domingo, 19 de agosto de 2018

Oral Fixation

I survive
Another panic attack
Just to see
The shining teeth
Of laughing guests
I eat food
I smile to
Them
And I feel
So fucking comfortable
That they're all around me
Taking care of me
Making me real again
I have some sort
Of oral fixation
Have a few beers
And it's alright
Wish for a cigarette
And a blowjob
But content myself with food
And try for lips,
To fail foward.
I'm exhausted
And come up with a war
Just to stay alive
Stay here
No death, no fall, no fear
Stay here
Happiness doesn't last
So long.

sábado, 18 de agosto de 2018

Fear

My brain and guts
Feel like rotten cake,
I try to piece it all together
But it doesn't fit.
I dry cry,
Like a newborn.
Hoping to get hurt
A little more.
Tasting death
Beneath my tongue,
Terrified of what is next
To come.
I have no hope
To get myself fixed.
I'm a broken toy,
A cup of burnt coffee,
A deep and starving grave.
There's no day or time,
Little light or such,
I'm fully done
With all of it.
Everything is fear.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Gota

Há dias em que a solidão devora
Engole o verso simples
Faz seu berço
Embala em mim o silêncio
E tenta me apagar
Eu viro um sopro de dor
Nota única
Um corpo
Que ao tocar o espaço
Se dissipa
Uma gota de sangue
Diluída no meio do mar

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

One tear

One carrot

Cry cry cry
Cry cry cry

sábado, 4 de agosto de 2018

R.I.P.

Sinto-me cansada
E carregada
Pelo peso
Da falta de identidade
Não tenho sido ninguém
Não tenho gostos
Não tenho sustentação.

Pensei sobre você.
Sobre o teu imenso ser
E teu corpo
Que nunca me tirei da cabeça
Nunca fez sentido
Irreal como as vozes
Que ouço dormindo
Creio que nunca te toquei
E mesmo deste modo
Nunca te esqueci.

Entre meus últimos anexos
Aprendi que não posso ser,
Entre outras coisas, da bebida,
Dos cigarros meus ou nossos,
De drogas e alguns alimentos,
De alguma moça que chegue
E de qualquer outra pessoa
Que não seja você.

Tive um amor,
Se é que posso chamá-lo tal,
Uma casa, um abraço firme,
Que não tinha os teus lábios
E nunca terá.
E como morto, enterrei-o,
Meu coração, que nunca fiel,
Torna a ser completa e exclusivamente seu.
Portanto, morto também, presumo.

Não vejo sentido para continuar aqui,
Insistindo nessa existência vazia,
Cimentada e asfaltada
Sobre as veias de meus sonhos,
Sinto-me um pedaço
De uma calçada antiga,
De algo que ninguém mais conhece.
Não tenho vontade ou ambição
De viver mais um dia
E continuar aqui.

Não quero dar-te bom dia,
Te fazer feliz,
Companhia, risos,
Abraços.
Não quero estar aqui pra você.
Quero e preciso calar-me.
Sou um espírito em luto.
A cada novo dia,
Algo em mim se põe,
E não há volta.

Tenho perdido tudo
Que em mim poderia ser salvo
Alternativas e alegrias,
Possibilidades,
E maior que isso tudo,
Para sempre eu perdi você.

A partir de hoje,
Eu não quero mais ser ninguém.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Jardim

Teu quadro me assiste
Secando em passos lentos
Me sinto uma planta
Encontrando pela manhã
O primeiro raio de sol

Faz pouco tempo que te conheço
Tenho sido seca e morta
Mas teu espírito
Corteja o meu
E me atrevo de novo
A pisar sobre minha dor

Sonhei que te conhecia
Que sentia vida
E roubava os cachorros da morte
Para depois devolvê-los
E partilhar com ela
Os meus estranhos amores

Hoje tive vontade
De estourar o balão que te sufoca
Trazer-te para o chão de volta
Criar raiz, cultivar nosso jardim

Mas o balão é teu
E eu sou uma estranha te observando.

Além de olhos tenho um par de mãos,
Tenho dores que carrego nas costas,
Tenho lábios para te acolher.
Não sou muito,
Não me confio,
Às vezes tenho vontades
E tive algumas quando te vi.

terça-feira, 24 de julho de 2018

sábado, 21 de julho de 2018

Bastidores

Me serve uma bebida
Enche meu copo
Despeja teu corpo torto
Ao meu lado
E sossega o teu enorme peso
Em meus dois olhos.

Eu falo muito de carne
Pouco de espírito
Mas é que sempre fomos tão clichês
Que sempre imprevisíveis

Quando você rugia para mim
E me fincava as garras
Eu gostava e te gritava socorro
Como encenasse
Uma grande comédia

No meio do último ato
Eu fechei as cortinas
E cansada de tantas vaias
A plateia calou-se
Saciada

Pois, agora
Nos bastidores
Onde eles não puderam enxergar
Onde nos calamos nós
E desmontamos as peças
Figurino e maquiagem

Eu te sirvo uma bebida
Em um copo vazio
Sem garras, presas
Ou pupilas dilatadas

Nenhuma tragédia ou ópera
Menino por trás da máscara
Quem sempre foi comigo
Um companheiro de teatro.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Carcereiro

O dia cede
E enquanto cessa,
O ímpeto de chorar
Me retorna
Meu universo é um monstro faminto
Que espera alimento
Desde o parto.

Nada é capaz de nutri-lo.
Nada é capaz de matá-lo.

O peso de grossas correntes
Se arrasta
Ferindo o concreto,
Cansando as dobradiças.
O metal de firmes pulseiras
Dilacera-se diante da fúria
Da fome e do isolamento,
Da força como se sustentam
Punhos e pulsos
Dentro de mim.

Meu monstro é sonoro.
Me ocupa o espaço,
Me polui o ser.
Eu sou a sua vontade
E o roncar incessável
De seu estômago.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Cruzoé

Desenha alguma coisa
Bebe um copo d'água
Você não vai morrer
É só uma fase
Lava esse cabelo
Já é tarde
Acende um fogo
Faz uma oração
Pede socorro.
Faz silêncio,
Respira fundo
E resiste
Reside dentro de si
Ocupa o espaço
Sobrevive.

O caos que não te habita
Os seres que não existem
O mundo que para e espera
O seu tempo,
A sua decisão.

Mergulha os tornozelos
Na caneca cheia
Salga as pontas dos dedos
E afoga
Não há resgate vindo
Não há redenção
Enterra o topo da cabeça
Sob a lama
E então respira.