Teu peso pena
Sobre minha omoplata
Dormindo juntos em paz
Sem saber da comédia satírica de Glob
Te fazer meu tapete
Para que soltasse três penas
E te ver mancar desolado em minhas mãos
Rir de mim
De meus olhos piscantes
De meus delírios
E sonhos de previsão de pronto-socorro
Eu preciso de você
Eu sinto muito.
Eu preferia ter o teu peso
E você o meu
E estar debaixo de você.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
101 quilos e 74 gramas
domingo, 28 de julho de 2019
Aborto
Você tem tentado me matar
Eu não sei qual foi o meu crime
Mas dia após dia
Sentença atrás de sentença
Você chega um pouco mais perto de conseguir.
Por você eu destruí minha pele
Marquei meu código de barras
1,99
Mercadoria de plástico
Eu aumentei meu peso
Larguei meus dentes de lado
Estou envenenando meus órgãos
Para nunca ser bonita ou viva
Como você gostaria de ser
Eu tranquei os meus fios de cabelo
Para que minha personalidade
Não os alcançasse
Para que não fosse confiante
Por mais nem um segundo
Porque te machucava
Eu ter a coragem
Que você nunca teve
Você, que desistiu de todos os teus sonhos
Ao longo de toda uma vida
Que me escolheu ter
Num plano perecível de casamento
Numa vida que eu, como você
Não escolhi perder
Um dia você me disse
Que eu te culparia pelo que fizesse
Eu prometi que não
E hoje sei que nem é preciso
Você se culpa desde antes de eu nascer
Mas quebro minha promessa
Porque tenho mágoa
Rancor e raiva
De como é tudo sempre sobre o teu ponto de vista
Sempre fingindo que é tudo sobre mim
Quando no fundo é sempre sobre você.
Faz tempo que não tenho que me calar
Ter tantas feridas abertas ao mesmo tempo
E ter que suportar, como gente grande
Com silêncio de vítima, maturidade
Faz tempo que não sinto tanta falta de ar
Quase morrem meus textos
Porque quase não tenho mais cabeça pra pensar
Mas contra tudo que me previram
Meus vinte e dois anos, meus vinte,
Meus dezoito e quinze,
Contra a condenação e maldição
A que você me lançou no meio de agosto,
E contra o desgosto que sinto
Por ter uma mãe e estar viva,
Eu ainda escrevo
Eu ainda penso
Eu ainda estou aqui
Não por você.
quinta-feira, 20 de junho de 2019
A beterraba estava morta
Minha temperatura estabiliza
Minhas vias respiratórias melhoram
Tem sido intenso e incrível
Não estar mais morta
E mesmo com minhas dores de garganta
Rouquidão e calafrios
Mesmo com meu suor e noite em claro
Minhas náuseas súbitas,
Cansaço e nojo
De estar na mesma pele
Por três dias seguidos
Com cheiro de ovo podre
E Pedro sujo
Tem sido fantástico
Estar viva
Sem pânico
Apenas sobrevivendo aos meus dias
Um de cada vez
No momento
Assistindo aos meus desenhos
E fazendo outras coisas
E o Pedro aqui, Pri
quarta-feira, 12 de junho de 2019
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Mom, Kid and Lucy at the border.
Lucy says I should be
In a violent relationship
Hit hit hit me harder
Let me let me be
Mommy grabs a firegun
To send her back in the dungeon
No no not again
I hate to live chained and gagged
Left in the sewer gutter
Kid mourns in the basement
Alone and silent
Tied in a cage of fear
Sick of the fights and cries
And endless crisis
I, a nameless one
A loud but tiny construction
Beg for some help
Love or quick death
Desperate
For I no longer have
Any strength left
To sustain this kind of existance
domingo, 9 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Naufrágio
Abri a barragem
Para que você passasse
Com seus longos fios de cabelo
E lágrimas ácidas
Com suas grandes expectativas
Revoltante otimismo,
Esperança no nosso chão.
Me afoguei
Em minhas próprias dores
Tão minhas,
Tão tudo que sei e sou,
Tão bonitas demais
Pra me deixar viver.
Me abri das piores formas
Para te dar a chance,
Para que você me encontrasse,
Mas neste mar caótico
Você se perdeu.
E eu continuei morando no fundo do rio.
sábado, 25 de maio de 2019
25 de maio
Abro as minhas pernas
Para quem quiser primeiro
Os goles gelados descem
Tornando meus órgãos
Um lindo casaco aveludado
Coberta de infância
Onde se goza rindo a violência
Os gritos e os pneus derrapados
As unhas fincadas nos fios
As entranhas de cimento
Carimbadas rosa na testa
Bebo de seus lábios
Meu pseudo cônjuge
Meu hóspede distante
A voz de alguém que conheço
Escorrendo de minha menina
Um clone delicioso
Uma cama dizendo meu nome
E me acolhendo nos braços
Tomando-me os joelhos quentes
E os olhos pesados
Me desmancho no enrolar da sua língua
Quero estar contigo
Uma única companhia
À deriva comigo
No olho do furacão
segunda-feira, 20 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Tu, depois você
Eu procuro nossos dois livros
E seu blog, para ler novos poemas
Procuro versos teus, reclamações
Soltas pelo meu caminho
Procuro a tua voz
No meio da tarde
Você sabe que meus dias viram noites
E estou em plena madrugada
Acordo insone às três da tarde
E quando estou prestes a chorar
Penso em você
E quando estou prestes a morrer
Busco você
Pelos meus textos, pelo meu corpo
Do que ele ainda lembra,
Os cabelos negros molhados,
Pesando nos meus olhos
Aquele abraço infinitamente quente,
Gigantesco,
Como abraçar um ser sobrenatural,
Os pés qual grossas pilastras,
Me fazendo sentir pequena,
Ausente,
Teu peso exausto sobre mim.
Eu te disse que ainda te amava,
Que tu era uma outra metade, gêmeo
Uma reprodução deturpada
De tudo que conheço sobre mim
Eu te disse que preferia morrer
A ouvir teus lábios
Mas mentia, pois preferia morrer
A qualquer coisa,
Exceto a ouvir teus lábios
Dizendo que me ama também.
E tu me disse, como sempre espero
E tu riu de meus comentários bobos,
Falhos, coxos, vis,
Você riu de minha insanidade
Como eu tivesse carisma
Como realmente enxergasse algo
Por detrás de meus ossos esfarelados;
Mais uma vez eu te disse coisas
De que me arrependi.
E foi sublime ouvir os teus sorrisos
Teu suor no rosto, a tinta respingada,
E te busco cega, pra tentar resgatar
Aqueles enormes 5 minutos.
Eu não escrevo mais textos,
Sigo calada,
Tento buscar nos teus
Algo que me comunique
Que me manifeste
Que prove a minha existência fúnebre
Se te amo e te sou, em certa parte,
Não há matrimônio ou prole,
Não há futuro,
Eu só preciso sobreviver.