quarta-feira, 3 de junho de 2015

Patience pray

Eu sei o que precisa ser feito
Eu sei como deve ser feito
Eu ainda não sei como lidar com o que existe dentro de mim
Mas eu vou aprender
Vai dar tudo certo
É preciso desprendimento e paciência
É preciso aceitação, autoaceitação
E preciso me permitir pedir ajuda
E ser um pouco menos louca
Ser louca não é minha identidade
Mas passa por isso.
Às vezes tudo bem querer me matar
Às vezes tudo bem me sentir extremamente apaixonada
Às vezes tudo bem não me sentir bem
Às vezes tudo bem me sentir bem também
O ser humano acontece de acordo com o seu momento
Eu tenho os meus
Um momento não define a minha identidade
Vamos lá,
Você consegue fazer isso, menina
Eu acredito em você
Você precisa sobretudo ser verdadeira consigo
E não precisar ficar mentindo para todo mundo
Não deixe que o buraco tome teu nome pra ele
Isso não é tudo que você é
Ele muito menos
Você consegue reestruturar a coisa toda
Você tá no caminho certo, só houve um pequeno desvio
Mas a gente consegue
Eu e tu
Tu e eu
Eu e eu
E os amigos
E Rosa

Deadly

I feel so empty
So cold
So hurt
So dead
I'm living dead
Because of you
Because you have me
And no one else does
I wish I could get some help
I'm trying to get it
Everywhere
But everything looks
So fucking dead
And so cold
There's no love
For anyone
There's no hope
Anywhere
You make me believe
Less in humanity
I wish I could kill myself
I wish I could kill myself
I wish I could kill myself
I don't believe in life
I don't believe in love
I don't believe in you
I wanna die

terça-feira, 2 de junho de 2015

Ugh

Arranco toda a minha roupa
Para te sentir à flor da minha pele
Tudo bem se ossos doerem por enquanto
Um pouco de dor e um pouco de frio não vão matar
(Pelo menos não hoje)
Eu vou morrer amanhã
- de novo - ?
Tudo bem, então.
Eu não sei lidar com nada
Eu sou uma incompetente
Tudo que eu faço é escrever
De novo e de novo
Tem gente que admira isso
Tolos,
Estúpidos
Eu tô com uma vontade bem forte de me matar
Pra não precisar ser alguém
Mas eu tirei a minha roupa
E não quero morrer sem roupas
Na verdade eu nem sei se quero morrer
Quero?
Eu bolei uma carta
De três páginas
E entendo perfeitamente
O meu motivo pra me matar
Qual é o seu?
Me convença.

Pare de falar comigo
Como se pretendesse resolver alguma coisa
É tudo mentira
Você é um inconsequente
Você não me ama
É de um egoísmo tão imenso

Você não me alcança quase nunca
Você talvez nem saiba quem eu sou
Ou me ama ou me ignora
Não pode os dois
Resolva isso e vá embora

Vamos contabilizar

Uma ligação por dia
- ignorada -
Cerca de três mensagens
- cínicas -
Três cigarros também
- enxaqueca -
Três é o meu número da sorte

Duas vezes por dia
- ou cinquenta e sete -
Eu tenho vontade de chorar
Porque uma coisa qualquer
Me lembra você.

Você
O tempo todo
Na mesa
No ar
No teleférico
No ventilador
No short curto
No marasmo

Você
Na minha
Falta de término
Não acaba
Nada acaba em mim
Nunca

Nem a morte
Nem a vida
Nem amor

Não existe cura
Para as coisas
Que são infinitas

Queria poder contá-las
Talvez
Se eu soubesse quantos dias
Faltam
Para tu parar de me faltar

Aqui na minha cama
Aqui dentro do peito
Aqui em todos os lugares
Que eu habito

Talvez houvesse alguma
Esperança

Tenho vontade de morrer
Com essas coisas que eu faço
Você sabe por quê?
Nós nem conversamos

Eu não tive escolha.

"Maintain"

Foi a palavra da vez.

Eu queria a simetria perfeita.
Você se esquiva
Eu também
Eu te chamo
Você me chama
Mas você não responde
Quando eu tento fazer contato

Nem toda ação
Tem uma reação
A física não explica
Porra nenhuma



Eu ainda te amo muito;

Água.

Tudo começa de novo
Com a contagem
Talvez seja uma maneira de me acalmar
Talvez eu só seja uma bomba-relógio
E queira explodir no momento exato

Here we go

Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis dias
Uma semana a mais ou a menos
Daqui a pouco chegamos a um mês
É tudo tão fácil que só doi assim de repente
A abstinência vem em picos,
Às vezes é tudo uma calma irreparável.

