Eu ando tonta nos trilhos
Meus passos cruzam tortos
A lente roubada brilha
Cintila, meteoro
Eu busco meu reflexo,
Não tentando fazer algum retoque,
Mas ciente de que seria a única
Cabível companhia
Em meu mundo
Meu peso se acentua
Desequilibro fraca
Pequena
Arrastando comigo
A lentidão da vida
E a inconsequência dos atos
Rastejo
Sorrindo a minha tristeza
Nos blocos cinzentos
Desistindo
De me manifestar
Eu engulo as fatias,
O trigo, o milho, as falas
E enquanto me queima
Eu em vez de brasa, me deformo
Um plástico, petróleo
Um resultado barato
Insustentável
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Polímero
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Lola
Passei a noite em claro,
Engoli um copo pequeno de café.
Com leite.
Foi suficiente.
Eu estava louca.
Sentindo a minha carne e respirando,
Como se os outros sentissem o cheiro
Da minha loucura.
Entrelaçando os dedos
Por entre os fios da nuca.
Maluca.
Era Lola.
Sente a morte iminente,
Corpos ensanguentados
De homens e moças,
Pelados.
Era Lola magoada.
Era Lola puta da vida.
Mas, com quem?
Com o quê?
Na rua parecia
Que todos podiam perceber
Como ela andava devagar,
Em provocação compulsória,
Uma possessão.
Olhares de genuíno interesse,
Flashes de dores diversas,
Concretas, boas,
Sedutoras.
Eu como sempre apavorada,
Tomada por esse ímpeto
De fazer um algo
Que por não saber
Se torna ainda pior.
Sozinha. Como sempre, sozinha.
Esperando a morte
A retardatária, cinco dias,
Esperando só.
sábado, 5 de agosto de 2017
Vícios
Você tem sido desprezível ainda
Como a maioria
E não sei por que mania
Eu continuo a seguir teus passos
Isso não é amor, não mais
É apenas vício
Como esse que te destroi,
Só que mais banal
Enquanto isso eu sigo
Me arrancando a pele
Desgastando os ossos
Pra conhecer outra pessoa
Pra esquecer de quem eu fui contigo
Mas eu já esqueço
Estou perdida de novo
Sem ser ninguém
E nunca na minha vida
Eu quis tanto estar sozinha
E não precisei ser alguém
Estar perdida assim é confortável
Eu não costumo sentir conforto
Nesse lugar maldito
Se eu fumar um cigarro é muito
Se eu beber uma cerveja eu não termino
Se eu me despir num quarto,
Estou sozinha
Como tenho sido sempre sozinha
Como era antes,
Livre de você
terça-feira, 25 de julho de 2017
Cigarros na quitanda
Eu fumo, eu bebo
Eu só não consigo,
Eu não percebo
Que perder você foi o melhor pra mim.
Eu sou exatamente
Quem eu queria ter sido.
Não quem quiseram que eu fosse,
Quem eu queria ter sido.
Mas eu não posso escolher
Quem vai estar comigo,
Não mais,
Você não.
Eu trepo, eu canto,
Eu pinto quadros e vivo,
Ainda em um universo só meu,
Ainda completamente só.
E não doi tanto, não agora,
Mas se me olho no espelho
Eu me pergunto:
Por que não com ele?
Por que com ele?
Com quem mais?
Eu fumo, eu bebo,
De um jeito diferente
Do que costumo encontrar.
Sou outra pessoa,
Estranha e singular.
Pode soar arrogante,
Eu tento fugir disso,
Mas não tem sentido,
Eu sou apenas essa,
Que queria ter sido.
Não mais sua,
Apenas viva, existindo,
Falando alto e seguindo,
Apenas eu.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Sépia
Te dei tudo que eu podia
Tudo que eu tinha
Tudo que cabia em mim.
As coisas ruins
Que eu não queria mais,
Todas as pessoas que eu seria,
Tudo que eu sabia,
Eu dei pra você.
Minhas informações guardadas,
As mais secretas, os medos,
Os apegos desesperados,
Meus desenhos e desejos
Bem guardados,
Eu dei tudo pra você.
Eu te dei o que você
Não queria ter.
O que nunca pediu,
Sequer teve vontade,
O que não agradava a sua vaidade,
O que agradava também,
O que moldava o teu ego.
Eu te dei amor,
E te dei dor,
E guardei rancor
Porque foi o que sobrou
Pra encaixotar.
Eu te dei tudo que eu tinha
A ponto de não conseguir mais
Me encontrar,
Ou te ligar,
Ou sequer te conhecer.
Eu não sei nada sobre você.
Eu te dei quase todos os textos que eu tinha,
As minhas palavras, as sílabas, as letras,
Quase que não me resta nada,
Quase que eu me esqueço que eu escrevo,
Fico sem nome, sem tripas,
Sem ter sobre o quê,
Sem poder.
