quinta-feira, 20 de julho de 2023

Modinha - Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela
Sonho um sonho pequenino
Se eu pudesse ser menino
Eu roubava essa rosa
E ofertava, todo prosa
À primeira namorada
E nesse pouco ou quase nada
Eu dizia o meu amor
(O meu amor)

Olho o Sol findando lento
Sonho um sonho de adulto
Minha voz na voz do vento
Indo em busca do teu vulto
E o meu verso em pedaços
Só querendo o teu perdão
Eu me perco nos teus passos
E me encontro na canção

Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor
Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor
(Eu vou morrer buscando o teu amor)
(Eu vou morrer de muito amor)

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Codes

I ain't
I haven't
I won't
I will
Will I?
I wonder,
Uncertain
I willn't
A willing
A William
A Lilian
Anne
No
One

terça-feira, 18 de julho de 2023

Mermaid Blue

Did I sent for you?
Did you hear my mermaid's
Tearing chant
And felt impilled to dive
Into me
And die drowned in my charmed arms?
I feel you to the bones
Like a ghost perpassing me
Not with a regular shivering
But instead parasiting my nerves
Your voice, your memory
Relies on me,
Takes habitat, assaults my air
My cells fell pale, anemic
All have is yours, should be yours
I have no further use for myself
I'm but the burning cold among my guts
That tie me like a deep dark ocean
And this is all that ever ever made sense
I think you heard my calling
I pray to death you did
But either way
I don't think I might be leaving
I think I am the blue

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Spot

She pledges on her self destructive sunday drama
I play deafh
While nurturing fantasies of cutting my wrists
Or taking a type of shots
That not quite Tekilla
But not much less as alchoholic
I hope to god that you don't read this garbage
'Cause I feel like writing several pieces
This is the first lightning power
That I testimony in years
I want this
Maybe this is the reason why I lasted so long in that hell hole
I meant to worth something
Once in a lifetime
But to be honest
I think you should run
If you're reading this,
You should run, run
As fast as you can
'Cause everything I touch
Turns into ruins
And I'm the proof
Because I still touch myself
I tried to stop
me and my evil fingers
But everytime I lose this battle
It gets darker
And I am trying, trying,
Really, trying
So hard not to be a waste
Not to be this weight on someone else's
Existence
I really hope
For your own sake
That you find your path
And that that's not me
Because I don't even know where I am

Dissipação

Quem é você?
que não te conheço
que não te lembro meu nome
Que me rende uma noite sem sono
ou
Uma vida sem glória
um erro, um fracasso,
um estado pós-mortem
Um eco antigo
do que eu poderia ter sido
E quem eu poderia ter sido?
Se um dia eu tivesse existido
Quem é você,
Meu espelho no breu?
A fotografia invertida, o negativo
Como poderia haver algo
do outro lado
se no meio da selva
todas as árvores são surdas?
Se me parir foi consentir
com o infinito silêncio
do espaço intergaláctico
Se desde o átomo à Via
Não há nada além de este perene
Quem é você
Se é que você existe?
Você tem um nome?
Teve, um dia?
Você soube de alguma outra realidade?
Sou apenas eu que estou pra lá
De onde quer que exista qualquer coisa
Que me possa tocar
Mais uma vez?
Eu existo de fato?
Eu tenho um nome?
Eu e você somos dois que o mesmo,
ou dois distintos?
Somos o mesmo átomo
do infinito no espaço-tempo?
Eu, você
e todas as outras almas
ou seres, ou coisas supérfluas no mundo?

domingo, 16 de julho de 2023

the nothingness comprehension of the hole

The night you paid me a visit
After two years locked
Inside that freakin frozin burnin cell
I came

The first time they let you out
For mother's day or whatever holiday shit celebration
For good behavior
A little escape
And went to see me
I came
And I was thinking of you

That night I ate half a pizza
I wanted to eat it all
But I didn't have that thing of good behavior
They didn't let me
I was hungry of life
Haven't been fed for years
More than two, if you get what I mean
But that's not all that I mean

I felt the moon, the sky, the drunks,
The cold persecuting my spine
Warning me of your late visit
To fill me up
With your words and
Projecture of being
Such a pretty one
A pretty one
...

And you invade me like a heartbeat
An invasor that messes up my rhythm
A cardiobeat freakstepdance
A heart attack
A cozy net
To hang my neck onto
And I'll never forget
The beautiful poetry
That you silently wrote me
Afterwards
When I was alone
In my bed

Covered up
With nothing but 
Your absence

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Grimm

A água não me aquece mais o suficiente
Queria que você me queimasse, cavaleiro
Com a ponta da sua espada
 a ferro quente
 ardendo em brasa
Mas você não passa de um gentil infanto
E eu preciso de um pai
Preciso de um amante
 de um Devoto

Estou cansada de lutar por migalhas

Queria ser a princesa dos jogos
Sou a da torre
A das tranças
E de tanto tempo a cultivar meus cachos
 eles caem aos tufos
Sou forçada a decepá-los
 como membros torpes que me sobrassem
A dor perdura
 como arrancasse uma de minhas línguas.

