quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Antes que eu não tenha mais nada para te dizer
Vou te falar baixinho
Aqui, bem rápido, escondido
Sobre os sonhos que tenho sonhado
Sobre como penso em você antes de dormir
Sobre a minha tristeza que volta
Eu vou confessar, aos poucos
Que ainda guardo algo de bom em mim
Que penso que vamos ficar juntos
Mesmo depois de tudo que você fez
E aí, vou desandar a falar de tudo
Vou falar dos meus ciúmes,
Do medo de você não me amar
Porque a ama demais,
Vou falar do meu nervosismo,
Da minha vontade de ser alguém,
Do meu medo de ficar sozinha
(e de certos insetos ou incertos)
E vou falar também
De todas as coisas que já digo sempre
Que sinto saudades, que sinto raiva,
Que tenho essa ânsia de passar fome,
Que como tudo na casa,
Que queria te dar um beijo,
E depois que me masturbo
Não quero ninguém nunca mais
Vou falar até de como eu fiquei religiosa
Depois de tantas conversas que tivemos
Vou falar dos sinais e dos feitiços, de astrologia
E de como eu me lembro de você e do teu signo
Toda vez que aparece um personagem meio assim
Eu vou perguntar se você gosta de mim
Mesmo que já tenha gastado todas as minhas chances
Eu vou te contar sobre meus amores de infância
Vou te mostrar os meus diários,
Meus envelopes coloridos,
Vou te listar todos os meus amigos
E prometer te apresentar a todos eles
Vou pedir socorro mais uma vez,
Só mais uma,
Pedir que pense com carinho na minha proposta
Eu vou fazer uma aposta
Contigo, pra saber quem vai morrer primeiro
E quem vai ser infeliz até o fim
Eu vou perguntar seu nome
Como você quer ser chamado?
E a idade que você acha que tem
Eu vou concordar quando achar que você está errado
E vou me fazer de sonsa pro teu bem
Eu vou te contar os meus segredos mais secretos
Os lugares que eu ia sozinha,
As comidas que eu roubava de alguém que amava,
E os objetos bizarros cheios de valor sentimental
Eu vou te contar as estranhezas todas que tenho
Ou das coisas que fiz no meu passado
Eu vou tentar curar-me do seu lado
E fingir como ninguém estar feliz
Eu vou perguntar como está a sua família
Vou te falar da minha, mais que o necessário
Vou reclamar do nosso fusorário
E de como estou cansada o tempo inteiro
Eu vou te falar sobre todos os meus choros
Eu vou te contar todas as cicatrizes e tropeços
Eu vou te escrever poemas do lado avesso
E te ensinar a traduzir meus códigos secretos
Eu vou te dar todas as minhas senhas
Te dizer todos os meus nomes, endereços e medos
Eu vou te dizer tudo que eu conseguir me lembrar
E um pouco mais, até você me odiar
Eu vou implorar que você me perdoe
Que fique, que aguente, que permaneça aqui
Que me faça companhia
Para que eu nunca precise ir
Para aquele lugar que combinamos aos 20 anos
E em um último sussurro,
Antes que eu tenha tempo de estragar tudo
Antes que eu tenha culhões pra ir de vez
Antes que eu não tenha mais nada para te dizer
Eu te digo esse silêncio de três sílabas
Esse silêncio que só pertence a você
[/te amo]
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Maresia
Eu estou a deriva, mas até que gosto
Estar sempre nesse movimento que não cansa
Há algo de bom em nunca secar,
Em nunca estar parada no meu mar
Eu me desligo, olho pras estrelas
Às vezes me desmancho quente,
Às vezes tremo de frio, tanto faz
É quando eu vejo o céu se pincelando
Que eu quero tudo isso e um pouco mais
É quase natal e eu quase sinto
As brigas de família nas esquinas
Todo mundo se abraçando
E as cozinhas sujas de açúcar da rabanada
É quase natal e eu queria estar errada
Quanto à minha desesperança no futuro
Falta quase uma semana
Pra chegar o dia mais quente do ano
Em que as pessoas se abraçam, bebem e comem
Em que tudo isso faz sentido
E eu afundo sem querer,
Tenho um desgosto de tudo
Nem sei o que me puxa para baixo
Maremoto, talvez
Eu sou esse mar, não sou?