Não consigo entender
Essa suspensão geral das ideias
Esse não ser de todas as coisas

Essa tua ausência inquestionável
Você sabe que eu não sei controlar meus dedos
Eu sempre toco nas coisas,
Nas dores, nos assuntos
É tudo puro teatro

Todo mundo sabe,
Eu insisto em vomitar verdades
E talvez tudo fique muito confuso
Mas não vou parar de atuar nem
Me dispor a falar só o que é certo
Não sou

Eu reproduzo mais uma vez
Inúmeros, incontáveis trechos
Que me pertencem
Nas coisas que você escreve
Só pra me arranhar por dentro
E se desenhar nos meus órgãos internos

Você não entenderia
A minha reprodução gratuita
Peço perdão por isso,
Mas é tudo tão efêmero
E você tão comercial
Tão preocupado com
As coisas mais banais da vida

E eu tão preocupada com você
Que possui mente própria
Que vive, respira
E toma decisões
Contra as quais não me cabe conspirar

Tudo que eu aprendo
Ainda passa pelo teu nome
Pra pedir permissão
E tomar forma,
Para existir dentro de mim

Sem tu na minha memória
Eu não existo
Devo cair em esquecimento
A qualquer instante
E vou chorar com isso,
Se vou.

Vou nadar na contramão
Mais uma vez
Só mais uma
(virão outras)
Eu preciso ir aos poucos
É assim que se morre
Aos poucos.

Tic tac

Não tenho muito tempo
Preciso ser breve,
Escovar os dentes,
Arrumar as minhas coisas
Socorrer o meu cabelo
E resgatar alguma vontade de viver
Preciso constatar
O tamanho da minha negligência
Com meus pais, amigos, faculdade
E metade da minha atenção ainda é tua
E sempre a concentração pra não morrer por acaso
Como se eu tivesse prometido.
Eu decidi parar de me cortar
Pelo menos até o fim deste mês
A sessão acabou
A gente se vê na próxima semana

Escavação

Uma,
Quatro,
Onze,
Quinze daquelas coisas
Se espalhando pela cozinha
Contaminando tudo
Explodindo a minha cabeça
Oito horas de enxaqueca
O que eu fiz pra merecer?
Exaustão, calor, exaustão
Limites se superando cada vez mais
Eu não podia ter trepado com ele?
O que importa isso tudo? Na boa.
Eu já estou perdendo,
E cada vez mais
Por que me torturar desta forma?
Tudo bem
Eu vou parar de lutar, eu prometo
Pare de fazer essas coisas darem tão errado comigo
Faz parar de doer a minha cabeça
Me deixa dormir essa noite de sono
Que inferno
Eu devia ter me matado hoje
Era o dia certo
Eu sabia como
Mas quis tomar um banho
E logo eu já queria ele de novo
Estava errado
Foi aí que eu errei, eu sei
Eu não aguento mais de tanta dor
Eu não aguento mais as tremedeiras e o colapso nervoso
Eu não aguento mais não ter ele aqui comigo
Tinha que ser ele, tinha que ser
Meu poço tá cada vez mais fundo
E eu não quero ter que me matar
Ninguém cuida de mim ou acredita na minha felicidade
Eu não aguento mais, tô no meu limite

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mudez

Eu morro.
Morri ontem.
Morrerei amanhã.
Todos os dias um novo pedaço,
Um novo cansaço,
Uma nova maneira de sentir dor.
Enxaqueca.
Eu fico me despedindo
E pedindo ajuda
Compulsivamente.
Não me resta força
Pra mais nada.
Eu ainda preciso de respostas,
Mas não faço ideia
De como consegui-las.
Se eu não mereço nada disso
Eu vou virar o desgosto puro.
Mas eu ainda te amo,
Ainda te amo.
Quanto tempo ainda
Essa tortura vai durar?
Ninguém entende a metade que vai
Ou a que fica.
Eu sinto muita falta
De ouvir a tua voz.
Me liga uma última vez?
Só uma.
Eu só queria me despedir.

Quando eu me calo

Três cigarros.
Um, dois, três.
E uma tristeza profunda.
Exclusiva, singular.
Que só te pertence.
A nicotina me seca por dentro,
Mas eu ainda consigo chorar.
E o céu chora junto.
Eu preciso ser forte o tempo todo
Para aguentar a dor nos ossos
E o frio dessa noite chuvosa.
Eu preciso aguentar
O silêncio interminável,
Mesmo enquanto leio e releio
As pragas que você me joga.
Sou da sarjeta, da morte.
Eu sou a ofensa, a heresia,
A rebeldia mal calculada,
O pecado espalhado por todas as coisas.
E por dentro disso tudo
Alguém em mim te ama tanto
Que quer morrer.
Não sinto meus dedos dos pés
Ou minha alma.
Vou esperar que o mundo me devore
De verdade.
Deixar que a maldição me tome.
E no momento certo, bem,
Você sabe o que acontece a todos nós.

Quando eu tento falar

Três lágrimas.
Uma, duas, três.
Gemidos sufocados
Como se me doesse de verdade.
É estranho chorar por tua causa.
Eu preciso de um cigarro.
Estou de banho tomado,
Só preciso me vestir.
E ir te ler.
De novo e de novo.
Eu sei o que eu vou sentir.
Eu sei que é masoquismo.
Eu só não sei o que fazer com isso depois.
Escrever ou cortar os pulsos?
Hoje eu andei pensando em me matar.
Com que propósito?
Eu só achei bonito.
Eu penso nisso toda hora.
Na beleza das coisas que morrem.
Em você,
De costas,
Indo embora.
Minha voz morre.
Tem algum cachorro ganindo
No fim da estrada.
Ele vai morrer também.
Todos vamos.