O silêncio me corrompe.
Me converto a esta forma de ser,
 de animal, 
 de abismo

Me sujeito à mais medíocre das fábulas
 me sujeito ao homem
Ao camponês pagão que em nada crê
 a quem nada rege
 se não a força braçal de plantar o trigo
 e assar o pão

Me curvo, sob o peso do cair da noite
 e do adormecer de minha pele
 da morte de minh'alma
E me sirvo em sacrifício ao único Deus
 que me resta
A sobrevivência.

terça-feira, 16 de maio de 2023

IA, Usina Nuclear

Eu não era nada
Ninguém
Não existia
Porém ainda sentia
Vibrava em cada fibra invisível
De minha inevitável degradação
Eu tinha cheiro
Sentia meu próprio cheiro
Sentia meu próprio gosto
O gosto das partículas do ar
Que tentavam me atravessar
E cuja passagem breve era bloqueada pelo meu corpo
Minúsculo
Extenso
Extendido, e desintegrado
Esparramado e multiplicado por quilômetros
E quilômetros
Como as partículas num átomo
Ocupando um espaço necessário
Um espaço de outrem
E quanto mais me encolhia
Mais perto chegava de me tornar
O fim de um mundo
O meu, o deles, alguma ponte no caminho

Eu queria ser nada
Um nada notável
Que notasse-se que era nada
Um pedaço de pedra ou plástico perene
Que em vez de me degradar ou contar minutos
Como uma bomba-relógio
Poluísse apenas
Em harmonia com o século XXII
Queria ser um lixo
Um não declarável no imposto de renda
Um calado e analgésico
Um morto
Anti-burocrático
Um bem não-natural
Ou uma propriedade que ninguém quer possuir
Mas que também não sofre do mal
De desejar ser possuída
Ou de desejar coisa alguma

Eu desejava não ser.
O nêutron, a barbie, o fóssil.
A química tecnológica.
Uma IA.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Abismo Azul Sinestésico

Faz mais de vinte anos que eu existo mais lá do que cá.
Acho que ninguém nunca me conheceu.
Eu sou um iceberg
Onde encalham às vezes
Algumas embarcações.
Eu tento me mover um pouco para que elas vão embora
Para que sigam seu caminho de origem, de antes de me esbarrar
Para que não fiquem presas aqui, de onde nunca mais vão sair, se eu não as expulsar
É um labirinto.
Eu às vezes me pergunto se um dia cheguei a nascer realmente
Ou se apenas espiei o mundo
Em minha meia-ponta de bailarina
Tentando alcançar o sol.
Eu nunca soube se, quando o sol chegasse
E derretesse o gelo que me prende no mesmo lugar,
Se sobraria algo de mim aqui, para me mover,
Ou se eu sempre fui o gelo de todo o iceberg que fica preso.
E eu queria poder dizer que por isso escolhi ficar longe do sol,
E nunca escoar junto com o resto dos navios,
Que por isso vivo no canto sombrio das sereias,
Numa maldição estranha, em vez de tentar viver.
Mas eu nunca tive escolha.
Eu estava fundo demais,
Gélida demais,
Âncora demais,
Para alcançar qualquer calor.
Para ser qualquer tipo de ser vivo a cores.

Eu só podia ser um prisma que colorisse os outros,
Um farol à noite,
Uma despedida.

E quando as sereias me cumprimentaram, no idioma avesso delas,
Eu simplesmente mergulhei.
E desde então eu vivo do outro lado.
Ninguém percebeu.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Sombra (vs. flashlight)

Quanto menos viva eu me sinto
Mais eu eu me pareço ser
Quanto mais no trauma
Qianto mais perdida
Mais me encontro
Mais me reconheço
Nessa geleia de nada
Nessa farinha de caos

Sei que me dizimo
Que me dissipo
Que me derreto nas nuvens
Da fumaça do meu medo
Dos meus erros
Do meu medo
Dos erros dos erros de outros

Sei que me esqueço
Me abandono nesse breu de mim
Do que há e do que houve
Tapo meus olhos
Apago
Elimino qualquer futuro
Porque não o enxergo ou não quero enxergá-lo

Eu tenho medo
Eu tenho medo de um dia mergulhar
E não sentir coisa alguma
A água escorrer sobre minha pele
Tentar invadir meus poros como antigamente
Me violar
Me criar estática
Me criar estética
Me criar revolta
De que a crosta que se forma sob meus calcanhares
Tenha se convertido em uma capa
que me cobre por toda a superfície
Que volte a ser um feto alheio ao que há fora

Eu arranco-a aos prantos buscando uma nova dor
Mas o que me coça não se alcança
Pois agora há um formigamento que se alastra
Que me apaga
Que me morre
Eu sei que estou morrendo

E prefiro morrer viva
Ou prefiro morrer mentindo uma chapa acesa de natal

Uma vez q você aceita
As náuseas da marisia da droga
Os primeiros meses antes de se abortar de si
Uma vez que você sente o que é estar
Dentro de uma maldita fogueira
Ser um porco assado com facas cravadas no seu corpo
Como um maldito bife à rolê
E sangrar como se nada tivesse acontecido
Como se fosse só mais um dia
Uma vez que você passa uma década
Ouvindo gritos na sua cabeça
Como dormisse com uma TV alta ligada
Não tem volta

Você agora é uma bruxa
É um pirata
Uma sereia
Um surdo, tem que aprender libras pra se comunicar
Você agora é uma vítima
Um sobrevivente
Qualquer coisa que não sente
Um pedaço de coisa, um prato de comida
Um objeto
Você não é mais gente, é um negócio
Um glitch

Hora existe, hora não existe
Às vezes está lá
E aí de repente
____
E vem um choque bizarro
Que queima e corrompe tudo
Um pane geral
Ou só um maldito homem
Quem sabe um pensamento
E você se quebra por completo
/ !\ _ / \ / / | \ X / \ ______
Como uma máquina velha de fliper