E essa época do ano
E os infinitos pacotes
De simbolismos cronológicos
Eu sou as náuseas do ir e vir
E a limpeza eterna que o sal promove
Não posso ser nada além de mar
Sou mar, apenas mar
Na miséria invernal
Ou nos escapismos do verão
Eu preciso continuar aqui
Até que alguém queira
Me mergulhar
E ficar um pouco mais
Nadando em mim
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Condolências
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Parede, Fogo
A garrafa cheia,
Tampa sobre a mesa.
Você repousa o copo,
Pega a garrafa.
E começa a entornar o líquido
Dentro do copo.
Você se cala.
Chega a ser ridículo pensar
Que eu nunca te esperei esse silêncio.
Talvez eu seja
Demasiadamente estúpida.
Mas há algumas coisas que sei.
Você toma a primeira dose
E a segunda,
E a terceira,
E a quarta.
Você bebe uma atrás da outra,
Já está na metade da garrafa
E nem se importa.
Essa vodca barata
Não faz passar o que você sente.
Eu escuto o seu olhar
Não dirigido a mim
Em nenhum momento.
Eu posso senti-lo
Pousar inerte sobre a parede verde.
Você ouve músicas
Das quais não gosto
No último volume,
Mas não é suficiente
Pra fazer parar.
Não é.
Você mente.
Você não diz que está melhor,
Apenas espera que o seu silêncio
Seja interpretado dessa forma.
Você tenta não pensar sobre isso,
Sobre coisa alguma,
Mas acha que se não disser,
Talvez você tenha alguma chance.
Não tem.
E você sabe disso.
Você tenta esquecer.
De súbito, acende mais um cigarro,
Porque está lembrando, está lembrando,
Precisa consumir alguma coisa,
Precisa queimar, sugar, apagar a própria alma,
Matar os próprios pensamentos de câncer,
Você sente o desespero e precisa contê-lo.
Você precisa de silêncio.
E assim, deixa de ser quem é.
Torna-se mesa, cadeira, chão.
Torna-se parede. Verde.
Cinza, preta, branca,
A cor que for.
Torna-se a inércia do objeto, garrafa.
Você já está quase no final,
Já nem se lembra do copo.
Cinzeiro cheio, está prestes a desabar,
Não tem mais nome, endereço.
Não tem mais dor ou culpa,
Pois não tem identidade.
Não ouve, não vê, não sente,
Não existe.
Você bebe e fuma até morrer.
E repete o processo. E repete.
Você não pode acabar com tudo.
Então apenas esquece.
Insiste em esquecer e esquecer.
Você me esquece.
E enquando eu escuto, escuto, escuto
O eco das coisas que você tentou extrair,
Enquanto você nem sabe que possui voz,
Nós morremos.
Não só você, nós.
Se você é o fracasso que se cala,
Eu sou o que se manifesta.
Maior tua dormência,
Incrível meu excesso.
Transbordo, copo, cinzeiro.
Acesa, queimando, ardendo, sendo.
Vivendo todos os dias.
Sóbria, só,
Em autocombustão.
Afasia
Que o que de fato tentam dizer.
Não me convencem ou guiam,
As palavras não conseguem me entender.
Já fazem quase oitocentos textos
Que tudo está prestes a terminar
E um anjo guardião me disse
Que o que importa é continuar aqui.
Há coragem nas coisas que escolhemos ouvir
E há doçura no que às vezes decidimos não falar.
Não no medo ou malícia,
No silêncio compulsivo da passividade,
Há por vezes uma espécie de amor.
A paixão afásica me leva talvez
Ao mais desdito dos impulsos.
E ali, residente da fronte de desconhecidos,
Eu me enxergo satisfeita
No pranto reprimido de outros.
Isso me salva.
A palavra que não verbaliza-se
Ou o sentido que veste um belo disfarce.
Não o que possuem,
Mas o que são.
Sempre o que são os homens,
Mulheres, crianças, velhos,
Às vezes os cachorros, borboletas,
O que são os seres me intriga.
Sinto que para existir,
Preciso ser e compreender
Todos os outros.
