Hoje o dia está frio,
Pedindo uma cachaça
E uns cigarros.
Eu continuo pensando em você.
Não sei mais fazer outra coisa.
Só consigo pensar em
Entornar aquela garrafa
Que eu escondi em oferenda
Ao tu que existe em mim.
Hoje, eu sinto sua falta,
Como se a despedida fosse
Real dessa vez.
Eu quero me despedir.
Eu tento falar pra todo mundo,
Mas não sei se alguém sabe.
Não sei se alguém entende.
Hoje é a noite perfeita
Para me matar.
E eu
Ainda te amo.
E eu talvez
O ame também.
Mas às vezes eu sei
Que tudo morre.
E saber já é
Um enorme motivo
Pra morrer também.
Hoje,
Os meus pés doem
Dentro das meias tristes
E dos sapatos apertados
Que vão perder o verniz.
Hoje, nessa noite
Que existe,
Como eu gostaria de existir,
Eu queria poder
Acreditar que você me ama.
Mas não é verdade,
Nunca foi.
Eu queria que
Todos os cigarros,
Todos os copos,
Todas as vozes,
Todos os cortes,
Queria que todas
As supostas verdades
Fossem reais.
Queria ter chance de sobreviver.
Mas não.
Eu vou morrer.
Com ou sem você
Eu vou morrer.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Meia azul
Numerologia
Sessenta e oito.
Tu chegaste
Me arrastando
Para o quarto.
Dois mil
E quinze.
O ano da
Euforia rasa.
Tu vieste
Do passado.
Vinte cigarros.
Quatorze traços
Vermelhos na
Minha tela.
Seiscentas
E setenta
E duas
Expectativas
Frustradas.
Você disse
Que me
Amava.
Cento e
Sessenta
Pessoas
Para quem
Eu disse não
Em tua
Homenagem.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Certezas
Você me traz um presságio de morte.
A nuvem negra no céu anuncia tempestade
Sobre o mar incansável que sou.
Tenho consciência da dor que me cabe
Enquanto gente,
Que existe e insiste em ter personalidade.
Você chega e anuncia que me ama
E toda a euforia, que se põe neblina
Entre a verdade e a essência,
Logo se esvai.
Não demora até que eu me desvende de novo.
Você me agarra com as tuas preces
E o tanto de tempo que leva até que eu me rasgue
É o tanto de tempo que eu preciso
Pra entender por que você doi.
Você me disse algo
A respeito de eu ter companhia
Enquanto tu não a tem.
Hoje eu declarei
Pra curandeira da minha aldeia
Que você é agora algo que ninguém mais é.
E que não sendo você,
Não há ninguém que valha a estadia.
Talvez você não perceba
O tamanho da solidão que me atinge.
Disse a ela que você é a minha certeza de demolição.
Você vai me matar, eu sei.
E vai doer mais do que me aliviar a resistência insossa.
Mas existe lá dentro esse impulso,
Que rege todas as coisas que me dizem respeito.
E apesar de eu precisar correr,
Eu acabo indo em direção a tu, abismo.
Tudo isso vai acabar me destruindo.
Eu digo a ela que te aceito,
Insisto e insisto nisso, como se me convencesse.
Sei que você não vai me salvar de nada,
Mas ainda quero estar aqui,
Como se eu fosse isso.
Como se eu fosse tua.
Recortar
Me corto.
Parece arranhão.
Lâmina desamolada.
Arranhão de gato.
Arde.
Começa o próximo dia 1.
Me pego pensando de novo
Na morte.
Devo me matar no dia 7.
Ou não.
Tenho vontade de dizer que te amo
Nas horas mais absurdas.
Você some,
Eu me preocupo.
Eu quero sumir também.
Não por vingança ou orgulho.
Não pra chamar atenção.
Porque eu me canso
De tanto falar com todo mundo.
Parece que não,
Pela minha compulsividade.
Mas às vezes eu só quero ficar só.
Preciso.
E me cortar com lâminas que realmente cortem.
E não ter medo do que vão pensar ou sentir.
Preciso me conhecer
E ser.
Sozinha.
Me agarro na coberta.
Precisamos de coisas parecidas.
Minha pele está toda colorida.
