sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Ladrão descoordenado
As cordas do meu piano
Branco.
E agora,
Toda vez que alguém me toca
Permanece
Um silêncio incurável.
E se me apertam
A tecla preferida,
Aquela com um arranhão no canto,
Não sai dó
Nem lá
Nem sol.
Agora, todo o som
Escandaloso
E desgraçado
Que eu fazia
Quando alguém descompassado
Me curtia
Soa como um baque surdo.
Uma melodia estapafúrdia,
Sem dança,
Sem gente
E sem batida.
Restou apenas
Um punhado de
Brancas e
Pretas
Que cedem
A qualquer dedo,
Sem nenhuma manifestação.
Toda música que eu tinha
Foi-se com o ladrão,
Que me levou três cordas
E me arrebentou o resto
Só por vandalismo.
Se alguém o vir,
Deixe que vá.
Mas ao menos me arrume
Um barbante,
Pra pôr no lugar.
E arrumar o
Ré, o
Mi, e o
Fá.
Porque o Si do canto,
Ninguém toca mais,
E todos acham que ela
Não vai funcionar.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Reencontro nº4
Por que eu sempre choro quando leio aquela carta
E quando vejo aquela sua foto,
E por que eu não aguento mais reler aquele texto.
As camomilas.
Empalideceram todas até ficarem azuis.
Espero que ainda dê tempo de eu ser a sua musa.
Você se lembra?
Quando eu comecei a te amar, ainda era cedo.
Desde então, o tempo deixou de perpetuar-se.
O tempo tornou-se você.
Todo novembro a estação muda.
Todo janeiro somos eu e você, de novo.
E se nos desencontramos ao meio de todo ano,
Somos ainda duas metades da mesma coisa.
Em toda humanidade,
Ou animalidade, que seja.
Em toda incoerência nossa,
Que entra em sintonia sem nos alertar.
Ainda glorifico a sua insubordinação emoldurada.
Ainda compreendo toda inocência que te assombra.
Percebo que, ambos percorremos em mesma escala
A trilha maldita da vida.
Eu ainda te amo
E ainda nos entendemos
Mesmo que a verdade já não seja dita.
Apavoro a ideia da sua partida.
Te busco desesperada,
E você permanece aqui.
Muda o tom de voz,
A cor do cabelo,
E a maneira como se move ao andar.
Se disfarça pra me confundir,
Mas te reconheço no reflexo do espelho.
E se é fundamental me desesperar todas as vezes,
Eu irei.
Porque te amo todos os dias,
Irredutivelmente,
Desde que me apaixonei pela primeira vez.
domingo, 21 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Migalhas
A minha decência é medíocre,
Assim como toda iniciativa que parte de mim.
Não me peça grandes feitos, conquistas, reconhecimento.
Não aspiro a magnificência.
Se desejo a esquina, vou à esquina e é isso.
Sem guerra, sem festa, sem lenda.
Meu espírito é medíocre.
E se alguma singularidade brota em mim,
Culpo a escrita.
Não mais que uma enorme farsa,
Ela alimenta a minha miserável ânsia de me alimentar.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
como eu me apaixono
E ele me diz "você tem cinco minutos para fugir".
Eu prontamente dou um um passo à frente e digo "atire".
Ele me responde, sério "você ainda tem quatro minutos".
E eu espero.
E quando o minuto número cinco chega, ele atira.
Eu agradeço e ainda comento "que bom".
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
É ele, e faz de novo
Você é a lua
Na fase em que a minha maré sobe
E vai me afogando
Mesmo que esse sol de quarenta graus
Insista em secar tudo ao redor
Você ainda me faz afogar
Meus próprios pulmões
De um soro que só me pertence
Talvez se eu fizesse alguma ideia
Do que eu tenho
Do lugar de onde vem
Essa loucura
Talvez eu te culpasse menos
Talvez eu soubesse o que fazer
Ou para onde ir
Mas o tempo fala por si só
E ele me diz
É ele
É ele que faz tudo girar na direção oposta
É ele que polui os versos
E progressos
É ele
É ele
É ele
Que é
Culpado
E não te confio mais
Como se fosse demasiadamente sensível
Fraco
Quebradiço
Como se eu não pudesse mais sentir
Esse imenso vazio de existir
E então compartilhar
E se não for para compartilhar vazios
Por que você?
Você está sempre um patamar acima
E um patamar abaixo
Não pode porque não suporta
Não pode porque não está afim
E esse não poder te mata
Aqui dentro de mim
Odeio não ter você
Odeio esse buraco negro pra onde vai
Tudo que eu quero te dizer
Eu vou tentar de novo
E sou incorrigível
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Water
I'm salt
And we can make
Together
A beautiful sea
We can take a million souls
Away
Together,
We are death, and life
Non existance
of god,
of love
Right in front of our eyes
There's nothing left
But two bodies
That still do clame for
Loneliness
As strong as the wind
While infuriates the oceans
Pure
Water
I'm about to be
The wind
A marveillous
Catastrophe
If we ever decide
To finally
Be together
sábado, 22 de novembro de 2014
Sonhei que você morria essa noite
E tinha um caos no meu banho hoje cedo.
Você existe,
E insiste em morrer de novo.
Perdida no negro azul do vazio,
Só.
Abarrotada de letras estranhas,
Numa tipografia regular.
Mas não conta pra ninguém.
É que eu já fui sua refém por muito tempo.
Ninguém mais suporta.
Eu não consigo,
Você me chamava assim,
E eu nunca consegui.
Que nunca cessa,
E você que nunca morre.
Mas finge que morre de novo, e de novo.
E doi de novo,
De longe,
Porque eu não quero mais doer.
Quem foi que disse que eu devia ficar perto de você?
Sonhei contigo essa noite.
Mas num instante,
Você vira água,
Se desfaz em gotas,
Desaparece.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
perder você, vírgula
E essa não é nem de longe a morte mais horrível.
Mas doi,
Como doi
Você não me doer.
E o fato de você não machucar, me engole.
Estou num enorme estômago,
Sendo digerida em anestésico.
Como espeta perder você,
Como coça.
Mas doer, não doi.
E eu vou sem dor andando por aí.
Sem dor, sem esperança, sem vontade.
Sem coragem de viver,
Sem coragem de morrer.
E é isso.
De todas as perdas,
Até agora,
Você foi a pior.
E perder a dor,
Não é a pior morte que há.
Mas incomoda,
Ah, se incomoda...
Quarta pré feriado
Cinco Ices, 4 cigarros, e um dedo de Big Apple vomitado depois, eu continuo a me sentir absolutamente sozinha, do mesmo jeito de antes. Sem acréscimo de sentimento. Eu quero morrer, morrer, morrer. A vida é horrível. E eu nem tô tão bêbada assim.