique
Que me manifeste
Que prove a minha existência fúnebre
Se te amo e te sou, em certa parte,
Não há matrimônio ou prole,
Não há futuro,
Eu só preciso sobreviver.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Tutano
Eu sou
Sempre serei
Este vazio violentado
Esta falta de amor
Congênita
E a insaciável
Ânsia
De existir
Ou deixar de.
O que me foi tirado,
Qual lacre rompido
De ingenuidade, infância;
O que me foi negado,
E pago
Com suor e notas
Contaminadas,
Jamais pode ser
Preenchido.
Minha fome,
Minha miséria intrínseca
São algo mais que um fardo:
Degeneração pungente.
O retrato de minha morte,
Meu epílogo.
No oco espaço
Que preenche meus ossos,
Ecoa um lamento agudo,
Vitimado.
O primeiro fôlego
De quando me pari.
domingo, 14 de abril de 2019
Rachel
Fecho meus olhos e lábios
Para escrever este texto
Escondo meus muito poucos
Fios brancos
Roubo um vestido solto
Mastigado
Calço meu chinelo e alça
E choro
Minhas lágrimas de silêncio
Uma frequência fina
Que reluz
Dentro de meu crânio denso
Perfurado
Um ser recém-chegado no mundo
Redescobrindo-se
Completamente só
Afásico