Não tirei a tinta.
Nem o sangue.
Já não sei o que te dizer a respeito.
Preciso ser áspera
E profunda
E vadia.
Preciso ser uma vadia masoquista.
Pra fazer sentido.
Liberdade,
Eu recitava .
Não era de amor que eu estava sempre falando.
Eu só preciso sentir.
Eu preciso sentir tudo.
Começando por você
Me rasgando os versos
Estúpidos.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Reverso
Considero isso correto.
Eu nunca teria coragem de te machucar por dentro.
Só por fora.
Esse é o certo.
Mas você vai embora.
Eu sei, eu sinto.
Nem eu me suporto,
Você vai sumir daqui.
Seja com ela ou com qualquer outra coisa.
Eu não acredito em nada.
Eu tô perdendo as minhas estruturas.
Odeio o estado de dúvida perene.
Sorveteria, cinema
Fale de sorvete
De morango ou chocolate
Escolha um de baunilha só pra variar
Eu entendo
Fale de cigarros
De álcool e nicotina
Me fale de dois traços vermelhos
Eu entendo
Me fale dos teus medos
Me fale da tua vontade de largar tudo
Me fale da tua corda e dos teus brinquedos
Me fale sobre como se parece com quem eu era
Eu entendo
Não me fale nada
Desapareça
Não atenda às minhas ligações
Não me responda quando eu pedir socorro
Eu vou entender, mesmo
Mas não diga que me ama
Não faz sentido
Eu no fundo não acredito em nada disso
Sei que você mente pra mim
E que esse amor não existe
Eu entendo o porquê de você mentir
E eu não suporto essa tristeza que eu reproduzo
De tempos em tempos
Não suporto que isso tudo seja assim
Você agora me arruma um motivo
Facilita tudo
Eu posso me matar por isso ou aquilo
Eu posso me matar por você
Mas não faz diferença
Todo mundo sabe que eu fico triste porque quero
Porque acredito mais em me matar
Do que em amar alguém
Aparece,
Diz que me ama,
Mente,
A gente troca umas brincadeiras
Que me deixam com medo
E tu vai comer o teu sorvete de baunilha.
Antes assim do que se matando.
Antes assim do que comigo sendo um monstro com você.
Feed
Que já não preciso escrever corretamente.
E o meu sentido repousa na tua ira.
Alimenta-me, louco.
Agora que já nomeei-te uma espécie de deus.
Tu fazes parte da minha fantasia mais antiga,
E como poderia?
Se és tão recente quanto pólvora espalhada depois do gatilho acionado.
E como poderia?
Se nunca cheguei a apertar o gatilho de fato.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Cobertor,
Deixa só agora eu abraçar você. Só um pouco. Não pra te salvar, mas pra desfazer um algo que existe no ar. Não sei. Queria te abraçar pra ter certeza. Queria... Poder te acariciar, sei lá. Tem alguma coisa estranha em tudo. Tem alguma coisa estranha no fato de eu não estar dormindo. Eu só penso em dormir. Acho que tudo está prestes a desandar. O tempo todo. Mas não quero, não posso, não vou. A depressão não é mais minha amiga. Eu quero ser feliz. Que droga. Eu não tô gostando de quem eu sou. Queria acordar com vontade de viver. Não sei o que eu faço. E não espero que você me diga. Só queria ter esperança um pouco nas coisas. Eu tenho umas ideias muito erradas. Sobre você, sobre mim, sobre tudo. Vejo tudo torto. Tô assustada. Desculpa pelas coisas que eu pensei. Eu vou ficar quietinha, bem quietinha. E tentar não precisar de ninguém.
Terceira oração
Um dia de cada vez
De verso em verso
Eu vou comendo você
De beijo em beijo (perdido)
Eu aprendo a ser tua
E talvez em breve
Eu não tema todas essas coisas
Que só existem na minha cabeça
De muro em muro derrubado
Eu vou te amando
Cada vez mais
E de pouco em pouco
Eu vou deixando
Tudo se acalmar
Não sei por que
a calma me incomoda
De gota em gota de chuva
O cansaço acaba vencendo
Mas na verdade
Eu pareço estar bem dessa vez
Não busco nada
Além do que está