Eu não sei mais dizer o que aconteceu
Eu não me lembro, eu não existo,
Eu desapareço e viro pó.
Mas você escreve sobre mim,
Pra eu tentar descobrir talvez
O que foi que eu te dei, afinal.
Mas com desleixo tal,
Com tamanho desgosto,
Que já te esqueço o rosto
E o meu
E se não tivesse guardadas nossas fotos
Seria como se nunca tivéssemos
Nos conhecido.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
More than solitude
Gimme some kind of redemption
I miss my bed and my blanket
Lemme breathe
Lemme be
I can't write anymore
I can't draw
And I can't fuck
I have no luck left
All I had I put on this one thing
I hope it works
Please make it work
I am so scared
Trying to relax
But how do I get my calm back
Without letting everything get ruined?
It will be fine
It will be fine
You're not a bad person, kid
Go back to your blanket and bed
domingo, 9 de julho de 2017
Sereia
Não sei se quando o sono goteja
Lasca parte de mim,
Deixa um espaço
Me falta um pedaço,
Alguém pra rir comigo na calçada
Pra ser errada comigo
Pra esperar o dia amanhecer.
Eu ando sozinha na rua
Parece que estou nua
Parece que não tenho mais
Motivo para rir
Nem os cachorros saltitantes,
Nem os cabelos ao vento,
Nenhum intento restante
De buscar alguma alegria além.
Um casaco esquecido num canto,
Um filme em câmera lenta,
A morte de um dia ou talvez
Talvez seja apenas sono.
Você segue o seu caminho,
Ainda moramos perto,
Ainda temos sentido,
Se é que isso é possível,
Eu te amo de um jeito qualquer,
Desleixado,
Com areia no sapato e intimidade,
Como tivesse acabado de te conhecer.
domingo, 2 de julho de 2017
Restos, ossos, pó
Como eu te tiro de mim?
Como eu me tiro de mim?
Me dou um tiro, talvez?
Me atiro do alto outra vez?
Carregada do medo de ser
E embalada por este texto medíocre
Que eu fiz pra você
E como se eu tivesse nascido
E permanecido viva
Até este instante
Só pra te conhecer,
Agora que eu não te amo,
Eu quero morrer.
Eu peço que me deixe ir,
Mas peço pra mim, que você já deixou
E devia ter deixado,
E devia ter me deixado, e desamado,
E me esquecido também.
Você devia ter ido,
Mas ainda tá aqui, dentro de mim
E ainda me tem.
Nunca poderia, pois se não há mais amor
O que seria?
O que pode ser este peso do vazio
Que arrasto,
Joelhos falseando
E voz condenada
Pelas pragas que tenho me jogado
Pela vontade que tive
De te ter.
O que posso ser?
Ainda, se não tua,
Se não tua tinker nua,
Se não tua
E de mais ninguém?
Como te mato,
Psicopata sádica,
Bruxa, qual feitiço rogo
Pra te esquecer pra sempre?
Como sigo em frente?
Não sei o que fazer com o pó que me mora,
Não sei o que fazer contigo,
Morto em mim.
Te dou um tiro?
Te atiro num lago fundo?
Te tiro de mim,
Tirando a minha própria vida?
Ou será que isso nunca vai ter fim?
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Free will
Don't choose me,
If you need a helmet.
Don't choose me,
If you need an armor.
Don't choose me,
If you need a smile,
Open arms and power
To deffeat the world.
Don't choose me,
For my candy hair,
For my exposed feet.
Don't choose me,
For me,
Because I wanted you to come
Or anything.
Don't choose me.
Neither for my hurful words
Or for my aching spirit.
Don't choose me,
If you always missed
Some poetry
In your life.
Don't choose me
To be your fucking wife.
Neither your friend
Or daughter.
Don't choose me
To be
Your side by side fighter.
Don't choose me
And don't do ever
Ask me to stay alive.
But if you call my name
And I come
If you speak to me
And I stay
Then you may
See that I'll be
Fighting your fights
Because I'll have no choice
But to be there for you
Untill one day
When I'll emancipate myself
And leave
Again
To another row.
London Town
I dreamed of you again
I often do
Why in such a hideous world
Whould I choose to be happy
With you?
I was traveling to london
You said you were going to love there
And there was a university
In wich you wanted to study
Where are you?
Why do I find you in my dreams?
Who are you?
Do you hear me?
Do you know what I mean?
I tried to talk to you,
I tried.
And I could dream of him,
Or anyone on earth,
Imagination is a free place,
But that's you.
It's you that I want.
It's you that I need.
And I don't know why I hate you,
But I keep chasing your hometown.
How could I go home?
I don't find meaning in this place.
You were my saving grace.
But I gave up.
You'll never be mine again.
You'll never be mine again.
I'm never yours awake.