Só sou se eu existir em você,
Se ouvir teu silêncio,
Se sentir teu medo,
Teu sorriso, tua dor,
Só sou eu mesma
Se eu antes te for.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Peace Spell
Soon you'll see
The brightest light
New skin, new thighs
Soon I'll have
A quietest mind
No screams, no cries
Sadness won't be passing by
This body of mine
None of this I will remind
sábado, 12 de dezembro de 2015
Como borboletas viram lagartas
Lá vem ela
Você não a conhece
Não sabe seu nome ou o que ela pretende
Ninguém sabe, nem mesmo ela
Alguma novidade, talvez
Ou uma boa história pra contar
Lá vem ela
Sacudindo os braços e cabelos desgraçadamente
Praguejando vida como se fosse uma assombração
E lá vai ela
Num instante ela já te disse seu nome
E seus três enormes traumas mais recentes
Lá vai ela
Rebolando inerte pelos cantos
Provocando caos e rindo feito um demônio
Mas ela vai voltar
Ela vai voltar e te pegar
Como se não houvesse nada melhor
Pra fazer na vida
Como se fosse uma espécie de despedida
Do mundo dos mortais
Ela vai te rondar
E depois de uns poucos gritos
Você vai pertencê-la
Mesmo sem compreender sua semântica
Ou sequer se interessar
Palavra por palavra
Você não vai entender
Nada do que ela diz
E quando ela começar a falar
Sobre como lagartas viram borboletas
Você vai descobrir
Que está na hora
E então vai partir
Para todo o sempre
Ela vai tentar mais uma vez
E como é de se esperar
Não vai dar certo
Porque pessoas como ela
Só se conhece uma vez
Até que ela mude de nome
Ou morra de uma vez por todas
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Wake me up when tomorrow comes
Os textos que você escreve pra ela
Me recuso a falar contigo
Me recuso a lavar a louça
E a sair da cama
Me recuso a pronunciar teu nome
Mas de vez em quando me escapa
Antes que isso me consuma
Eu me recuso a parar de ler teus textos
E me recuso a parar de te escrever
Embora eu saiba
Que é só questão de tempo
Até isso tudo morrer
E eu ser obrigada
A deletar todos os futuramente trezentos
É, eu sei que não vou parar
É verdade que doi em todos os cantos
O foco parece estar em dois lugares
Nas minhas têmporas
E em outro lugar não nomeável
Eu aparentemente estou em negação
E não acho que haja salvação pra mim
Eu disse a ela, eu disse
Que o meu futuro sem você era só lixo
Mas também lhe disse que
O meu passado contigo era deplorável
Aonde eu vou agora?
Qual é a minha escolha, afinal?
Eu não tenho uma, eu não tenho
Algo em mim está morrendo,
Eu posso sentir
Em meus sonhos
Quando eu penso em você
Você não mais está
Você está morrendo também
É só questão de tempo, não é?
Até que sejamos esquecidos
Pelo próprio tempo
É só uma espera pequena que nos aguarda
Um silêncio no rugir da noite
Uma dor aguda pela manhã
Quando percebermos,
Não haverá mais nada
E a que custo?
Você já parou pra pensar
No que isso significa?
Acho que você sempre esteve disposto
A sacrificar o que eu nunca sacrificaria
Você sempre teve assuntos mais importantes
E eu sempre culpei todo mundo
Por me fazerem sentir culpada
Ou por me coagirem a qualquer coisa
Isso é tão confuso
Às vezes eu tento ser boa
E às vezes eu tento ser má
Eu nunca sou propriamente coisa alguma
Então é apenas isso
Vamos seguir em frente
Como se esse ano não tivesse acontecido nada
Como se não tivéssemos esbarrado nessa faísca,
Nessa estática carregada do ar
Como se não fossem relâmpagos brilhando pra nós
Nós vamos seguir em frente,
Apesar de eu achar que nada pode destruir
Isso que eu tenho permanentemente
Nada me choca mais,
Você é como uma lavagem cerebral
Mas eu nunca te atribuí essa capacidade
Eu era a lunática, eu sempre fui
E tudo isso está para acabar
O fim está próximo!
O fim está próximo!
Protejam-se todos!
O mundo como conhecemos está para acabar!
E se o amor não der conta de me sustentar aqui
Se não houver bondade para me manter sã
Se eu não puder ajudar ou proteger ninguém
Por não ter a quem recorrer quando tiver dúvidas
É provável que a falta de amor me mate
E pode acreditar, não há morte pior que essa
Então, agora é sua última chance
Mas ela provavelmente vai durar pra sempre
Wake me up when tomorrow comes
Not before, not after
Wake me up when love gets free
If it's not you, it doesn't matter
Wake me up when tomorrow comes
I hope the future will save us all
Wake me up when you love me back
Or just let me sleep for eternity
I don't wanna live here alone
I rather die
Without your company
Mas eu não realmente tenho escolha, tenho?
Eu não tenho opções
Isso é tudo que eu posso fazer.